Brasil Econômico, por Martha San Juan França, em 07/01/2011
O presidente da Muzy Corp. e do Instituto Vencer, Jorge Muzy, concedeu uma entrevista ao jornal Brasil Econômico nesta sexta-feira (07), onde ele comenta a falta de interesse das empresas em direcionar o imposto de renda para entidades ou projetos na área cultural.
Por que tão poucas empresas se valem das leis de Incentivo?
Primeiro porque a maioria das leis é desconhecida e há um emaranhado delas. Só federais são sete: Lei Rouanet, Lei do audiovisual, Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Fumcad), Lei do Idoso, Vale Cultura, Lei do Incentivo ao Esporte, Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), sem contar as leis estaduais e municipais. E segundo porque a aplicação não é tão simples – elas se canibalizam. Por exemplo, a renúncia fiscal coma Lei do audiovisual é de 3%e coma Lei Rouanet, 4%, mas as duas juntam não se somam. Outro problema é que os departamentos de contabilidade estão focados no objetivo de oferecer o melhor resultado fiscal e esquecem de ver depois se existe possibilidade de aproveitar essa eficiência tributária.
“Os departamentos de contabilidade estão focados no objetivo de oferecer o melhor resultado fiscal para a organização e esquecem de ver depois se existe a possibilidade de aproveitar essa eficiência tributária”
Mesmo sendo boa, a Lei do Incentivo ao Esporte não gerou os resultados pretendidos, e o Brasil está vivendo uma década de oportunidades que está sendo desperdiçada
Qualquer empresa pode aplicar essas leis de Incentivo?
Qualquer empresa que tribute pelo lucro real. Lucro presumido não pode e nossa luta é para mudar essa regra. Outro problema grave é a falta de comunicação. Por exemplo, toda pessoa física que paga imposto de renda tem direito a destinar 6% desse imposto a Projetos Culturais ou esportivos. Mas a porcentagem dos que usam esse benefício é irrisória porque ninguém sabe disso. Se cada pessoa que paga imposto de renda no Brasil destinasse 6% para um Projeto esportivo, teríamos R$ 4 bilhões por ano aplicado ao esporte. Outra de nossas lutas é convencer empresas e empresários a desenvolver programas de informação sobre esse benefício entre os seus funcionários.
Qual o motivo da preferência pela Lei Rouanet?
Porque ela é mais conhecida – tem 17 anos de existência. Além disso é uma lei excelente e vai ficar melhor agora com a nova reforma. A lei atual dá 100%de renúncia fiscal no seu artigo 18 e 30 a 40% no artigo 26, dependendo se o PROJETO for doação ou patrocínio, mas concentra muito as atividades no eixo Rio-São Paulo. A nova lei permite que, quanto maior o Investimento em áreas afastadas dos grandes centros, maior a renúncia fiscal.
Qual o nível dos projetos aprovados?
Os da Cultura em geral são muito bons. Os projetos esportivos, ainda deixam a desejar. Isso porque a Lei do Incentivo ao Esporte tem um defeito gravíssimo: ela não permite que empresas de capital privado e agências de marketing esportivo sejam proponentes.
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