Ainda Campus Party

O maior encontro de comunidades de tecnologia que aconteceu em São Paulo está rendendo assunto no nosso Blog de cultura digital. Como contamos em um post às vésperas do evento começar, nossa equipe apresentou um projeto para a organização do Campus Party propondo o seguinte:

  • nós convidaríamos 5 Pontos de Cultura, do Brasil todo, para participar do evento;
  • o Campus Party traria duas pessoas de cada um desses Pontos de Cultura, com inscrição no evento, barracas, alimentação e disponibilizaria 5 celulares Nókia N95 para serem usados no evento pelo grupo;
  • com esses celulares os Pontos ficariam responsáveis por fazerem uma cobertura alternativa do evento em formatos menores e com publicação instantânea;
  • nós do cultura digital organizaríamos um espaço de discussão de produção e cobertura digital com celulares;
  • ao final do evento os 5 celulares seriam doados aos Pontos de Cultura para que a produção continuasse em vários pontos do Brasil;
  • além da cobertura com os N95 ficou acordada um sistema extra, de apoio, com câmeras trazidas pelos Pontos de Cultura e uma Ilha de Edição montada pela equipe de São Paulo para a finalização do material gravado.

E foi quase assim que se deu. Quase porque os celulares não chegaram! Mas a equipe que formamos não se acanhou e decidiu levar adiante a proposta de cobrir o evento. Câmeras em punho, os momentos que seriam de discussão de linguagem e formato para registro com celulares se transformaram em reuniões de pauta.

Não vou ficar aqui contando para vocês quando vocês podem ler a opinião de várias das pessoas que formaram nosso time. Segue nossa avaliação dividida em três quesitos: nossa avaliação do evento; uma auto-avaliação do trabalho em equipe e por fim colocamos nossa produção em cheque e questionamos mesmo. As avaliações foram mandadas para uma lista de e-mail que criamos e eu editei um pouquinho para que vocês, que não estavam lá com a gente, entendessem do que estamos falando. Os créditos estão no final, em negrito.

Contamos com seus cometários!!! Nada melhor do que quem está de fora para palpitar. Principalmente sobre a produção que está disponível para vocês assistirem.

Avaliação do Campus Party:
“Muita Informação, oficinas ocorrendo ao mesmo tempo, evento disperso…. Um evento MUITO BOM, mas acho que faltou mais organização. Exemplo: oficinas com dia e hora marcado, mas não rolavam e não tinha ninguém pra avisar. Estava muito confuso! Faltou informação até para quem estava no evento. De qualquer forma foi uma boa oportunidade de reunir Pontos de Cultura que faziam parte de um um mesma rede, mas não tinham tido a oportunidade de se integrar uns com os outros. Experiência surpreendente!!”. por Eliete Lima do Ponto de Cultura Encine em Fortaleza, Ceará

“De tudo dos 7 dias ficou essa impressão: falta de programação definida previamente, e que mudavam constantemente, impediram uma pre-definição de pauta. A falta de estrutura para receber no primeiro dia (a fila enorme para atendimento) foi o mais desastroso. Senti falta de uma programação mais humanizante, com apresentações culturais (*música, performances) nos intervalos, que pudessem aproximar e interagir o público presente. A quantidade de informação é realmente muito grande, chega a exaurir no final. Realmente é um evento para aqueles que possuem poder aquisitivo maior. A falta de programação que envolva as crianças, também deixou a desejar. Poderia ser uma oficina. Não devemos limitarmo-nos somente aos games que promovem constantes lutas entre si. O avanço tecnológico a que nos predispomos deve ir além do que costumamos observar pelo mercado. Quando começarmos a exigir novos produtos, mais educativos, talvez tenhamos, maiores progressos, uma sociedade mais tanquila e responsável.
Os pontos positivos?A convivência, em um mesmo espaço, de tantas comunidades certamente foi uma oportunidade importante. Houveram palestras interessantes. O café da M$ era livre (dava pra ver a receita sendo feita na hora e não se cobrava nada por isso). Experimentar uma conexao de 5g foi uma oportunidade rara e relevante. Houveram atividades praticamente durante todo o tempo.
Os negativos… Se não fosse o fórum nacional de inclusão digital (era esse o nome?) seria um evento etnicamente delimitado a uma elite majoritariamente branca e de classe média alta/classe alta, o que faz questionar se num evento futuro não deveria haver algum tipo de patrocínio ou esforço da organização para incentivar populações negras, mestiças e de periferia a participarem. O evento estava um tanto quanto disperso, na maioria das palestras, ficou a impressão de que os vários grupos pouco interegiram entre sí. Faltaram temas mais transversais, e o espaço que parecia ter sido proposto para esse fim (o espaço telefônica) estava mais pra um grande balcão de negócios do que para um fórum de debates. Aliás, no espaço telefonica, os poucos debates que houveram pouco envolveram o público. Houveram os anedotários problemas com a segurança, que mandava e reprimia mais do que o que era oficialmente admitido pela organização. A distribuição de espaços de palestras não respeitou muito a afinidade dos grupos que lá estavam. Por exemplo, enquanto Games e Modding, (que sao comunidades muito afins e que compartilham a maioria dos seus membros) recebeu um espaço cada um, grupos muito menos afins como música, cultura digital e startup de empresas de tecnologia tiveram de disputar um mesmo espaço denominado ‘criatividade’. O evento tem que ser ‘tropicalizado’! A influência dos espanhois na organização, a imposição do mesmo modelo aplicado na Espanha, certamente prejudicou”. por Ariel Foina, advogado e sociólogo sempre colaborou ativamente com o Cultura Digital

