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Estudo mostra que EUA perdem terreno como principal hub da Internet

Os Estados Unidos estão perdendo a sua posição de hub central da Internet, segundo um novo estudo. A pesquisa realizada pelos analistas em comunicações da TeleGeography Research, com sede em Washington DC, mostra um rápido crescimento da capacidade na Internet do resto do mundo durante o ano passado, especialmente na América Latina e Ásia.

Como resultado, o papel tradicional dos EUA como policial do tráfego da Internet esta diluindo na medida em que outras partes do mundo tornam-se menos dependente dele. “O E.U. costumava ser um hub principal para muitas regiões”, disse Eric Schoonover, um analista sênior da TeleGeography. “Muita coisa ainda vem por meio de dados dos E.U.A, e um monte de conteúdo dali é servido a outros países … mas a sua importância vem declinando, embora ainda esteja longe de desaparecer.”

José Murilo em tecnologia

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Blogs debatem: “Para que serve o IGF?”

IGF - Sessão de Abertura

IGF - Sessão de Abertura

O Internet Governance Forum realizou sua 3a. edição em Hyderabad, na Índia, e o debate que segue ecoando nos blogs que se dedicaram a acompanhar o evento têm focado nas diferentes perspectivas sobre o que é o IGF, e qual sua finalidade. Ou seja, após 3 anos ainda estamos distantes de qualquer consenso sobre o significado e o alcance de um processo multi-interesse (multi-stakeholder) para governança de recursos de impacto global.

Uma troca interessante ocorreu entre Milton Mueller do IGP (Internet Governance Project), organização da sociedade civil que acompanha o debate sobre governança da Internet, e Patrik Fältström da Cisco, membro do MAG, e representante da comunidade técnica bastante ativo no contexto do IGF em Hyderabad.

Tudo começou com o ataque de Michel van Eeten (IGP) à falta de atualidade e profundidade no conteúdo da sessão principal sobre segurança. A resposta de Fältström, um dos que apresentaram na sessão, justificou o fato de não haver uma ‘perspectiva de futuro mais aprofundada’ na apresentação do tópico pelo fato do IGF ser uma reunião voltada para a ‘troca de experiências e capacitação, com o objetivo de atualizar os que não têm familiaridade com os temas abordados’. O especialista complementou dizendo que o IGF não pode pretender apresentar a densidade das conferências sobre tópicos específicos, como os encontros técnicos dos órgãos regionais de registros.
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José Murilo em Arquivo Raiz, Icann, IGF - Hiderabad, MAG

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Maturidade do IGF permite a busca de regras para a internet

Nitin Desai

Nitin Desai

Afirmando que o Fórum de Governança da Internet (IGF) chegou, em sua terceira edição a um elevado grau de maturidade e tornou-se um espaço em que aspectos difíceis sobre a administração da rede mundial de computadores podem ser tratados, o consultor especial do Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Nitin Desai,encerrou, neste sábado (07/12), o terceiro dia do IGF. O Fórum que ocorreu em Hyderabad, Índia, reuniu 1 mil e 300 participantes de 94 países.

O IGF reúne membros da sociedade civil, dos governos e do setores produtivos/comerciais, para debaterem os vários aspectos que compõem a administração da rede mundial de computadores. Para Desai, esse diálogo aberto entre os vários atores permitiu a construção de uma base de confiança que possibilita a busca de consensos e a aproximação dos diferentes pontos de vista.

O Brasil se fez presente em vários painéis ao longo do evento, como, por exemplo, a participação da Coordenadora Executiva do Núcleo de Pesquisas e Estudos e Formação da organização não-governamental RITS, Graciela Selaiman, na sessão de abertura e do diplomata e consultor de Ciência e Tecnologia da embaixada brasileira em Washington, Everton Lucero, durante o painel principal sobre recursos críticos. A assessora de comunicação do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação -ITI, Denise Direito, compós a mesa de coalizão dinâmica sobre o uso de plataformas livres, fazendo uma reflexão sobre a experiência brasileira, em especial os desafios culturais, na adoção dos padrões abertos.

O IGF, processo com cinco anos de duração, iniciado em 2006, em Atenas, é uma resposta à necessidade de se ter um mecanismo internacional e inclusivo dos vários segmentos da sociedade – governo, terceiro setor, setor produtivo – para discutir e chegar a consensos sobre as questões e regras de funcionamento para a Internet. Esse instrumento de comunicação e transação com abrangência mundial transforma-se, cotidianamente, em uma ferramenta de desenvolvimento sócio-econômico e cultural das sociedades e dos países.

