sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

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O MinC e as Bibliotecas

JM Online-Uberba-MG, em 07/12/10
Mário Salvador

O leitor deve ter o mesmo sentimento deste colunista ao tomar conhecimento de determinadas medidas tomadas por quem tem o poder nas mãos: frustração. O que se espera de quem comanda os destinos de uma cidade, estado ou país são leis ou ordens que beneficiem o povo, seja no campo da educação, da saúde, ou da segurança.

Apesar de erros de governantes serem fragrantes, a luz no fim do túnel nunca se apaga na ótica dos eleitores e contribuintes. E a esperança de que administradores da coisa pública possam acordar e trabalhar pelo povo nunca é abandonada.

E não é que é possível ficarmos alegres com alguma medida de caráter educativo, que só trará o bem comum?! Ainda agorinha, em 2 de dezembro, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, assinou uma portaria pela qual os municípios passam a só receber recursos desse ministério se tiverem pelo menos uma biblioteca pública em pleno funcionamento.

A medida não tem caráter punitivo; o objetivo da decisão é estimular as prefeituras a manterem bibliotecas abertas à população. “O acesso a bibliotecas é essencial para garantir o desenvolvimento do Brasil”, explica Juca Ferreira.

Essa medida salutar merece aplausos. As bibliotecas devem ser administradas pela própria prefeitura. Bibliotecas de escolas ou de iniciativa filantrópica não são consideradas para essa portaria. O MinC – Ministério da Cultura – diz que há cidades que, apesar de terem recebido da União livros, mobiliário e outros materiais, não promoveram a inauguração das suas bibliotecas. E há casos em que elas foram inauguradas, funcionaram por algum tempo e foram fechadas ou funcionam em poucos dias da semana.

Em abril deste ano, o 1º Censo Nacional das Bibliotecas Públicas Municipais, em levantamento feito pela Fundação Getúlio Vargas, apontou que 420 municípios do país não tinham bibliotecas públicas em 2009. E o MinC planeja criar um canal de comentários e reclamações sobre o assunto, dentro de um portal previsto para ser lançado ainda este ano.

Monteiro Lobato, que foi recentemente vetado para uso nas escolas, foi, de certa forma, redimido. É desse escritor, que iniciou o movimento editorial brasileiro, a célebre frase: “Um país se faz com homens e livros.”

Em Uberaba, temos uma magnífica Biblioteca Pública Municipal, condignamente aparelhada pelo atual e dinâmico prefeito, em que pese ter ele deixado o competente arquiteto esquecer-se da Academia de Letras, alojada no prédio da Biblioteca desde os tempos do prefeito Randolfo Borges.

A Academia ficou sem seu espaço e ganhou uma compensação: um cantinho nos fundos do prédio. Mas o tema de hoje é Biblioteca, que funciona bem em nossa cidade. A Academia, que não funciona bem, fica para outra ocasião.

(*) membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro


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Audioteca Sal e Luz

Audioteca Sal e Luz é uma instituição filantrópica, sem fins lucrativos, que produz e empresta livros falados (audiolivros) . Mas o que seria isto? São livros que alcançam cegos e deficientes visuais, (inclusive os com dificuldade de visão pela idade avançada) de forma totalmente gratuita. Seu acervo conta com mais de 2.700 títulos que vão desde literatura em geral, passando por textos religiosos até textos e provas corrigidas voltadas para concursos públicos em geral. São emprestados sob a forma de fita K7, CD ou MP3.

Para ter acesso ao acervo, basta se associar à sede, que fica situada à Rua Primeiro de Março, 125- Centro. Rio de Janeiro/RJ. Não precisa ser morador do Rio de Janeiro.

Eles podem solicitar o livro pelo telefone, escolhendo o título pelo SITE e recebem gratuitamente pelos Correios.


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O direito à leitura – Vivaleitura! (Artigo)

Diário de Pernambuco – PE, José Castilho Marques* e Mônica Messenberg**, em 19/6/2010

O brasileiro lê em média 1,7 livros per capita/ano, se expurgarmos do índice apurado os livros didáticos de leitura obrigatória nas escolas, segundo informações da Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, de responsabilidade do Instituto Pró-Livro. Um índice baixo que pode ser atribuído a diversos fatores.