“Acho que a ação capengou porque fizemos o de sempre. Trabalhar com limitações maiores do que no Ponto de Cultura onde trabalho não representa grande avanço. Acho que capengamos em envolvimento. Algumas pessoas deram as madrugadas para editar vídeos e outras não se deram o que podiam. Tínhamos brutos demais para editar por falta de planejamento. Possivelmente por falta de melhor domínio de produção de vídeo. O Coletivo Digital levou a gente lá pra participar do Seminário de Inclusão Digital mas nem incluiu o seminário na programação. O espaço promovido para as iniciativas governamentais (Pontos de Cultura, Casas Brasil…) não estava claro que se propunha a isso”. por Augusto Pereira do Ponto de Cultura PC Nortão, Mato Grosso

Avaliação do nosso trabalho em equipe:


“Posso dizer que nosso trabalho em equipe foi muito bom. A galera realmente estava querendo “trabalhar”! Cheguei na terça à noite, então foi bem trash, pois já peguei o bonde andando. Confesso que fiquei meio perdida no começo! Mas deu pra desenrolar. No dia seguinte fui para a reunião, fiquei por dentro das pautas e consegui me integrar ao grupo. Quer dizer, em partes, por que não deu pra conhecer todo mundo… Muita gente estava preocupada só em trabalhar e não se relacionava com as outras pessoas da equipe. Lembro que tivemos muitos problemas com ilha de edição. A solução foi editar no stand do pessoal da Casa Tainã. Achei muito massa, conheci a galera toda lá, aprendi muitas coisas… Foi uma experência muito boa! As pessoas paravam e perguntavam o que eu estava fazendo, eu explicava sobre o cinelerra e sentia que eles gostavam. Isso também me deixou feliz. Aprendi que em meio a tantos problemas soube lidar com todos sem me deixar abater. Fiquei estressada, cansada, mas tudo isso valeu a pena e faria de novo se fosse nescessário. Além disso como eu disse, não tinhamos estrutura suficiente para trabalhar: ilhas de edição, câmeras…. Tivemos muitos atrasos em reportagens por conta disso. Alguns não sabiam onde colocavam fitas, cabos e etc… Como todos nós sabemos, filmar com câmeras e ter que editar não era a principal proposta: iríamos usar os celulares e não precisaríamos editar. Tivemos muita força de vontade, fizemos o impossivel. Chegamos ao ponto de virar a noite editando para ter um bom resultado”. por Eliete Lima do Ponto de Cultura Encine em Fortaleza, Ceará

“Vou usar da analise do Pedro Markum: ‘Pela primeira vez, apesar dos problemas (neste caso a falta dos celulares) a equipe se manteve unida e não saiu cada um para um lado’. Esta analise é uma comparação com a participação do Cultura Digital na TEIA e no IGF. Acredito que conseguimos fazer com que a produção ocorresse, apesar dos pesares. Senti força de vontade de todos. Algumas pessoas se doaram mais, outras, menos. Faltou organização com relação ao uso da ilha de edição e fitas – mas porque nao esperávamos ter que usá-las com tamanha freqüência. Faltou organização de pauta diante do que aconteceu e pautas mais críticas. Houve sim dispersão nas reuniões e talvez a causa seja o fato de terem ocorrido pela manhã e o pessoal ter trabalhado durante a noite. De qualquer maneira da próxima vez tem que haver escala, ou coisa do tipo. De um modo geral avalio positivamente nossa participação”. por Mariana Piazzolla da equipe do Cultura Digital, de São Paulo

