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quinta-feira, 17 de maio de 2012

Categoria » debate

Convite de Nelson Pretto

O diretor da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia parte de Piraí para chamar aos grandes rios. Do Terra Magazine.

Encontro debate novas mídias e redes colaborativas

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Novas mídias, conexão digital, TV pela internet ou celular. Conexão total. O ministro da Cultura quer bandalargar o país. Vai a Piraí, no Rio de Janeiro, e, junto com ele, um monte de gente que, durante um dia inteiro, discute o que se está fazendo neste Brasil afora. E adentro! Pensam em voz alta sobre o que é possível fazer com o uso das chamadas Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC).Piraí é uma das primeiras cidades totalmente conectadas, através de redes sem fio, bancadas pelo poder público, com o objetivo de não deixar que o fosso digital separe ainda mais nossa sociedade, já tão desigual e injusta. Piraí virou uma espécie de ícone do tema. E precisa ser pensada como o pontapé inicial de políticas públicas mais corajosas de intensificação de processos colaborativos em rede, envolvendo educação, cultura, ciência e tecnologia.

As redes, potencialmente, conectam pessoas, instituições, setores e podem produzir novas articulações e ações. Com elas, e com as pessoas se apropriando das tecnologias, novos saberes são produzidos, emergem novas formas de ser e de pensar esse nosso alucinado mundo contemporâneo.

Passamos a conviver, mesmo com todas as conhecidas dificuldades de acesso, com novas linguagens e novas formas de expressão, que demandam um olhar mais atento. Associam-se essas linguagens ao movimento da população jovem, que já convive com o universo de imagens e informações.

Alguns pensam que isso só está acontecendo com os jovens das camadas mais abastadas da sociedade, população de classe média e alta. Ledo engano! Não podemos esquecer que as classes desfavorecidas encontram outras formas de fazer parte desse universo, tomando posse de muitas dessas tecnologias e saberes, seja através de movimentos como o hip hop, os raps, os bailes funks, a música eletrônica, seja através das inúmeras lan houses espalhadas por todos os cantos das cidade, especialmente nos caminhos que levam à escola. Apropriam-se dessas linguagens também através das rádios livres e comunitárias, produzidas pela meninada e colocadas na internet, intensificando a dimensão produção, em lugar da perspectiva de meros consumidores que ainda insiste em ser dominante na sociedade.

Tudo isso vem trazendo novas possibilidades e começamos a vivenciar grandes transformações nos comportamentos dessa turma que futuca tudo, recriando, combinando e recombinando. Enfim, a onda é remixar e, essencialmente, partilhar.

Essa meninada, tomando pra si esse estilo multitarefa de produzir e consumir, usando o seu jeito alt+tab de ser, que é como denominamos essa juventude que, com o movimento das duas teclinhas do computador, abre dezenas de janelas, conversa com um monte de gente, “tudo ao mesmo tempo, aqui e agora”, como já diziam os Titãs há algum tempo.

Começamos a pensar sobre todo esse movimento e resolvemos não fazer isso sozinhos. A Associação de Software Livre, a Casa de Cinema de Porto Alegre e o Projeto Software Livre do Rio Grande do Norte capitanearam a proposta, que, depois de trabalhada dentro do mesmo espírito alt+tab, remixando idéias e conceitos, gerou o ciclo de debates “Além das Redes de Colaboração: Diversidade Cultural e as Tecnologias de Poder”.

Dois pólos, dois Rio Grandes, um do Norte e outro do Sul, foram mobilizados para sediar as conversas presenciais, dentro do programa Cultura e Pensamento, do Ministério da Cultura, com a expectativa de, a partir deles, podermos agitar muito mais gente, do Leste e do Oeste, das capitais e dos interiores.

Pela web, os debates poderão ser acompanhados ativamente através da TV Software Livre, que, usando tecnologias livres, disponibilizará tudo o que estiver acontecendo nas noites de 15 a 18 de outubro, em Porto Alegre, e de 7 e 10 de novembro, em Natal, onde também acontece o III Encontro Potiguar de Software Livre (EPSL).

Imagem e som saindo dos Rio Grandes e chegando aos quatro cantos do mundo, associado com a possibilidade de participação integral a partir de uma sala de conferência (chat) aberta na internet, desde já conclamando todos a entrarem nessa conversa através do blogue do projeto (alemdasredes.softwarelivre.org).

