história

Apropriações Tecnológicas

capalivro Recém lançado pela editora Edufba, o livro Apropriações Tecnológicas é uma coletânea de textos que refletem debates surgidos no Submidialogia #3, ocorrido em 2007 em Lençóis – BA. O evento é um desdobramento das atividades do des).(centro, organização sem fins lucrativos da qual fazem parte muitos dos ex-articuladores da Ação Cultura Digital.

O livro reúne artigos e reflexões sobre o desenvolvimento de redes sociais brasileiras desde o impacto de programas de inclusão digital como o Gesac, o Casas Brasil e a Ação Cultura Digital do Cultura Viva, além de textos sobre as relações de gênero e o /etc-br, as interações e interatividades como meios de subversão, o meta-sub-ciber-trans e sua(s) estética(s), entre outros. O livro também conta com traduções indéditas de artigos sobre políticas e propriedade intelectual, inaugurando o viés de editora do grupo, que, em breve, lança a obra Futuros Imaginários de Richard Barbrook. Dividido em três partes, Apropriações Tecnológicas conta com a colaboração de diversas pessoas que, tanto estiveram ativas na construção de políticas públicas de uma cultura digital nacional livre e colaborativa, como também junto à diversas comunidades em intensas trocas de conhecimentos, terminando com uma reflexão profunda sobre o encontro da ativista Wanderllyne Selva. O livro é marcante no que se refere à documentação sobre a história da cultura digital tupiniquim, sendo também resultado da iniciativa da pesquisadora Karla Brunet, que o organizou.

A coletânea encontra-se disponível para download, sob a liçença GNU, aqui.

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De volta ao bom e velho escambo

Modelo de Produtoras Culturais Colaborativas, desenvolvido pelo Pontão de Cultura Digital do Recife, mostra possibilidades de intercâmbios e parcerias entre instituições culturais

Em 2006, o pernambucano Pedro Jatobá, atualmente Coordenador de Geração de Renda do Centro de Desenvolvimento de Tecnologias Livres (CDTL), Pontão de Cultura Digital do Recife, se deu conta de dois gargalos que atravancavam o fortalecimento da cultura no Brasil. O primeiro era como estimular a formação de uma identidade local e a valorização das particularidades/potencialidades de cada comunidade. O segundo se fixava nas formas de sustentabilidade dos centros culturais brasileiros, cuja grande maioria depende exclusivamente de recursos públicos.

Então, com base em uma das formas mais antigas de comércio – o escambo – surgiu o conceito das Produtoras Culturais Colaborativas, que está sendo disseminado através do Pontão de Cultura Digital. A idéia das PCC é criar uma estrutura que garanta geração de renda para a instituição cultural, ao mesmo tempo que dá suporte para os grupos culturais da comunidade se desenvolverem, conforme explica Jatobá: “A partir do momento em que a entidade organiza um cardápio das atividades que oferece, fica mais fácil para ela formalizar a cobrança de quem pode pagar, para se manter, e dedicar uma cota de serviços gratuitos para os grupos culturais da comunidade, para fortalecer as linguagens e conhecimentos ali existentes”.

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Na fronteira entre o novo e o tradicional Na fronteira entre o novo e o tradicional

Diamantina. Patrimônio Cultural da Humanidade. Bem no meio do cartão postal, na rua da Glória, emergem manifestações culturais da periferia negra da cidade. É o “Ponto de Cultura nas Trilhas da Cidadania Cultural”. “Às vezes acho que não é nem trilha é pique, porque é muito difícil abrir clareiras por aqui”, conta Márcia Betânia, gestora e uma das idealizadoras do projeto.

Zumbi e Boca concedem entrevista na alto da serraEra preciso dar espaço para as novas linguagens e novas formas de expressão que surgiam na cidade. Grupos de hip hop, capoeira, percussão, funk, grafitti, entre outros. Márcia teve a percepção de que havia redes sociais emergindo “ainda que num primeiro momento de forma desarticulada” nos diversos bairros da periferia. Os grupos foram convidados a participar da construção, manutenção e autonomia do Ponto de Cultura.