“O trabalho da equipe foi um sucesso, mesmo tendo tido alguns impencílios e desarrojos como a falta de estrutura técnica para trabalhar. Apesar das dificuldades, somos todos vitóriosos pelo fato de todos terem dado o melhor de si para cumprir uma demanda alternativa. Poderiamos ter feito ainda mais, mas acho que foi feito o sulficiente para mostrar que somos capazes e que formamos uma grande e competente equipe de trabalho, que pode superar obstáculos”. por Emanuel Ricardo Maria do Ponto de Cultura Na Trilha da Cidadania Cultural, de Diamantina, Minas Gerais

“Acho que o ambiente cheio de estímulos (zumzumzum, gente passando, falando, gritando), perturbou nossa reunião de pauta. Senti que somente algumas pessoas que estavam sentadas próximas umas das outras conseguiam se ouvir, mas mesmo assim com dificuldades. Isso foi cansativo, e ficou a sensação de que os combinados não estavam claros e/ou haviam diferentes interpretações deles. Sintomático que depois da primeira reunião, não conseguimos fazer mais nenhuma com todas as pessoas, e saímos cada um procurando produzir da maneira que entendeu ser a mais adequada. Reuniões mais eficientes e freqüentes fizeram falta. Por eficiência quero dizer todos presentes, ouvindo-se e objetivando, anotando os combinados. Como já disse atribuo esta “ineficiência” em parte ao ambiente disperso e não às pessoas, estávamos tentando, mas o ambiente não ajudou. O ponto positivo foi que apesar da falta dos celulares e o consequente afunilamento da produção na ilha de edição, conseguimos uma certa produção. E apesar das dificuldades citadas conseguimos formar boas mini-equipes, todos estavam se respeitando e procurando se ajudar. De minha parte da próxima vez serei mais atencioso no acompanhamento das produções em curso, distribuição de fitas, fluxo das edições, agendamento da ilha. Medidas, que acredito, poderiam ter amenizado algumas das dificuldades encontradas”. por Daniel Taterka da equipe do Cultura Digital, de São Paulo

“O trabalho em equipe me pareceu coordenado e organizado, mas talvez pudéssemos ter gerado um ‘tutorial para TVs táticas’ no fim do processo. Seria de grande valia para o movimento de conhecimento livre. :) Em suma, vi pouca documentação ser gerada”. por Daniel Pádua, articulador do Cultura Digital na região central do Brasil

“Houve uma interação no primeiro dia. Depois, notei que ficamos mais dispersos, cada um querendo resolver a captação e edição de imagens. Aliás nosso grande impecilho foi a edição. A falta de máquinas e a interrupção dos programas de edição, atropelou um pouco o processo. Mas, apesar desses pequenos problemas, notei que a equipe estava disposta e ávida para produzir, isso é muito positivo”. por Rosangela Rocha do Ponto de Cultura Curta-se de Aracajú, Sergipe

