sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Categoria » Os Guarani

Os Guarani

Há, no território brasileiro, cerca de 46.000 índios Guarani, segundo a Comissão Nacional de Terras Guarani. Estão presentes nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Pará. Na América do Sul, encontram-se também no Uruguai, Argentina, Paraguai e Bolívia.

A língua Guarani, da família lingüística Tupi-Guarani, divide-se em dialetos que caracterizam os diferentes grupos que compõem a etnia Guarani, sendo eles, no Brasil: mbya, kaiowa e nhandéva. As diferenças entre os dialetos estão, entre outras coisas, na ênfase, na pronúncia e no significado de diversas palavras. Também são falantes do português, principalmente para a comunicação com os não-índios. “Nas aldeias a língua falada é o guarani. Muitas pessoas falam também o português, mas os mais velhos e as mulheres preferem não falar em português”.

O atraso no reconhecimento do território guarani obtido com as demarcações ainda é um grave problema. “Nossas aldeias há muitos anos vêm sofrendo devido à situação de instabilidade e falta de terras para viver e plantar. Guarani é o povo mais excluído do processo demarcatório de Terras Indígenas pelo governo nacional. No Sul e Sudeste do Brasil, a maior parte das aldeias Guarani é insuficiente e não está demarcada, o que gera insegurança, conflitos de terra com a sociedade envolvente, expulsões etc. Isso prejudica o modo de viver na cultura Guarani e é um grande problema ara todas as nossas aldeias”.

Os grupos Guarani estão, de maneira geral, assim distribuídos pelo território nacional:

Os Mbya ocupam as regiões Sul e Sudeste; os Kaiowa concentram-se, em sua maioria, no estado de Mato Grosso do Sul; os Nhandéva convivem tanto com os Kaiowa quanto com os Mbya, com aldeias em toda a porção centro-sul do país. Além disso, ocupam regiões da Argentina, Paraguai e Bolívia.

(Fonte: Publicação Prêmio Culturas Indígenas – Edição Xicão Xukuru – 2008)


2 comentários

Guarani Mbya

O território Mbya, no Brasil, compreende os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, tendo presença também no estado do Pará.

Dada a extensão do território, os Mbya se relacionam com uma multiplicidade de características ambientais. Essa diversidade se dá, principalmente, pela historia das transformações das áreas onde vivem. As cidades foram surgindo e se ampliando, e com elas uma enorme população não-indígena. Estradas foram construídas sobre as rotas de circulação dos Mbya, ou cortando suas áreas. Fazendas os expulsaram de suas ocupações originais, substituindo as áreas de floresta por extensas plantações ou por pasto para gado. E surgiram empreendimentos de grande porte, como as barragens de hidrelétricas. Por isso, muitas das terras tradicionalmente ocupadas pelos Mbya (e pelos Guarani em geral) sofrem pressões contrarias à demarcação.

Mas, em meio a essa diversidade, a Mata Atlântica (do litoral ao interior do continente) se coloca como elemento ambiental comum, uma vez que a ocupação desse bioma – e também do Pampa – tem suas raízes em períodos muito anteriores à chegada dos portugueses e espanhóis. Os Mbya se relacionam com seu meio-ambiente não apenas porque retiram dele parte de seu sustento, por meio de caça, pesca, coleta e plantio (onde são possíveis), mas também porque em sua religiosidade e mitologia há a presença marcante de animais e plantas da Mata Atlântica. E, ainda desejando a preservação desse ambiente rico de vida natural, os Mbya se relacionam com os não-índios de forma amistosa, seguindo a orientação divina a despeito das adversidades, pois disso depende a existência do mundo.

(Fonte: Publicação Prêmio Culturas Indígenas – Edição Xicão Xukuru – 2008)


Faça seu comentário

Guarani Kaiowa

Os Kaiowa também se autodenominam Pai Tavyterã, cujo significado é “habitante do povo [aldeia] da verdadeira terra futura”, em sua língua, távy-yvy-ete-rã. Já o nome Kaiowa é provavelmente uma alteração do termo ka’a o gua, “os que são da mata ou da floresta”.

A partir do início do século XX os Kaiowa e os Nhandéva no atual Mato Grosso do Sul são forçados a permanecer em aldeamentos criados pelo Serviço de Proteção ao Índio, órgão indigenista anterior à Funai. Assim foi durante todo o século, sob a política de tutela e de deslocamento dos índios de suas áreas tradicionalmente ocupadas, dando lugar aos empreendimentos privados de empresas e latifundiários.

“Nesse espaço de tempo grande parte da área fora desmatada para pastagem. Por conta do desmatamento acabou uma boa parte do refúgio dos animais silvestres de caça”. Não só o entorno, mas também as próprias áreas originais dos Kaiowa e Nhandéva estão tomadas pelo agronegócio e por aglomerados urbanos.

(Fonte: Publicação Prêmio Culturas Indígenas – Edição Xicão Xukuru – 2008)


Faça seu comentário

Guarani Nhandeva / Tupi Guarani / Chiripá

A denominação Nhandeva (Ñandewa, Ñandeva) refere-se a um conjunto de subgrupos de falantes da língua Guarani, como os Tañigua e os Apapokuva. Suas características socioculturais e lingüísticas possuem elementos que os difere tanto dos Mbya quanto dos Kaiowa. Os Nhandeva também são conhecidos como Chiripá (Xiripá, Txiripá), numa referência a um tipo de vestimenta que era usada na região do Paraguai, e que hoje não existe mais.

No litoral da região Sudeste, no entanto, é comum encontrar a autodenominação Tupi Guarani, cujos membros reivindicam o parentesco não apenas com os Guarani, mas também com os antigos Tupi da costa.

Por conta da diversidade de elementos constituintes do grupo Nhandéva, sua presença é efetivamente extensa em todo o território Guarani. E, junto com os Mbya e os Kaiowa, sofrem com a falta de terras demarcadas ou demarcadas em tamanho suficiente para a sua reprodução física e cultural.

Dentre os elementos de sua cultura, a língua é a que mais preocupa os Nhandéva, recebendo do grupo uma atenção especial nos últimos anos. Diversos têm sido os projetos e programas visando à manutenção do uso da língua, principalmente entre os mais jovens das aldeias.

(Fonte: Publicação Prêmio Culturas Indígenas – Edição Xicão Xukuru – 2008)


Faça seu comentário