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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Convenção sobre a proteção e a promoção da diversidade das expressões culturais

“Cada um deve poder se apropriar de ’sua’ proteção da diversidade”

Entrevista com Nicolas Bailly, fundador de touscoprod.com, uma sociedade que permite aos internautas co-produzir filmes cujo financiamento não está fechado. Entrevista realizada por Lucia Iglesias Kuntz, do Escritório de informação ao público da UNESCO, e disponível no site da Unesco.

Você pode nos explicar como funciona o seu site e qual é o seu objetivo?

touscoprod é um site internet que propõe aos internautas assumir partes de co-produção a partir de 10 euros por filme, quer sejam longas metragem, curtas metragens, filmes de animação ou documentários.
Para isto, basta selecionar um projeto no catálogo que apresenta cada filme com um resumo da história, uma ficha técnica, o elenco e vídeos dos autores, realizadores, atores e produtores (argumento e justificativa, entrevistas).

Com um simples clic é possível pagar on line e tornar-se, assim, “co-produtor” de um filme. O co-produtor tem acesso, assim a um conjunto de serviços e vai receber uma parte dos lucros ligados à exploração do filme. Esses serviços são elaborados em função do estado de adiantamento de cada projeto: isso vai do fórum privado, à discussão on line com a equipe do filme, passando por uma prioridade dada para fazer figuração ou convites para participar das filmagens ou da pré-estréia. Com a quantia reunida pelos internautas, touscoprod negocia direitos de lucro com o produtor do filme. Se for o caso, a sociedade versa 80% dos direitos recebidos aos co-produtores.

O objetivo buscado por nossa associação é reunir fundos complementares para filmes cujo financiamento não está concluído. Trata-se, também, de formar comunidades que assegurem a promoção do filme graças ao boca a boca.

Quais são os projetos susceptíveis de chamar a atenção de vocês?

Para colocarmos um projeto no site, primeiro ele deve ser representado por um produtor associado. touscoprod só trabalha em co-produção. Em seguida, um comitê seleciona os projetos baseado no roteiro, no orçamento e no plano de financiamento, para se assegurar da sua viabilidade. Não agimos em função de uma linha editorial precisa, mas queremos propor filmes de qualidade cuja realização ou distribuição seria incerta sem o apoio de uma comunidade de internautas.

O site está no ar desde janeiro de 2009, existem projetos já realizados ou a ponto de serem lançados?

Com apenas dois meses de existência, propusemos uns quinze filmes – dentre os quais um longa metragem – que já reuniram quase 30% dos 62.500 euros necessários, graças a cerca de 400 co-produtores. Esses números são muito encorajadores, ainda mais que além de citações na imprensa, ainda não lançamos ações de comunicação para divulgar o site.

Estamos negociando atualmente a postagem no site de uma dezena de projetos suplementares (longas metragens e documentários franceses e europeus). Nosso primeiro filme deve estrear no circuito comercial em setembro de 2009.

Não é meio idealista querer concorrer com as grandes companhias americanas com um site Internet?

Longe de nós a ideia de fazer concorrência às grandes empresas de Hollywood ou de outro lugar. É preciso lembrar que com essas grandes produções, essa indústria financia diretamente e indiretamente o cinema independente. touscoprod quer justamente apoiar essas produções independentes por meio da constituição de comunidades que contribuem com financiamentos complementares e asseguram a promoção de filmes que dispõem de um baixo orçamento de marketing.

A ideia de touscoprod é criar uma ligação entre o público e a 7ª arte antes da estreia dos filmes. Afinal de contas, é o público quem financia os filmes, então porque ele não teria algo a dizer sobre a criação?

O que você acha da Convenção da UNESCO para a proteção da diversidade cultural?

A convenção da UNESCO é muito ambiciosa. Esse tipo de trabalho deve, evidentemente, se concretizar em suas ações. O confronto entre as realidades econômicas e as culturas deve ser o motor de criatividade. É claro que as novas tecnologias terão um papel cada vez mais importante nas ações da UNESCO para a proteção da diversidade cultural, com a condição de respeitar as especificidades locais de cada projeto ou cultura, sem procurar fazê-los entrar numa forma universal, e de envolver o público para além do aspecto financeiro. Cada um deve poder se apropriar da “sua” proteção da diversidade.

Tradução: Giselle Dupin/SID-MinC


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