São Paulo
Paulistas são os que mais fazem empréstimos em bibliotecas no País
Pesquisa da FGV, encomendada pelo Ministério da Cultura, revela o perfil das Bibliotecas Públicas Municipais (BPMs) de todo o país. Mapeamento permitirá o aperfeiçoamento das políticas para o setor.
Brasília, 30 de abril de 2010 – O 1º Censo Nacional das Bibliotecas Públicas Municipais mostra que o estado ocupa a 1ª posição nacional em relação aos empréstimos de livros (702/mês). A média nacional é de 292/mês.
O estudo revela que, em 2009, 88% dos municípios paulistas possuem ao menos uma biblioteca aberta, o que corresponde a 647 bibliotecas em 569 municípios. Em 4% dos casos, as BPMs ainda estão em fase de implantação ou reabertura e em 8% estão fechadas, extintas ou nunca existiram. Considerando apenas aquelas que estão em funcionamento, são 1,62 bibliotecas por 100 mil habitantes.
O levantamento aponta que as instituições têm acervo superior a 10 mil volumes (51%). Mais da metade das bibliotecas tem computador com acesso à internet (65%), mas somente 29% oferecem este serviço para o público. Os usuários frequentam o local 1,5 vez por semana e utilizam o equipamento preferencialmente para pesquisas escolares (56%). Todas funcionam de dia de segunda a sexta (100%), algumas aos sábados (23%), poucas aos domingos (2%). No período noturno, somente 10% estão abertas aos usuários. A maioria dos dirigentes e funcionários das BPMs são mulheres (84%) e tem nível superior (64%).
Foram pesquisados todos os 5.565 municípios brasileiros. Em 4.905 municípios foram realizadas visitas in loco para a investigação sobre a existência e condições de funcionamento de BPMs, no período de setembro a novembro de 2009. Os 660 municípios restantes – identificados sem bibliotecas entre 2007 e 2008 pelo Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas e atendidos pelo Ministério da Cultura (MinC), por meio do Programa Mais Cultura, com a instalação de BPMs – foram pesquisados por contato telefônico, até janeiro deste ano.
O Censo Nacional tem por objetivo subsidiar o aperfeiçoamento de políticas públicas em todas as esferas de governo – federal, estadual e municipal – voltadas à melhoria e valorização das bibliotecas públicas brasileiras. Segundo o levantamento, em 420 municípios as BPMs foram extintas, fechadas ou nunca existiram. Deste total, 51 estavam no estado. O MinC – por meio da Fundação Biblioteca Nacional, com recursos do Programa Mais Cultura – em parceira com as prefeituras municipais, promoverá a implantação ou reinstalação dessas bibliotecas, com a distribuição de kits com acervo de dois mil livros, mobiliário e equipamentos, no valor de R$ 50 mil/cada, totalizando R$ 2,55 milhões no estado. As BPMs receberão, ainda, Telecentros Comunitários do Ministério das Comunicações.
SP é o que mais precisa de bibliotecas na região
O estado de São Paulo é o com maior quantidade de municípios, no Sudeste, que não têm bibliotecas: 51. É o segundo maior número nacional, atrás apenas do Maranhão (62). A região tem 104 municípios sem bibliotecas – atrás apenas do Nordeste (161). Segundo a pesquisa, 88% dos municípios paulistas possuem o equipamento. As cidades que não receberão kits já estão reabrindo ou implantando suas bibliotecas.
A região tem uma média de 2,12 bibliotecas por 100 mil habitantes. Em São Paulo, o índice é de 1,62. O município paulista com maior número de bibliotecas por 100 mil habitantes é Barueri (4,07) – 1º no ranking nacional. Na lista dos 10 maiores, no país, neste quesito, o estado tem outras duas cidades: São Carlos (1,81) e Jandira (1,78). O pior índice do estado é em Guarulhos (0,07).
Paulistas vão três vezes mais às bibliotecas para o lazer
Os paulistas são os que mais vão às BPMs para o lazer em todo o Sudeste: 22% dos equipamentos são usados para este fim. É quase três vezes mais que a média nacional (8%) e duas a regional (14%). Mas, assim como no restante do Brasil, o uso é maior para pesquisas escolares (56%), inferior à média nacional (65%).
Os assuntos mais pesquisados nas bibliotecas são Literatura (85%); Geografia e História (81%); e obras gerais – enciclopédias e dicionários – (74%). A resposta a esta questão era de múltipla escolha e, portanto, a soma é superior a 100%.
Frequência dos usuários é menor que a média nacional
Segundo o levantamento, a média de visita às BPMs é de 1,5 vez por semana. O índice está abaixo do nacional (1,9/semana) e do regional (1,6/semana).
SP concentra os maiores acervos das BPMs
São Paulo é a unidade da federação que tem a maior quantidade de BPMs com acervos superiores a 10 mil volumes (51%), enquanto a média brasileira é de 25%. Entre 5 mil a 10 mil volumes são 22%, entre 2 mil e 5 mil volumes são 19% e abaixo de 2 mil volumes são 8%. Na média brasileira, as bibliotecas têm acervo entre 2 mil e 5 mil (35%).
Maior média mensal de empréstimos
O estado de São Paulo lidera o ranking nacional em empréstimos de livros (702/mês), superior às médias regional (421/mês) e nacional (296/mês).
Menos de 20% das BPMs oferecem serviço para pessoas com deficiência
Apenas 15% das BPMs oferecem serviços para deficientes visuais (audiolivros, livros em Braille, etc), índice superior ao nacional (9%) e o segundo melhor do país, atrás do Paraná (26%). No caso dos serviços especializados para surdos-mudos, deficientes mentais ou físicos, o número sobe para 18%. É o mais alto do país.
BPMs que funcionam à noite são menos da metade da média nacional
À noite, apenas 10% das bibliotecas paulistas estão abertas, equivalente a menos da metade da média nacional (24%). Segundo a pesquisa, todos os estabelecimentos funcionam de dia, de segunda à sexta (100%). A pesquisa mostrou também que 23% abrem aos sábados – mais que o dobro da média brasileira (12%) – e 2% aos domingos (o dobro da nacional).
Metade dos estabelecimentos tem internet
O estado de São Paulo é o que mais tem bibliotecas com internet na região (65%), índice que é também superior à média nacional (45%). Entretanto, em apenas 29% das BPMs os usuários têm acesso à rede, igual à média brasileira.
Bibliotecas paulistas têm mais funcionários
O levantamento mostra que 84% dos dirigentes das bibliotecas são mulheres e maioria tem nível superior (64%). No Brasil são 84% mulheres e 57% com nível superior. As BPMs paulistas têm em média cinco funcionários, acima da média brasileira (4,2).
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Data: 25 de maio de 2010
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