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terça-feira, 22 de maio de 2012

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Encontro reunirá cerca de mil indígenas da América do Sul

A comunidade indígena do Añetete, em Diamente do Oeste, receberá, em fevereiro do ano que vem, cerca de mil lideranças dos povos guarani da América do Sul. O evento está sendo organizado pelos próprios indígenas, com apoio logístico do Ministério da Cultura, do Instituto Empreender e da Prefeitura de Diamante do Oeste. Leia.
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Representantes das entidades que apoiam a iniciativa tiveram encontro com o diretor de Coordenação, Nelton Friedrich, e o superintendente de Meio Ambiente, Jair Kotz.

A comunidade indígena do Añetete, em Diamente do Oeste, receberá, em fevereiro do ano que vem, cerca de mil lideranças dos povos guarani da América do Sul. O evento está sendo organizado pelos próprios indígenas, com apoio logístico do Ministério da Cultura, do Instituto Empreender e da Prefeitura de Diamante do Oeste.

A Itaipu Binacional, que atua na região da Bacia do Paraná 3 com o projeto Sustentabilidade das Comunidades Indígenas, como parte do programa Cultivando Água Boa, também está apoiando a iniciativa. Outros parceiros do projeto são: Funai, Funasa, Governo do Paraná, Comitê Gestor de Ações Indigenistas Integradas da Grande Dourados.

Nos últimos três dias, representantes do MinC e demais apoiadores estiveram reunidos no Añetete com 15 líderes Guarani (representando o Paraguai, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e São Paulo). Nesta quarta-feira, ao final da tarde, o projeto foi apresentado ao diretor de Coordenação e Meio Ambiente da Itaipu, Nelton Friedrich, e ao superintendente de Meio Ambiente da empresa, Jair Kotz.

Segundo Rubem Almeida, coordenador técnico do evento, a ideia é que os próprios indígenas decidam tudo sobre a programação, cabendo aos apoiadores apenas garantir os meios para a realização do projeto. Nessa reunião preparatória, ficou definido o nome do encontro: Aty Guasu Ñande Reko Resakã Yvy Rupa, que em uma tradução livre significa “uma grande reunião para mostrar com transparência nosso modo de ser em nosso território”.

Em síntese, o projeto pretende apresentar a força dos povos guarani, difundir suas culturas, suas tradições e contribuir para um visão mais ampla da temática indígena no Brasil e na América do Sul, além de fortalecer a identidade étnica guarani.

Fonte: Jornal de Itaipú Eletrônico


Aty Guasu Ñande Reko Resakã Yvy Rupa

Foi realizada na última terça-feira e quarta-feira, 08 e 09 de dezembro, a 1ª Reunião da Comissão Organizadora do Encontro dos Povos Guarani da América do Sul, no Tekoha Añetete, município de Diamante D'Oeste, Paraná, com a presença do Diretor de Políticas da Diversidade e Identidade - Ricardo Lima -, e do Coordenador Geral de Promoção da Diversidade, Difusão e Intercâmbio Cultural - João Gonçalves -, da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura. Leia.

Foi realizada na última terça-feira e quarta-feira, 08 e 09 de dezembro, a 1ª Reunião da Comissão Organizadora do Encontro dos Povos Guarani da América do Sul, no Tekoha Añetete, município de Diamante D’Oeste, Paraná, com a presença do Diretor de Políticas da Diversidade e Identidade – Ricardo Lima -, e do Coordenador Geral de Promoção da Diversidade, Difusão e Intercâmbio Cultural – João Gonçalves -, da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura. Além dos técnicos da SID/MinC, fazem parte da Comissão Organizadora 15 lideranças Guarani do Brasil e do Paraguai, o antropólogo Rubem Almeida – coordenador do projeto -, representantes da Itaipu Binacional, do Ministério da Cultura do Paraguai, da Prefeitura da Diamante D’Oeste e do Instituto Empreender, responsável pela produção executiva.

comissao 01Vale ressaltar o protagonismo dos indígenas na organização geral do evento, desde a definição das temáticas das plenárias à questão de segurança e alimentação. O evento discutiu a organização e a realização do Encontro, que acontecerá entre os dias 02 e 05 de fevereiro de 2010, também no Tekoha Añetete. O encontro reunirá cerca de 800 indígenas Guarani divididos entre os Chiriguano, da Bolívia; Kaiowa, Ñandéva ou Ava-Guarani, do Brasil e do Paraguai; Ache-Guayaki, do Paraguai; e, Mbya, do Brasil, Paraguai e Argentina. As lideranças indígenas brasileiras que participarão do Encontro representam comunidades dos Estados do Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Espírito Santo.