Os Pontos de Cultura, instituições responsáveis por fomentar a cultura local, foram selecionados a partir de 2004 por meio do edital público Cultura Viva do Ministério da Cultura (MinC). Há hoje mais de quinhentas instituições conveniadas, em todas as regiões do país, que recebem verbas de até 150 mil reais com o objetivo de produzir e documentar manifestações culturais populares. A expectativa, de acordo com o MinC, é que até o final do segundo mandato do governo Lula, o número de Pontos de Cultura chegue a vinte mil.

Em maio deste ano o Ponto de Cultura de Diamantina completou um ano de abertura e continuou desafiando o status quo – ou seja inovou tanto por trabalhar com a cultura negra, em uma cidade onde ela não é reconhecida, como por tentar gerar renda e autosustentabilidade para as pessoas atuantes no Ponto de Cultura ao promover oficinas e atividades pagas, com vistas a gerar renda para os participantes do espaço. (mais…)

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Encontro de Conhecimentos Livres 2006

Compilação de depoimentos sobre as questões dos direitos autorais, copyleft, cultura livre e cultura digital colhidos durante os Encontros de Conhecimentos Livres promovidos pela Ação Cultura Digital em parceria com os Pontos de Cultura e comunidades locais.


[youtube ?v=sFb1n-8LJPA&]

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Low Tech Multimídia

Baixa tecnologia criativa com cultura popular local

Por: Adriana Veloso com colaborações de Renata Aquino e Tati Wells

Software livre além do computador

O marco da entrada do software livre no Brasil deu-se com o lançamento do Conectiva Red Hat, que a partir de 1996 disponibilizou uma versão traduzida ao português brasileiro do sistema operacional Gnu/Linux. Mas foi de fato a sociedade civil que propagou o uso e construiu as relações de compartilhamento, troca e pesquisa intrínsecas ao projeto de um sistema livre e de código aberto. Ações como o Projeto Software Livre, por exemplo, que realiza desde 2000 anualmente o Fórum Internacional Software Livre (FISL) fizeram com que o Gnu/Linux se tornasse mais utilizado e difundido.

Os avanços das interfaces gráficas e dos programas multimídia também foram de suma importância para a abrangência do uso do software livre, mas principalmente sua filosofia de livre distribuição, possibilidade de modificação e customização, entre outras, atraiu muitas pessoas. E a cultura de uso desta nova ferramenta que fez com que os ideais de livre distribuição, compartilhamento e faça você mesma migrassem para outras áreas, como a produção midiática e musical.

Os Indymedias foram os primeiros websites de notícias que utilizaram a licença copyleft. No Brasil, no final de 2000, chega o Centro de Mídia Independente. Logo depois, pessoas ligadas à música, como coletivo pernambucano Re:Combo, passam a utilizar uma licença de remix. É o início da migração dos ideais do software livre para a arte e a cultura.

Com a receita da feijoada disponível para todo mundo, cada região do país reinventou sua versão, adicionou um tempero regional. O licenciamento que permite executar, estudar, aperfeiçoar e distribuir, originário da GNU General Public License (GPL), passa a ser aplicado em outras esferas que não a do software. O que ocorreu no caso do Brasil, nos últimos dez anos, é que o sistema operacional livre e sua ideologia foi encarado e utilizado como um catalisador para ações que sempre existiram no “mundo analógico”.

Libertando da cultura por meio da tecnologia

A partir da distribuição de uma documentação sobre como produzir, aliada à popularização de mídias como gravadores de Cds e DVDs, tornou-se muito mais acessível divulgar realidades regionais. Pois, em contraposição à diversidade brasileira, o monopólio das mídias trabalha em função do jabá, representando na telinha ou no rádio uma cultura muito mais estadunidense (*) que nacional. Quando muito destaca o sudeste e um nordeste rotulado em jargões comerciais.

