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Tráfico negreiro



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Por Tâmis Parron

Um conjunto de recordes desagradáveis associa o Brasil à escravidão. Fomos o país que se envolveu por mais tempo no tráfico negreiro (do século XVI ao XIX), a região que recebeu a maior parte dos africanos escravizados (quase 40% do total), a última nação da América a abolir o cativeiro (1888). Todos esses dados, porém, relembrados em jornais, revistas e livros, trazem o risco de figurar a instituição do cativeiro negro como um fenômeno natural, uma espécie de destino manifesto à brasileira.

Como a história acaba onde começa a natureza, essa imagem omite o enorme esforço da sociedade e do Estado para preservar ou atacar, politicamente, suas instituições de trabalho forçado. O presente conjunto de documentos intitulado “Tráfico negreiro”, ao lado dos futuros “Escravidão” e “Abolição”, visa a pôr em cena justamente essa dimensão política de nosso passado. São dezenas de panfletos sobre o assunto publicados entre as décadas de 1790 e de 1880.

Nesse período, particularmente até a Guerra Civil norte-americana (1861-1865), a escravidão negra passou por todos os extremos suscitados pelas revoluções liberais e pela formação do mercado mundial capitalista. Sofreu a primeira revolução em massa bem-sucedida da história (São Domingos, atual Haiti, 1791-1794), atingiu o maior número absoluto de indivíduos escravizados na América (cerca de 6 milhões) e auferiu quantidade inédita de capital em artigos como café, açúcar e algodão. Ao mesmo tempo, foi abolida ou paulatinamente desmantelada em todos os enclaves do Novo Mundo, à exceção das colônias espanholas de Cuba e Porto Rico, do Sul dos Estados Unidos e do Império do Brasil. Nesse contexto paradoxal de conturbação política e de estímulo econômico, acabou se tornando objeto de debate entre proprietários, letrados e estadistas do mundo inteiro. No Brasil, em especial, a polêmica se concentrou, primeiro, em torno do tráfico negreiro, extinto apenas em 1850.

Tâmis Parron é mestre em História Social pela Universidade de São Paulo.

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