Povos Indígenas e a Diversidade Cultural
comissao 02O objetivo do Encontro dos Povos Guarani da América do Sul é o de fomentar uma nova perspectiva cultural que fortaleça a relação entre esses povos e reduza as distâncias existente entre essas populações e os não-índios. O evento pretende, também, contribuir para a reflexão da importância dos povos Guarani para a formação da identidade cultural sulamericana.

O projeto do Encontro conta ainda com a parceria da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), da Prefeitura de Foz do Iguaçu, das Secretarias de Educação e de Cultura do Paraná e da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA). Além delas, o projeto ganhou o apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), da Organização dos Estados Americanos (OEA) e do Mercosul Cultural – Fórum dos Ministros de Cultura dos países do Mercosul.

A próxima reunião será realizada nos dias 13 e 14 de janeiro de 2010 no mesmo local.

Ações do MinC de apoio à Cultura Indígena
comissao 03O Ministério da Cultura, por meio da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural, desenvolve, desde 2005, um trabalho de fortalecimento e reconhecimento das culturas indígenas. A SID/Minc criou um Grupo de Trabalho formado por diversas entidades do movimento indígena e indigenista brasileiro que têm contribuído para a identificação e implantação de políticas públicas inovadoras para esse segmento, depositário de importantes aspectos de nossa identidade cultural.

Em 2006, foi instituído o Prêmio Culturas Indígenas. A primeira edição ocorreu neste mesmo ano e a segunda em 2007/2008. Ambas as edições resultaram na publicação de catálogos com informações sobre todas as iniciativas inscritas. Recentemente foi assinado acordo com a PETROBRAS para a realização da terceira edição deste Prêmio, referência para as ações envolvendo o tema.

Ainda em 2007, o Ministério da Cultura criou o Programa de Fomento e Valorização das Expressões Culturais e de Identidade dos Povos Indígenas, com o objetivo de identificar, valorizar e dar visibilidade às expressões culturais e de identidades protagonizadas por estes Povos.

A SID/MinC apoiou também a realização de diversos eventos, como a exposição Jogos e Brincadeiras do Povo Kalapalo, composta por 84 fotografias que revelam diversos aspectos culturais dessa etnia do Alto Xingu (MT) e o Festival Vídeo Índio Brasil, edições 2008 e 2009, idealizado pela Associação Amigos do Cine Cultura de Campo Grande/MS.

Todo esse trabalho resultou na conquista de um assento para os povos indígenas no Conselho Nacional de Política Cultural e na transformação do Grupo de Trabalho Indígena em Colegiado Setorial.

(Heli Espíndola – Comunicação/SID)


Ministro da Cultura do Paraguai fala sobre Encontro Guarani

El Encuentro de los Pueblos Guaraní de América del Sur, llamado Aty Guasu Ñande Reko Resakã Yvy Rupa, título que libremente podría ser traducido como Gran reunión sobre nuestra clara manera de ser: el asiento de la tierra, marca un punto de inflexión en la experiencia de encuentros de los pueblos guaraní entre sí y entre ellos y la sociedad nacional y los Estados.

Los guaraní resisten el asedio colonial y neocolonial preservando con celo su teko añete, su verdadera manera de ser, creer y crear. Pero esta fidelidad a la historia y a la memoria propias no significa un enclaustramiento. A lo largo de 500 años los guaraní han aprendido a convivir con las sociedades nacionales de los que posteriormente constituirían los países de la región (Argentina, Brasil, Bolivia y Paraguay), buscando el equilibrio entre sus valores culturales y las necesidades de readaptación a una historia en gran parte impuesta y en gran parte asumida. Esta convivencia supuso complicados procesos de transculturación y aculturación, negociación, reacomodo y cambio. Las luchas por la autogestión política, la subsistencia económica digna y el dominio de la tierra propia, formaron parte de uma agenda conflictiva que, aun hoy, sigue abierta a diálogos y confrontaciones que no excluyen los litigios.