Paralelamente, a interlocução das mídias livres trabalha mais diretamente com as pessoas, possibilitando que muitas outras vozes e opiniões sejam protagonistas. Conseqüentemente a diversidade é muito maior. Um simples exemplo sobre a produção musical brasileira: Quem é mais representativo, a Sony/BMG e seus 38 artistas nacionais contratados ou os mais de 30 mil musicistas cadastrados no Trama Virtual que disponibilizam suas músicas em licenças livres?

Neste aspecto os Encontros de Conhecimentos Livres e as Oficinas locais , promovidos desde 2005 pela Ação Cultura Digital, trabalham com a auto-estima das comunidades a partir do momento em que as coloca como protagonistas de sua própria história, oferecendo a possibilidade de auto-documentação da cultura popular local. Foram inúmeros os grupos que gravaram seu primeiro CD ou primeiro vídeo de trabalhos criados por gerações. São novas produções culturais refletindo para o mundo a diversidade nacional.

A instrumentalização tecnológica dos Pontos de Cultura, entidades selecionadas em edital pelo Ministério da Cultura para receberem uma verba com vistas a ampliarem suas ações, seja por meio do kit multimídia ou pelo aprendizado do manuseio de ferramentas livres para a produção multimídia, também fez com que estes agentes se tornassem autônomos em sua produção cultural. Já é possível trocar material entre projetos de todo país e com acesso à internet pode-se conhecer muitas outras realidades além daquelas exibidas no plim plim da Rede Globo, como no Acervo Livre, repositório de publicações abertas de material multimídia, por exemplo.

Reapropriação das ferramentas

Em se tratando da realidade brasileira não faz sentido falar em investimentos milionários em hardware (computadores, filmadoras, etc) para promover essa difusão e produção cultural descentralizada. A grande questão fica em como trabalhar com a diversidade cultural e criatividade com poucos recursos.

O diferencial da abordagem brasileira com relação às ferramentas tecnológicas, ou o hardware, é que de fato temos disponível sucata e para nós o lixo tecnológico deve ser reaproveitado. Um máquina de última geração pode até chegar à classe média alta, porém para fazer inclusão digital, entenda-se lá como for o que esta expressão indique, é preciso ter em mente que reciclar é dar acesso.

O copyleft do hardware

Justamente aí entra o Metareciclagem, proposta que serviu de base para a construção da Ação Cultura Digital. Este projeto não se trata apenas de reciclar máquinas antigas para colocar telecentros em funcionamento. Fazer Metareciclagem é principalmente pensar em como empregar a parafernalha tecnológica para projetos socialmente engajados utilizando-se de criatividade artística para isso. Lembrando que por tecnologia entende-se qualquer objeto manipulado pelo ser humano, de uma lápis a um processador dual core.

Processo de construção do Piano Metareciclado

Desmontar teclados, fazer com eles sensores e com estes fazer um piano no chão é um exemplo de Metareciclagem. Uma video wall, ou parede de telas de computador antigas, exibindo imagens é aplicar o conceito de Metareciclagem. Estes são apenas alguns exemplos de projetos executados por pessoas que trabalham com baixa tecnologia, arte e multimídia. São coisas assim que encantam as pessoas por serem quase inimagináveis no primeiro olhar, afinal, você pensaria em um piano ao ver um monte de teclados velhos e estragados? (Veja o vídeo do piano em funcionamento)

O que as pessoas que aplicam Metareciclagem em suas vidas de fato fazem é levar o conceito de código aberto ao hardware, à parafernália tecnológica. Pois ao abrir a caixa preta da tecnologia, entender como as máquinas funcionam por dentro, reproduz-se a receita do bolo, da feijoada, utilizando-a de sua própria maneira.

Esse olhar, que vislumbra possibilidades infinitas, reflete a criatividade típica das brasileiras e brasileiros. Se propomos novos usos no artesanato porque não na tecnologia? Além disso, a simples atitude de reaprovetar a baixa tecnologia é negar a obsolecência programada da indústria. Ao abrir as máquinas desmistifica-se o que é um computador, seu funcionamento e sua distância, seja ela de origem financeira ou de aprendizado.