As discussões do Fórum estão divididas em cinco aspectos principais. Um sobre a questão do acesso, em que os custos e as oportunidades para se usar a rede são analisados. Outro está relacionado com a diversidade, ou seja, o respeito às diferenças culturais, religiosas, econômicas de cada região. Outro foco é chegar a consensos sobre a questão da segurança na rede, em que temas como crimes cibernéticos, privacidade, identificação/anonimato são avaliados. A questão da abertura da rede, ou seja, sua capacidade de garantir a liberdade de expressão e o livre fluxo de informação, idéias e conhecimento são itens que também estão na pauta. O último aspecto e, possivelmente, um dos mais importantes, está relacionado com os recursos críticos da internet, em que os limites de algumas decisões técnicas podem ter impacto direto na sua restrição ou ampliação de opções aos usuários.

Desai analisou que o IGF avalia e discute questões do ponto de vista não apenas técnico, mas social, político e econômico. Na sua ponderação final, Desai afirmou a importância de se debater todos esses aspectos tendo o interesse e as preocupações dos usuários da rede como principal foco.

denisedireito em coalizões dinâmicas, IGF - Hiderabad

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Participação Remota Brasileira no IGF

IGF 2008: 32 horas de vigília na Cidade do Conhecimento (USP) em São Paulo.

José Murilo em IGF - Hiderabad, participação remota

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Participação do MinC na Coalizão Dinâmica de Acesso ao Conhecimento (A2K)

A2K@IGF Dynamic Coalition
A2K@IGF Dynamic Coalition

Segue abaixo o texto e slides da apresentação de José Murilo, Gerente de Cultura Digital do Ministério da Cultura, na sessão da Coalizão Dinâmica de Acesso ao Conhecimento (A2K), por ocasião da Terceira Edição do Internet Governance Forum (IGF), em Hiderabad na India. Versão em português ao final do post.

Gilberto Gil

Gilberto Gil

Brazilian Digital Culture
A case of public exercise of culture as a tool for progressive change in the global networked society

Digital Culture is a term that have emerged from the passage of Mr. Gilberto Gil as the head of the Brazilian Ministry of Culture. He used to puzzle the media by calling himself a “Hacker Minister”, in the sense of studying the government mechanisms in order to customize it according to the dynamics of the present time.

Cultural Hotspots

Cultural Hotspots

His reflections on the radical use of new possibilities brought by the Internet were soon translated into action through the Cultural Hotspots program. The idea of the program was to empower established cultural groups or initiatives with the ability to digitize their content through open source audio and video editing software, and also foster the exchange of this content among the network of hotspots. The program would also encourages the use of alternative licenses like Creative Commons and Copyleft, allowing the remix and the open collaboration on the content with the other hotspots and the whole of society.

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José Murilo em A2K, coalizões dinâmicas, IGF - Hiderabad

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Workshop: A convergência digital além da tecnologia

Falando de benefícios sócio-econômicos, oportunidades para micro & pequenas empresas (SMEs) e políticas públicas

Painel muito bem conduzido por Herbert Heitmenn, que é o chairman da Comissão da International Chamber of Commerce – ICC em E-Business, e Chefe Global de Comunicação da SAP. Foi estruturado como perguntas que eram feitas aos participantes, que demonstraram muito conhecimento e perspectivas diversas e interessantes sobre o tema.

Representando uma visão mais pública da questão esteve presente Mr. Jyrki Kasvi, membro do parlamento finlandês e vice-presidente da comissão para o futuro. O indiano N. Sivasamban da Tata Consultancy Services, apresentou uma posição mais clássica pró-mercado, e a ótima Diretora de Desenvolvimento Estratégico da LIRNEAsia (think tank regional de políticas para TICs), Helani Galpaya do Sri Lanka, demonstrou novas e interessantes perspectivas com base em sua experiência na expansão da infraestrutura de acesso à internet e celulares no sul da Ásia. O representante da comissão européia, o inglês Malcolm Harbour, não compareceu em função dos recentes atentados terroristas em Mumbai.