Este encuentro histórico conserva tanto los momentos de reflexión y vuelta de los pueblos guaraní sobre sí mismos, como la apertura hacia un diálogo con las autoridades y una comunicación orientada a repensar políticas públicas en el ámbito de los asuntos indígenas. Para los Estados nacionales involucrados en este proyecto, tal desafío significa, por una parte, la posibilidad de considerar sus propios territorios, unidos por vínculos que los anteceden. Y, por otra, la de recibir pistas fundamentales referidas a la democratización cultural, la constitución de una esfera pública equitativa y diversa; el desarrollo de programas participativos, realizados en común entre las instituciones oficiales y las poblaciones más vulnerables y, por encima de todo, el respeto de la diferencia cultural, derecho humano fundamental que rige los valores éticos y políticos compartidos por la región.

Los guaraní tienen una larga tradición en el manejo de lo particular y lo universal. Su gran pueblo -orientado al teko porä, el bien-estar; el equilibrio comunitario, personal y ambiental- sabe regular las relaciones entre las pequeñas unidades comunales y la vocación de integrar un gran pueblo común, cuyo lenguaje compartido les permite renovar continuamente el sentido: la búsqueda del Yvy marane’ÿ constituye metáfora de la tierra prometida (de la búsqueda del sentido), pero también, conciencia de que este ideal debe partir del arraigo más concreto: la tierra como asiento del medioambiente y condición de calidad de vida, custodiada con celo. Esta doble reserva, la del sentido (la cultura) y la del hábitat, debe ser cautelada por los Estados como garantía de la continuidad no sólo de nuestros antepasados, sino del teko porä de quienes habrán de sucedernos.

Ticio Escobar

Ministro de la Secretaría Nacional de Cultura, Paraguay.


Ministro da Cultura do Paraguai fala sobre Encontro Guarani – Versão em Português

O Encontro dos Povos Guarani da América do Sul, em guarani Aty Guasu Ñande Reko Resakã Yvy Rupa, título que pode ser traduzido de forma livre como Grande Reunião sobre nossa clara maneira de ser: a base da terra, é um marco histórico na experiência de encontros entre os povos Guarani, entre esses Povos, as populações não-indígenas e  os Países.

Os Guarani resistem ao assédio colonial e neocolonial, preservando com zelo o seu teko añete, sua verdadeira maneira de ser, crer e criar. Mas, esta fidelidade à sua história e memória não significa um isolamento. Ao longo desses 500 anos, os Guarani aprenderam a conviver com as sociedades nacionais dos que posteriormente constituiriam os países da região (Brasil, Argentina, Paraguai e Bolívia), buscando o equilíbrio entre seus valores culturais e as necessidades de readaptação a uma história em grande parte imposta e em grande parte adquirida. Essa convivência passou por complicados processos de transculturação e aculturação, negociação, readaptação e mudança. As lutas pela autogestão política, a subsistência econômica digna e o domínio da própria terra integraram uma agenda conflituosa que, ainda hoje, continua aberta a diálogos e confrontos que não excluem os litígios.

Este Encontro histórico conserva tanto os momentos de reflexão e retorno dos povos Guarani sobre si mesmos, quanto a abertura para um diálogo com as autoridades e uma comunicação orientada para repensar políticas públicas no âmbito da temática indígena. Para os Estados nacionais envolvidos neste projeto, tal desafio significa, por um lado, a possibilidade de considerar seus próprios territórios unidos por vínculos que nos antecedem. E, por outro lado, a de receber pistas fundamentais referentes à democratização cultural, à institucionalização de uma esfera pública igualitária e diversa; ao desenvolvimento de programas participativos, realizados em comum entre as instituições oficiais e as populações mais vulneráveis e, acima de tudo, o respeito da diferença cultural, direito humano fundamental que rege os valores éticos e políticos compartilhados pela região.

Os Guarani têm uma longa tradição no manejo do particular e do universal. Seu grande povo – orientado pelo teko porã, o bem estar, o equilíbrio comunitário, pessoal e ambiental – sabe regular as relações entre as pequenas unidades familiares e a vocação de integrar um grande e único povo, cuja linguagem compartilhada lhes permite renovar continuamente o sentido: a busca do YvY marane’y constitui metáfora da terra prometida (da busca do sentido), mas também, consciência de que este ideal deve partir das raízes mais fortes: a terra como sede do meio ambiente e condição de qualidade de vida, guardada com zelo. Essa dupla reserva, a do sentido (a cultura) e a do habitat, deve ser custodiada pelos Estados como garantia da continuidade não só dos nossos antepassados, mas do teko porä das próximas gerações.

Ticio Escobar

Ministro da Secretaría Nacional de Cultura do Paraguai.