Grupos e coletivos como o Metareciclagem, o Mídia Tática, e o Centro de Mídia Independente, atuantes direta ou indiretamente no MinC por meio da Ação Cultura Digital, misturam o low tech com o multimídia em um contexto de mudanças sócio econômicas do qual emerge os conceitos do software livre e os novos tipos de licenciamento de obras artísticas e intelectuais. Um dos resultados disso é esta publicação, outro estão disponíveis na Internet, mas de fato, tudo isso inicializou um processo colaborativo que muda a forma com que a cultura, a mídia e a tecnologia será vista pelas novas gerações.

(*) O termo estadunidense é utilizado ao invés de norte americanos pois entende-se por norte americanos também os mexicanos e canadenses.

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Genial é a Cultura Digital!

Entrevista com Lu Cachoeira, do Terreiro Cultural, gravada no Encontro de Conhecimentos Livres de Aracaju (SE), ocorrido em parceria com o Ponto de Cultura Curta-se em agosto de 2005.

[youtube 2_PY9tA-2RU]

adriana.veloso em entrevista, evento, história, Vídeo

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A Wired revela a conspiração tropical da cultura digital

Junto com o já famoso CD, nesta edição vem uma análise íncrivel da trajetória do ativismo digital nacional, e sua contenda com as forças armadas da propriedade intelectual, desde o tempo da quebra das patentes dos remédios de aids com o Serra, passando pela chegada do Creative Commons ao país, até a trombada do Sergio Amadeu com a Microsoft pela implantação do software livre no governo brasileiro.

Não deixa de destacar o convite de José Sarney a Richard Stallman para participar da semana de SL no Legislativo, ano passado em Brasília, citando também o discurso lisérgico de Gil. Foi mais ou menos quando os “Pontos de Cultura” estavam sendo gestados. Fica o registro da reação do Stallman ao discurso do ministro Gil naquele contexto (trecho do artigo da Wired):

Se o Stallman achou que seria o palestrante mais provocativo no evento, ele não contava com Gil, cuja apresentação traçou as origens do movimento open source e da cultura digital em geral ao LSD. “O que eu disse”, lembra Gil, “foi que este processo que levou ao computador pessoal, ao Silicon Valley, este extraordinário grau de cognição que surgiu da interseção da matemática e do design e das estruturas cristalográficas do quartzo tornou-se possível através das viagens de ácido.” Ele ri. “Ou talvez não somente pelas viagens mas sem nenhuma dúvida potencializada por elas”.

“E Stallman disse,’Espera aí, não foi bem assim que aconteceu’,” lembra Gil. “Ele se assustou um pouco ao pensar que eu estava associando o movimento do software livre com o movimento de legalização das drogas”.

Mas na verdade, este não era o link que Gil estava destacando. Ele sugere que o movimento de software livre e a contracultura dos anos 60 tiveram o mesmo objetivo de transformar a cultura de dentro para fora. Gil fala de forma louca, é certo, mas não é nada bobo. Tropicalização, com toda a sua conexão com antropofagia, subversão, e guitarras de rock, são para Gil, “as margens da sociedade brasileira ganhando acesso ao mundo digital. Os impulsos criativos das pessoas se apropriando das ferramentas de produção digital. A inteligência reprimida das periferias brasileiras, da classe média, ganhando acesso à ferramenta potencializadora de inteligência que é o mundo digital”.
We Pledge Allegiance with the Penguin” – Wired – November 2004

Não dá para perder. Veja também a versão em português:
We Pledge Allegiance to the Penguin
We pledge allegiance to the penguin, and the intellectual property regime for which he stands. One nation, under Linux, with free music and open source software for all. Welcome to Brazil!
Wired Issue 12.11 – November 2004

José Murilo em história

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Pontos de Cultura – Do-in antropológico via massageamento cultural

