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Só 15% das redes estão prontas para o IPV-6

Por Cristina de Luca, em Curto Circuito / Convergência Digital

A lenta transição do IPV-4 para o IPV-6 foi uma das grandes preocupações externadas por participantes do painel que discutiu o assunto no IGF 2008, que acontece até amanhã na cidade de Hyderabad, na Índia.

O IPv4, com os seus quatro mil milhões de endereços, foi introduzido em 1981, e IPv6, com 16 bilhões de bilhões possíveis endereços, foi introduzido em 1999. Enquanto o IPV-4 caminha velozmente para o seu esgotamento, apenas 15% das redes, em todo o mundo, estão preparadas para adotarem o IPV-6, que além de aumentar o número de endereços provê recursos capazes de tornar a Internet mais segura.

E apesar de muitos defenderem a determinação de um prazo para que essa transição ocorra por completo, a posição oficial do IGF 2008 acabou sendo pela adoção de mecanismos de sensibilização de governos e empresas para que a promovam a adoção do IPV-6 o mais rápido possível.

A falta de interesse dos usuários pela adoção do IPV-6 e os muitos obstáculos e problemas enfrentados pelas operadoras de rede para iniciar o uso do protocolo, continuam sendo os maiores entraves à transição.

A criação de padrões para harmonizar a coexistência dos protocolos, de modo a evitar problemas como indesejáveis interrupções de serviço e eventuais danos causados às aplicações distribuídas, ajudaria muito, na opinião de Tulika Pandey, diretor do Departamento de Tecnologia da Informação da Índia, um dos países que já trabalham na transição.

Há quem acredite que essa coexistência se estenderá por muitos anos. “Talvez por toda as nossas vidas”, ressaltou Kurtis Lindqvist, diretor administrativo da francesa Autonomica, que já conta com 250 mil assinantes que optaram pelo uso do novo protocolo.

Nesse sentido, o Internet Engineering Task Force vem trabalhando duro no desenvolvimento de mecanismos de tradução padrão entre os dois protocolos. Eles serão fundamentais, tanto para as operadoras, como para os fabricantes de equipamentos, representados no painel do IGF por Jonne Soininen, da Nokia Siemens. Boa parte dos novos produtos da companhia já suportam os dois protocolos.

“Mas, claro, há ainda um longo caminho a percorrer”, reconheceu Soininen.

José Murilo em Arquivo Raiz, IGF - Hiderabad, seguranca

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IGF Hiderabad – segundo dia

Não é possível acompanhar tudo o que se passa no IGF. No mesmo horário, há seis, às vezes sete eventos paralelos à sessão principal. Nesta, o segundo dia foi dedicado ao tema de cibersegurança, privacidade e abertura. Pela manhã, dois painéis apresentaram as várias dimensões do tema e tentaram iniciar um debate sobre qual o ponto de equilíbrio ideal entre privacidade e segurança, entre anonimato para fins de garantir os direitos fundamentais do internauta e anonimato para impunidade. Parece não haver resposta única a essas questões.

Brasileiros tiveram participação expressiva na sessão principal. O Senador Magno Malta fez pronunciamento em que apontou o papel dos parlamentos nacionais em lograr que grandes empresas da Internet, como  a Google, sejam enquadradas e aceitem cumprir a Lei e as exigências do país em que operam. Citou o recente termo de ajustamento de conduta firmado na CPI da pedofilia do Senado Federal, entre a Google, o Ministério Público e a Safernet, destinado a combater crimes de abuso sexual de crianças e pornografia infantil. Propôs articulação dos países em desenvolvimento para elaborar regras internacionais efetivas de combate à pedofilia.

O Procurador Federal Sérgio Suiama apresentou argumentos em favor da necessidade de cooperação das empresas provedoras de serviços de redes sociais, como o Orkut, com as autoridades judiciárias dos países em que atuam, e não somente dos países em que seus servidores estão localizados.

O debate sobre combate à pedofilia e ao abuso sexual de crianças pela Internet teve boa ressonância entre os participantes. Eu mesmo, convidado a ser co-moderador dos debates, sugeri que esse tema fosse escolhido como um caso concreto no qual uma ação internacional coordenada é necessária e urgente.

Há no entanto diversas percepções sobre o que significa cibercriminalidade. Parece haver a necessidade de maior elaboração conceitual no tema. Muitos tentam priorizar o combate às fraudes bancárias ou à integridade da própria rede, e nisso parecem esquecer que, antes da rede, são as pessoas que merecem atenção, em particular os grupos mais vulneráveis, como crianças, mulheres e minorias.

Além disso, um impedimento essencial para que algo de concreto aconteça nessa área é a inabilidade do IGF de chegar a conclusões. Muito se discute, mas pouco se avança, e isso vale para todos os temas. O próprio modelo e a estrutura do IGF parece ter a intenção de evitar que se evolua para medidas concretas. Desde antes do I IGF, o Brasil vem-se posicionando contrariamente a essa noção, mas há fortes resistências por parte de grupos de interesse que temem ver mercados e negócios afetados por eventuais novas regras internacionais.

Enfim, parece haver ainda um longo caminho a percorrer. O IGF, desde o início, em Atenas, está imerso numa crise de confiança. Diversos atores com distintos interesses não atingiram ainda a maturidade suficiente para entender os pontos de vista alheios e compreender que o trabalho conjunto é necessário. Mais que necessário, é urgente, se quisermos manter a Internet livre, aberta, global e segura por muito tempo.

everton em IGF - Hiderabad, seguranca

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Porque o DNS está quebrado, em linguagem simples

Post original: Why the DNS is broken, in plain language
(Kim Davies, no Blog da Icann)

Na reunião da ICANN no Egito na semana passada, tive a oportunidade de tentar explicar a várias audiências não técnicas a razão pela qual o DNS (Domain Name System) é vulnerável a ataques, e porque isto é um tema importante, sem que seja necessário um diploma de ciência da computação para compreendê-lo. Aqui está o resumo. Como funciona o DNS?

O DNS pode ser considerado como um sistema questão-e-resposta. Quando você digita um endereço como “icann.org” em um navegador da web, seu computador precisa transformar isso em um endereço numérico do computador que hospeda o site. Para fazer isso, ele envia uma pergunta pela Internet para um servidor DNS “Onde está icann.org?” O servidor DNS envia de volta uma resposta, “O endereço é 192.0.2.0″.

Operação t?pica do DNS

Como você pode atacar o DNS?

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José Murilo em Icann, seguranca

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Combate à pedofilia terá destaque do Brasil no IGF 2008

A próxima edição do Internet Governance Forum (IGF), que ocorre de 3 a 6 de dezembro na cidade de Hyderabad, na Índia, conta com influência de peso do Brasil, graças aos recentes esforços relacionados ao combate à pedofilia online.

“O Brasil conseguiu um feito inédito”, diz o diretor-presidente do NIC.br, Demi Getschko, referindo-se aos acordos de colaboração entre o Ministério Público Federal, o Google e a Microsoft em investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia.

Esta é uma das iniciativas que será exemplo e dará destaque à participação do País no fórum. “O Brasil tem um bom ponto de equilíbrio. Ao mesmo tempo em que defende a inclusão digital e liberdade de expressão na web, também defende que, se houver evidências claras de violação, quem tiver informações irá colaborar com órgãos de repressão”, explica Getschko.

“Graças ao Brasil, creio que as discussões sobre crimes online terão mais peso no fórum”, opina o vice-presidente do conselho de administração do NIC.br, António Tavares.

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José Murilo em IGF - Hiderabad, seguranca

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