sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Indígenas realizam Cerimônias Religiosas no encerramento do Encontro dos Povos Guarani

GUARANI-283Durante os quatro dias do Encontro dos Povos Guarani da América do Sul, os cerca de 800 indígenas que participaram do evento realizaram, diariamente, cerimônias religiosas. No último dia do Encontro, 05 de fevereiro, o período noturno foi marcado por manifestações religiosas livres dos grupos das aldeias do Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina.

“O povo Guarani reza. Se você virar para o lado, eles estão rezando”, afirma o antropólogo Rubem Almeida, coordenador técnico do Encontro e pesquisador da cultura Guarani há vários anos. Segundo ele, a espiritualidade faz parte da história dos guarani. “Eles acreditam que, por meio da ajuda dos deuses garantirão uma boa caça, pesca e um plantio produtivo, além da tranquilidade do seu povo”, explica o antropólogo.

Os rituais, que estão na maioria das vezes ligados aos cantos e danças dos guarani,  são conduzidos pelos Ñanderu, os líderes e orientadores religiosos.  Adélio Rodrigues, líder espiritual do Mato Grosso do Sul, explica que a religiosidade dos Guarani começa cedo, já na formação das crianças.

“Para nós é como aprender a falar. A criança vê dentro de casa, na comunidade, e na Casa de Reza, as manifestações religiosas e vai aprendendo o significado de cada reza dança ou pintura”, conta Rodrigues.

GUARANI-281Segundo ele, os instrumentos sempre se fazem presentes durante a realização das cerimônias. As mulheres utilizam o Takuapu, um instrumento que produz um som grave e seco ao ser golpeado no solo, e os homens o Mbaraka’, uma espécie de maraca.

Estes instrumentos são usados, entre outros rituais, em cerimônias de boas vindas que acontecem quando os Guarani recebem membros de outras comunidades ou personalidades importantes. No último dia do evento, os ministros da Cultura do Brasil, Juca Ferreira, e do Paraguai, Tício Escobar, foram recebidos pelos indígenas, ao som desses instrumentos.

“Nesta cerimônia cada pessoa da aldeia tem a sua função. Há o responsável por receber o convidado, os apoiadores do canto – yvyraija - e o Ñanderu – rezador – que comanda e é o responsável por apresentar os que chegam”, descreve o líder espiritual. Ainda de acordo com ele as orações são destinadas a personagens divinos como o Jakaira, responsável pela plantação. “Há também rezas que falam da alegria como o Guaxire e o Guahu”, explica Rodrigues.

(Comunicação-SID/MinC)


Leave a Comment