As possibilidades são muitas, os desejos maiores, e os desafios postos. A rede começou a ser formada sob a curadoria de Sérgio Amadeu, conhecido ativista e pesquisador do tema, que está em São Paulo. Junto com ele, eu, aqui na Bahia, na Faculdade de Educação da UFBA, e Giba Assis Brasil, um dos grandes roteiristas do cinema brasileiro, lá em Porto Alegre. Tem gente envolvida em Natal, mais alguns aqui na Bahia e em São Paulo.

Nelson Hoineff, num debate sobre a televisão pública que se anuncia, disse em Salvador, no mês de agosto passado, que “o mundo digital implodiu a comunicação de massa”. Queremos, aqui, contribuir com isso, pondo mais elementos nessas possibilidades trazidas pelo digital, visando a implantação de processos horizontais de comunicação. Aí, quem sabe, resida o verdadeiro nó da questão.

Nelson Pretto é diretor da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia e curador-associado do ciclo de debates “Além das Redes de Colaboração: Diversidade Cultural e Tecnologias do Poder”.


Bandarlargar para a sustentabilidade

Daniela Silva dá um panorama do evento no Planeta Sustentável:


O Brasil em banda larga
Ministro da Cultura visita Piraí, a cidade carioca que “infoviabilizou” e defende o acesso à internet rápida, pública e gratuita como chave para a inclusão digital e para o desenvolvimento do país
Por Daniela Silva

Não é só por causa do trocadilho que a nova turnê do cantor e compositor Gilberto Gil se chama Banda Larga. O nome tem a ver com uma das campanhas que o ministro Gil apóia – e que, se vingar, pode revolucionar a maneira como se produz e se difunde a informação no Brasil: a existência de uma política que promova o acesso gratuito à internet, via banda larga, em todo o território nacional.O projeto que o Ministério da Cultura (MinC) defende é polêmico porque vai na contramão do modelo de negócios atualmente mantido pelas empresas de telecomunicação. Hoje, o acesso à banda larga no Brasil não apenas é restrito, como está entre as mais caras do mundo. Em Manaus (AM), por exemplo, ela chega a ser 400 vezes mais cara do que em países europeus.

Para lidar com essa questão, que reforça a necessidade de se investir em tecnologia e estrutura – para garantir a viabilidade e a abrangência de projetos culturais – o Gil-ministro “emprestou” a habilidade do Gil-artista. E foi assim que “Banda Larga” virou nome de turnê e de música, cuja letra que se refere à “infovia” como um caminho tão importante quanto as rodovias e as ferrovias para promover a justiça social e a inclusão:

Ou se alarga essa banda
e a banda anda mais ligeiro
pras bandas do Sertão
ou então não
não adianta nada

Banda vai
banda fica abandonada
deixada pra outra encarnação

Ou então não
não adianta nada
Uma vai
outra fica abandonada

Os problemas não terão solução.

Para se manifestar sobre essa demanda, o Ministério da Cultura promove, hoje, um evento público no município de Piraí, no Rio de Janeiro. A escolha da cidade como “sede” tem a ver com o projeto Piraí Digital,que possibilita o acesso à internet e à banda larga gratuita e o uso da tecnologia em serviços públicos de saúde e educação (Piraí participa, por exemplo, do programa UCA – Um Computador por Aluno).

Um debate discutiu os projetos mantidos pela cidade, os planos do MinC para a banda larga pública e a importância dessa ação para o desenvolvimento local e nacional. O conselheiro do Planeta Sustentável, Ladislau Dowbor, participou da mesa..

Acompanhe também a cobertura do blog Bandalargar o Brasil, do Ministério da Cultura.

Leia mais sobre a visita de Gil à Piraí:
Desenvolvimento local e banda larga


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“Contem com os pontos de cultura para bandarlargar o Brasil!”

Chico Simões, coordenador do Ponto de Cultura Invenção Brasileira, terminou assim sua apresentaćão.

Antes, criticou o artigo que Fernando Brant publicou no jornal “O Globo”, no sábado (8/9/07). Em “No baile do Ministro da banda larga, autor não entra”, Brant chama Gil de bárbaro por defender a flexibilizacão das licencas autorais.