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O chefe, Ministro Gilberto Gil, juntamente com o ministro do trabalho, Berzoini, e também o Antônio Albuquerque (Gesac – Minicom), acabam de apresentar em coletiva de imprensa o resultado do processo seletivo que elegeu os projetos de inclusão digital e promoção cultural integrantes da primeira fase do projeto Pontos de CulturaCultura Viva. São 214 iniciativas (entre 800 enviadas) espalhadas por todo o país contempladas com as diferentes dimensões do projeto:

  • Repasse de recursos em dinheiro no valor de R$ 150.000,00 por ponto (período de 2 anos e meio – R$ 5.000,00 por mês);
  • Kit de Cultura Digital (equipamentos com software livre e acesso à internet, para produção e edição multimídia) Custo estimado: R$ 25.000,00;
  • Oficinas, cursos, acompanhamento, intercâmbio e instigação via os meios de difusão do Cultura Viva;
  • Xemelê – Plataforma web de distribuição – Compartilhamento das produções simbólicas e conhecimento tecnológico, gerados pela ação autônoma em rede dos pontos de
    cultura.a rede

Sou suspeito para falar do projeto, pois acompanho a galera que vem malhando em cima dos conceitos há algum tempo, mas hoje foi o dia de dar nó na garganta. Ouvir o Célio Turino (grande figura, secretário de Programas e Projetos Culturais do MinC) falar sobre o projeto lavou a alma de quem vem sofrendo com os obstáculos burocráticos e institucionais típicos quando se trata de experimentar modelos inovadores no âmbito governamental (alô Claudio Prado!). Parece que REALMENTE É POSSÍVEL!!

O ministro Berzoini (trabalho e emprego) compareceu trazendo a notícia da parceria acertada com o MinC para a implementação de cinco mil bolsas do programa Primeiro Emprego – 50 bolsas para cada Pontos de Cultura. Cada jovem contemplado receberá R$ 150,00 ao longo de seis meses ou seja, R$ 900,00 ao todo. E o Gesac do ministério das comunicações entra garantindo a infraestrutura de conexão.

Para encerrar, o ministro Gil foi breve ao descrever as “sinergias intermináveis” que podem acontecer a partir do momento que estes espaços massageados comecem a liberar a energia produtiva reprimida pelo esquecimento social, e saudou o envolvimento interministerial que já começa a acontecer desde já. Arrematou comentando que já era chegada a hora de, neste País, se “baratear o que é caro” (subsidiar tecnologia de ponta – e livre – para produção cultural na periferia), e “encarecer o que é barato” (potencializar, dar visibilidade e viabilidade à real cultura brasileira ).

…clarear caminhos, abrir clareiras, estimular, abrigar. Para fazer uma espécie de ‘do-in’ antropológico, massageando pontos vitais, mas momentaneamente desprezados ou dormecidos, do corpo cultural do país …  Será o espaço da experimentação de rumos novos. O espaço da abertura para a criatividade popular e para as novas linguagens. O espaço da disponibilidade para a aventura e a ousadia. O espaço da memória e da invenção”.
Célio Turino (Secretário de Programas e Projetos Culturais do MinC)

PS: lembrando Preto Ghoez… na última reunião neste mesmo auditório, cá estava ele… creio que esteve hoje aqui novamente.

José Murilo em história

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Concurso de Games do MinC – Exercitando narrativas emergentes

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Está no ar o link para o “Concurso de Jogos Eletrônicos Brasileiros“, iniciativa do Ministério da Cultura no sentido de reconhecer o universo dos games como campo fértil para ações culturais estratégicas, e apoiar o desenvolvimento de uma linguagem nacional para este setor que não para de se expandir.

Para nós que estamos no exercício conceitual e prático da Ecologia Digital, é uma satisfação ver um projeto de governo embutir conceitos concebidos e desenvolvidos de forma coletiva na rede, e que introduzem a Co-Laboração no DNA das interfaces. Fica como uma pequena amostra de que o chefe não está falando à toa. E quando pensamos nas possibilidades das narrativas emergentes, e nas articulações xemelentas dos “pontos de cultura“… Como diz o Dpádua – Medo!