“A minha participação não foi muito ativa no processo de elaboração e fatura dos vídeos, coisa que me deixa desconfortável numa ‘avaliação’ destes objetos. Embora em nenhum momento havia me proposto a ‘fazer registros’. Não encarei isto como uma demanda, e acho que foi dito claramente para todos que esta não era uma demanda. Mas isso e a fala de Augusto se chocam: ‘Acho que a ação capengou porque fizemos o de sempre. Trabalhar com limitações maiores do que no Ponto de Cultura onde trabalho não representa grande avanço.’ Muitas pessoas vieram empolgadas com o “propaganda” que se fazia do evento (e eu fui uma delas). Na mídia o evento parecia uma prévia da primeira viagem lunar! Viajaríamos numa banda inacreditável, conheceríamos gente que respira tecnologia, todo mundo compartilhando tudo, todo mundo com os novos 10 mandamentos da geração coloborativa bem decorado, Enfim…e no fundo havia um pouco disso sim. Só que eu não sabia onde. Eu não entendi onde eu me colocava dentro do evento, dentro das programações, no uso do meu próprio computador. Eu participei do Cultura Digital por uns 2 anos e pouco…e ainda me surpreendo em como é confuso as liberdades de produção, de acesso e de tráfego das pessoas e das informações. Tínhamos um corpo que não sabia quem eram pé, quem era mão, quem era unha…que não se identificava como integral. Vi muita gente produzindo sim, mas resgato a frase do Augusto: Muita gente fazendo o que já fazia sem muito diálogo com as outras pessoas. Quase cumprindo um compromisso: O compromisso de fazer algo pelo evento. E a equipe? Existiu uma equipe? Ou as pessoas que já se conheciam ajeitaram-se no que elas sabem fazer bem? (O que é bom, na verdade estamos numa rede que já faz algum tempo). Mas correndo o risco de falar merda, nos acomodamos nas estrutura capenga que não nos dizia o que fazer, com quem fazer e como fazer. Decepcionado pela ausência do celular fantástico (ou seria esta uma desculpa?) nos permitimos executar o simples e o óbvio ao invés de ver e conhecer uns aos outros dentro desta escala cósmica que foi o Campus Party. Continuo vendo os vídeos do Augusto na minha banda humilde, ao invés de ter visto os vídeos dele ao seu lado. Continuo sem ver os vídeos que a Rosangêla produziu no ponto; Continuo olhando para a Via Láctea sem perceber as estrelas pequenas que me cercam. E no fundo a nossa equipe foi assim. Claro que ouve momentos de trocas! Claro que vi o Daniel mais o Emanuel trabalhando muito! Foi a primeira vez que o Emanuel vem para São Paulo, isso já vale! Mas e a nossa equipe? Nossa equipe tinha algum objetivo comum? Isso precisa melhorar nos próximos encontros, não precisamos de uma programação, mas de um interesse comum, nem que seja como um exercício. Um exercício de coletividade. Precisamos despir esta ‘camisa de futebol’ que diz numa entrevista: ‘O Jogo foi bom, o time tá bom, tivemos problemas na zaga mas o técnico é bom…estamos aí,foi legal…’ Sinto que de alguma forma, as pessoas que dialogo nesta rede, serão pessoas importantes no futuro das organizações públicas e sociais no Brasil e por isso acho que vale a pena pensar que mais importante do que o ‘Sérgio Amadeu’ ou o ‘Ronaldo Lemos’ falar o que sabe bem para quem já sabe, é o Emanuel entender, por exemplo, o papel dele frente a tudo isso e a possibilidade real dele se equipar. Ele edita vídeos com muita facilidade…mas o que poderia fazer aqui, que ele não faria em Diamantina? O Emanuel pode me dizer: “cala a boca! você não sabe o que eu aprendi aqui!” Mas um texto de avaliação corre sempre este risco”. por Tiago Gualberto, artista plástico e membro do cultura digital de coração, como ele mesmo declara.

Avaliação da nossa produção:


“Vi muitas idéias massas que quando eram passadas para a timeline não ficavam tão boas. Acho que faltou uma visão mais crítica das coisas, tanto ‘do que estávamos fazendo’, quanto do próprio evento, a Campus Party”. por Eliete Lima do Ponto de Cultura Encine em Fortaleza, Ceará
“Uma coisa leva a outra: faltou comunicação, faltou informação sobre o evento – as diversas palestras e as atividades – e isso levou a uma falta de foco na produção. Tivemos até que uma produção razoável diante das dificuldades, mas precisamos ser críticos do nosso trabalho. Em audiovisual, finalização faz toda a diferença. Uma idéia simples bem finalizada é um puta vídeo, enquanto que uma puta idéia mal finalizada é um vídeo tosco. Estamos aprendendo. Precisamos melhorar.” por Daniel Taterka da equipe do Cultura Digital, de São Paulo

“Gostei dos vídeos, entretando senti falta de uma abordagem tema ‘mobilização política pró-livre acesso e compartilhamento’. O Campus Party reuniu as várias facções da cultura de rede, e seria massa um material audiovisual bem feitinho em SL para puxar um pouco essa politização”. por Daniel Pádua, articulador do Cultura Digital na região central do Brasil

“Por conta do bicho edição, tivemos alguns percalsos, conseguindo ter uma produção razoável. Na medida do possível, fizemos muito, com qualidade e diversidade de conteúdos”. por Rosangela Rocha do Ponto de Cultura Curta-se de Aracajú, Sergipe

luciana em artigo, bastidores, equipe, evento

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