Chico afirma: “Nos chamar de bárbaros, como fizeram com os indígenas, é um elogio. Eles dizem isso para frear, para destruir, mas só sobreviveremos como seres humanos se adotarmos o que faz a cultura popular, os hackers, quem constrói o software livre. Conhecimento náo é mercadoria, não é possível defender direito autoral.”


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“Para deixar de ser essa frustracão nacional”

Sergio Amadeu falou sobre as mudancas no uso do computador. De máquina de calcular e processar, virou máquina de comunicar, por Orkut, email, msn, e agora pode ser uma máquina retransmissora.

“A internet agora é peer to peer. Cada máquina pode se comunicar com outra máquina, ser cliente e servidor, coletar, receber e enviar sinal, ser parte de uma rede viral, sem a necessidade de uma infraestrutura de telecomunicacão”, disse o professor. “Mas para isso, é necessário ter banda larga. É necessária uma grande rede nacional: União, estados e municípios para destravar o Fust. Para ele deixar de se ser essa frustracão nacional”.


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Segundo Lu Cachoeira

“Esse movimento precisa ser irradiado! É necessário juntar as forćas políticas dos governos locais e ligar mais municípios, partindo da experiência de Piraí”.


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Carlos Seabra alerta

Assim como é possível bandarlargar horizontalmente, pode-se usar a banda larga em altas torres, onde poucos tem acesso.


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Democratizar o debate

Essa foi a defesa que Marcos Dantas acaba de fazer. “Não basta falar de democratizar a comunicaćão. Precisamos trazer mais pessoas para falar de banda larga”.


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Para acompanhar o debate

aovivo.estudiolivre.org

Se tiver dificuldade com seu software: videolan.org.


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Evento

Pesquisadores e atores sociais ligados à cultura digital, ao desenvolvimento local e à educação são enfáticos quanto à necessidade de uma política pública de banda larga para universalizar o acesso à rede mundial.

E não é de hoje que o Ministério da Cultura levanta a bandeira da ampliação infinita da circulação de informação e criação.

Mas como fazer?

No dia 10 de setembro (segunda-feira), em Piraí (RJ), serão apresentadas experiências da interatividade permitida pelo uso pleno de banda larga em algumas cidades brasileiras. Governo e sociedade civil, por meio de seus hackers das tecnologias digitais e sociais, debaterão os seguintes temas:

1- Cultura Digital e Banda Larga. Uma questão política.

2- Desenvolvimento Local e Banda Larga

3- Educação e Banda Larga

4- TV e Rádios digitais locais e Banda Larga

 

Veja aqui programação


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Programação

15 às 18h: debate ‘Como Bandalargar o Brasil’
local: Agremiaçào Esportiva Piraiense

Convidados:

Ministro Gilberto Gil

Cláudio Prado, coordenador de políticas digitais do Ministério da Cultura

Carlos Savio, assessor do Ministro Roberto Mangabeira Unger

Franklin Coelho, catalizador de Piraí Digital

Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro

Arthur Henrique Gonçalves Ferreira, prefeito de Piraí

Vicente Guedes, prefeito de Rio das Flores (RJ) e presidente da Associação Estadual de Municípios do Rio de Janeiro

Pezão, vice-Governador do Rio, que quando Prefeito de Piraí, começou o Piraí Digital

Nelson Simões , diretor-geral da RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa), a instituição governamental brasileira que mais entende de Banda Larga Pública

Ladislau Dowbor

Nelson Pretto,  diretor da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia

Sergio Amadeu

Marcos Dantas

Carlos Seabra, coordenador do IPSO

Gustavo Gindre

Pablo Ortelado (não confirmado)

Alfredo Manevy, secretário de políticas culturais do Ministério da Cultura

Célio Turiuno

Marcio Meirelles, secretário Estadual de Cultura da Bahia

TC, coordenador do Ponto de Cultura da Casa de Cultura Tainã

Cesar Piva, coordenador do Ponto de Cultura Fábrica do Futuro

Chico Simões, coordenador do Ponto de Cultura Invenção Brasileira

Rodrigo Savazoni, Agência Brasil

 

18h a 18h50: coletiva de imprensa

19h : inauguração do Ponto de Cultura de Piraí

 

20h: show do grupo local de jongo

21h: show de Gilberto Gil
local: Praça de Santana


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