O tema da convergência digital, visto como a tendência à interoperabilidade transparente para os usuários independente de equipamentos (devices), tecnologias (mobile, Internet, TV, etc.) ou localização, foi o eixo condutor do debate. A interação dos panelistas nas repostas às provocações do moderador e às participações da audiência presente, todas de alto nível, formaram um cenário interessante onde o papel dos telecentros, ou ‘Internet cafes’, como geradores de oportunidades econômicas foi o principal destaque.

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José Murilo em IGF - Hiderabad, políticas públicas

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IGF Hiderabad – terceiro dia

As sessões principais do IGF na sexta-feira, 5/12, dedicaram-se aos temas de recursos críticos da Internet, em particular alocação de endereços IP e arranjos para a governança da Internet nos níveis nacional, regional e global.

Participei do painel sobre arranjos para a governança, no qual apresentei a visão do governo brasileiro sobre o tema. Abaixo, está a transcrição (em inglês) da minha apresentação (transcrição completa da sessão está disponível em http://www.intgovforum.org/cms/hyderabad_prog/AfIGGN.html ). Ao final, está a transcrição do trecho dos debates, à tarde, em que o Brasil foi criticado por não ter liberdade de imprensa, e a resposta que apresentei.

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>>EMILY TAYLOR:   Thank you very much, Haiyan, for that very clear summary. I’m going to move on through the speakers on the panel, and then we’re going to go to the audience for some initial questions, and I’ll come back to the panel for their closing remarks. Our next speaker is Everton Lucero of the Brazilian Ministry of Foreign Affairs.  A career diplomat, Everton is the Brazilian government representative on ICANN’s Governmental Advisory Committee and is also closely involved in the IGF.  Everton is currently based in Washington, D.C.

>>EVERTON LUCERO:   Thank you, Emily.  Good morning, everyone.  Thank you for being here. As the subject of this panel is arrangements for Internet governance at national, regional, and global levels, I will start by giving some examples and comments.

At the national level, there has been a very recent initiative in my own country, Brazil, to fight online child pornography. Google, lawmakers, law enforcement agents, and nongovernmental organizations, signed an agreement that was entitled “a term of adjustment of conduct.”  It was a great achievement in the end of a nationwide debate and an example of a national arrangement that brought together all stakeholders to solve a problem of great concern to our nation. It will certainly help law enforcement within Brazilian jurisdiction.  But there remains the need of an enhanced cooperation at a global scale to target criminals acting from outside the Brazilian borders and jurisdiction.

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everton em IGF - Hiderabad

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Só 15% das redes estão prontas para o IPV-6

Por Cristina de Luca, em Curto Circuito / Convergência Digital

A lenta transição do IPV-4 para o IPV-6 foi uma das grandes preocupações externadas por participantes do painel que discutiu o assunto no IGF 2008, que acontece até amanhã na cidade de Hyderabad, na Índia.

O IPv4, com os seus quatro mil milhões de endereços, foi introduzido em 1981, e IPv6, com 16 bilhões de bilhões possíveis endereços, foi introduzido em 1999. Enquanto o IPV-4 caminha velozmente para o seu esgotamento, apenas 15% das redes, em todo o mundo, estão preparadas para adotarem o IPV-6, que além de aumentar o número de endereços provê recursos capazes de tornar a Internet mais segura.

E apesar de muitos defenderem a determinação de um prazo para que essa transição ocorra por completo, a posição oficial do IGF 2008 acabou sendo pela adoção de mecanismos de sensibilização de governos e empresas para que a promovam a adoção do IPV-6 o mais rápido possível.

A falta de interesse dos usuários pela adoção do IPV-6 e os muitos obstáculos e problemas enfrentados pelas operadoras de rede para iniciar o uso do protocolo, continuam sendo os maiores entraves à transição.

A criação de padrões para harmonizar a coexistência dos protocolos, de modo a evitar problemas como indesejáveis interrupções de serviço e eventuais danos causados às aplicações distribuídas, ajudaria muito, na opinião de Tulika Pandey, diretor do Departamento de Tecnologia da Informação da Índia, um dos países que já trabalham na transição.

Há quem acredite que essa coexistência se estenderá por muitos anos. “Talvez por toda as nossas vidas”, ressaltou Kurtis Lindqvist, diretor administrativo da francesa Autonomica, que já conta com 250 mil assinantes que optaram pelo uso do novo protocolo.