Valeu galera: Alfredão, Cadu, Sandro, Dpádua, Uirá, Ronaldo na ponta da linha, e o resto da galera. Vou prá Piri…

José Murilo em história

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Cultura Digital e Desenvolvimento – A palavra forte do nosso ministro hacker

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Este é o “chefe”, Ministro Gilberto Gil, proferindo Aula Magna de abertura dos Programas 2004/2005 da Cidade do Conhecimento da USP com o título “Cultura Digital e Desenvolvimento“. É um texto irado e brilhante – só conferindo:

…mais interessante de tudo isso é que este movimento (software livre) surgiu na sociedade, e não nas empresas, nos partidos, nas entidades, nos modos de representação ou de organização tradicionais, o que implica uma mudança estrutural, profunda, não apenas de conteúdo, mas de forma, de processo, que se reflete no que se diz, no que se propõe, e também em como se diz, em como se propõe.

Tudo tem acontecido de forma descentralizada, fruto do trabalho coletivo de gente que tem interesses, desejos e bagagens culturais diversas, mas que decidiu trabalhar de graça, dando inclusive um novo sentido à palavra trabalho, para que mais e mais pessoas, no mundo inteiro, possam ser donas de seu destino ou ter uma vida melhor, o que significa, nos dias de hoje, inclusão digital (…)

É com otimismo e alegria que devemos saudar as iniciativas e as experiências de inclusão digital e de adoção do software livre, assim como o debate que se trava sobre os impactos da cultura digital sobre os direitos autorais, com as propostas de novas formas de licenciamento e gestão de conteúdos, a exemplo das creative commons, que abrem perspectivas inteiramente novas, diferentes, oxigenadas, para temas antes prisioneiros das várias formas de ortodoxia analógica.(…)

Atuar em cultura digital concretiza essa filosofia, que abre espaço para redefinir a forma e o conteúdo das políticas culturais, e transforma o Ministério da Cultura em ministério da liberdade, ministério da criatividade, ministério da ousadia, ministério da contemporaneidade. Ministério, enfim, da Cultura Digital e das Indústrias Criativas. (…)

Vocês certamente sabem, mas não custa destacar: existe uma comunidade, uma cultura compartilhada, de programadores e pensadores, cuja história remonta aos primeiros experimentos de minicomputadores. Os membros dessa cultura deram origem ao termo “hacker”. Hackers construíram a Internet. Hackers idealizaram e fazem a World Wide Web. E amentalidade hacker não é confinada a esta cultura do hacker-de-software. Há pessoas que aplicam a atitude hacker em outras coisas, como eletrônica, música e nas ciências humanas. Na verdade, pode-se encontrá-la nos níveis mais altos de qualquer ciência ou arte.(…)

Eu, Gilberto Gil, cidadão brasileiro e cidadão do mundo, Ministro da Cultura do Brasil, trabalho na música, no ministério e em todas as dimensões de minha existência, sob a inspiração da ética hacker, e preocupado com as questões que o meu mundo e o meu tempo me colocam, como a questão da inclusão digital, a questão do software livre e a questão da regulação e do desenvolvimento da produção e da difusão de conteúdos audiovisuais, por qualquer meio, para qualquer fim.

A manifestação do ministro é também uma resposta às inúmeras críticas ao projeto da Ancinav, que se misturaram a uma matéria “no mínimo engraçada” no Estadão – “Governo quer controlar conteúdo da internet“:

Ontem, por exemplo, um grande jornal de São Paulo estampou em chamada de primeira página: o Ministério da Cultura quer controlar a Internet. Ora… Isso ofende a minha inteligência, a minha história, a minha sensibilidade. E a inteligência dos próprios leitores.

Valeu chefe! Os cães vão latir, mas a caravana vai passar.

José Murilo em artigo, história

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