Nesse sentido, o Internet Engineering Task Force vem trabalhando duro no desenvolvimento de mecanismos de tradução padrão entre os dois protocolos. Eles serão fundamentais, tanto para as operadoras, como para os fabricantes de equipamentos, representados no painel do IGF por Jonne Soininen, da Nokia Siemens. Boa parte dos novos produtos da companhia já suportam os dois protocolos.

“Mas, claro, há ainda um longo caminho a percorrer”, reconheceu Soininen.

José Murilo em Arquivo Raiz, IGF - Hiderabad, seguranca

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IGF Hiderabad – segundo dia

Não é possível acompanhar tudo o que se passa no IGF. No mesmo horário, há seis, às vezes sete eventos paralelos à sessão principal. Nesta, o segundo dia foi dedicado ao tema de cibersegurança, privacidade e abertura. Pela manhã, dois painéis apresentaram as várias dimensões do tema e tentaram iniciar um debate sobre qual o ponto de equilíbrio ideal entre privacidade e segurança, entre anonimato para fins de garantir os direitos fundamentais do internauta e anonimato para impunidade. Parece não haver resposta única a essas questões.

Brasileiros tiveram participação expressiva na sessão principal. O Senador Magno Malta fez pronunciamento em que apontou o papel dos parlamentos nacionais em lograr que grandes empresas da Internet, como  a Google, sejam enquadradas e aceitem cumprir a Lei e as exigências do país em que operam. Citou o recente termo de ajustamento de conduta firmado na CPI da pedofilia do Senado Federal, entre a Google, o Ministério Público e a Safernet, destinado a combater crimes de abuso sexual de crianças e pornografia infantil. Propôs articulação dos países em desenvolvimento para elaborar regras internacionais efetivas de combate à pedofilia.

O Procurador Federal Sérgio Suiama apresentou argumentos em favor da necessidade de cooperação das empresas provedoras de serviços de redes sociais, como o Orkut, com as autoridades judiciárias dos países em que atuam, e não somente dos países em que seus servidores estão localizados.

O debate sobre combate à pedofilia e ao abuso sexual de crianças pela Internet teve boa ressonância entre os participantes. Eu mesmo, convidado a ser co-moderador dos debates, sugeri que esse tema fosse escolhido como um caso concreto no qual uma ação internacional coordenada é necessária e urgente.

Há no entanto diversas percepções sobre o que significa cibercriminalidade. Parece haver a necessidade de maior elaboração conceitual no tema. Muitos tentam priorizar o combate às fraudes bancárias ou à integridade da própria rede, e nisso parecem esquecer que, antes da rede, são as pessoas que merecem atenção, em particular os grupos mais vulneráveis, como crianças, mulheres e minorias.

Além disso, um impedimento essencial para que algo de concreto aconteça nessa área é a inabilidade do IGF de chegar a conclusões. Muito se discute, mas pouco se avança, e isso vale para todos os temas. O próprio modelo e a estrutura do IGF parece ter a intenção de evitar que se evolua para medidas concretas. Desde antes do I IGF, o Brasil vem-se posicionando contrariamente a essa noção, mas há fortes resistências por parte de grupos de interesse que temem ver mercados e negócios afetados por eventuais novas regras internacionais.

Enfim, parece haver ainda um longo caminho a percorrer. O IGF, desde o início, em Atenas, está imerso numa crise de confiança. Diversos atores com distintos interesses não atingiram ainda a maturidade suficiente para entender os pontos de vista alheios e compreender que o trabalho conjunto é necessário. Mais que necessário, é urgente, se quisermos manter a Internet livre, aberta, global e segura por muito tempo.

everton em IGF - Hiderabad, seguranca

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IGF em Hiderabad – primeiro dia

O 3. IGF iniciou oficialmente nesta quarta-feira. Um resumo das atividades (em inglês) pode ser acessado aqui (arquivo em pdf). Entre os oradores da sessão de abertura, esteve a brasileira Graciela Selaimen, do NUPEF. Brasileiros participaram também de painel sobre estratégias para prevenir e combater a pornografia infantil e o abuso sexual de crianças no mundo em desenvolvimento. O painel foi moderado por Demi Getschko, membro do Comitê-Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) e integrado pelos Senadores Magno Malta e Virgínio de Carvalho, pelos Procuradores Federais Sérgio Suyama e Adriana Scordamaglia, pelo Delegado da Polícia Federal Carlos Sobral, por Tiago Tavares, da Safernet, e por representante da Google/India e da ECPAT Internacional.

everton em IGF - Hiderabad

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