Seria injusto dizer, no entanto, que o brasileiro não lê porque não quer e são muitas as evidências desta afirmativa. Uma das principais evidências, o Prêmio Vivaleitura, iniciativa dos Ministérios da Cultura e da Educação, e que faz parte do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), completa cinco anos em 2010 sob a coordenação da OEI e o patrocínio da Fundação Santillana.

Leia aqui o artigo completo.


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Livrarias – os dois lados de uma mesma moeda (Artigo)

 O Estado de S.Paulo-SP, Vitor Tavares, em 30/03/2010

Comemoramos o crescimento médio do segmento, mas temos clareza de que ele não reflete o setor como um todo. A concentração de livrarias nos grandes centros é cada vez mais forte. Tememos que isso, nos próximos dez anos, chegue perto dos 70%.

O crescimento médio do segmento de livrarias no Brasil, em 2009, comparativamente ao ano de 2008, foi de 9,73%. No levantamento da Associação Nacional de Livrarias (ANL) de 2008, a expectativa de crescimento do setor de livrarias para o ano de 2009 era de 11,89%. Acreditamos que a queda de 2,16% tenha sido um reflexo direto da crise econômica desse período.

Leia o artigo na íntegra aqui.


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O teste da mais moderna biblioteca

O Estado de S. Paulo – SP, Edison Veiga e Lucas de Abreu Maia, em 15/03/2010 

Repórteres foram ao local como usuários comuns, verificar o que funciona (ou não) na instituição inaugurada no mês passado, no Parque da Juventude

Ambiente multicor. Decoração da biblioteca inova, com pufes, e não há ninguém fazendo “psiu” ao menor barulho feito por um visitante: título mais retirado é “Querido Diário Otário”

No primeiro mês de funcionamento, a moderna Biblioteca de São Paulo, no Parque da Juventude, em Santana, zona norte, conseguiu um de seus principais objetivos: atrair leitores. Doze mil pessoas estiveram em seu prédio no período, deleitando-se com alguns dos 30 mil livros disponíveis, utilizando um dos 80 computadores conectados à internet ou assistindo aos vários DVDs do acervo. “Muito se diz que o Brasil não tem tradição de leitores. Surpreendi-me com o número de frequentadores”, admite a diretora da instituição, Magda Montenegro.

Entretanto, nem tudo é perfeito na instituição, inaugurada com pompa pela Secretaria de Estado da Cultura sob o rótulo de “modelo”. Dois repórteres do Estado estiveram no local – sem se identificar como jornalistas – duas vezes cada um nas últimas quatro semanas e tentaram usufruir de toda a sua estrutura.

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Mindlin e a USP (Tendências/Debates) (Artigo)

Folha de S.Paulo-Sp, Jacques Marcovitch*, em 09/03/2010

A cultura brasileira está de luto com a morte de José Mindlin. Essa ausência é particularmente sentida na USP, que muito em breve abrigará o seu legado mais valioso, a coleção Brasiliana, formada por ele e sua mulher, Guita, durante a vida inteira. O prédio destinado a hospedar a biblioteca no campus da capital está em fase final de construção.

Lamenta-se não ter podido o seu generoso doador ver prontas as instalações e convertido em realidade um sonho de tantos anos.

Trata-se de obra arquitetônica em harmonia perfeita com o raro conteúdo a ser guardado. Quem a visita desde agora percebe que ela se compara -ou até supera-, em beleza e funcionalidade, com as melhores referências congêneres de universidades americanas ou europeias. É uma viva referência de parceria público-privada, reunindo a USP e grandes empresas mobilizadas pela família Mindlin.

Leia aqui o artigo na íntegra.


Empresa de Pernambuco lança e-book reader para concorrer com Apple, Sony e Amazon

O Estado de S.Paulo – SP, Naiana Oscar, em 09/03/2010

O aparelho brasileiro está sendo criado, inicialmente, para ser usado em sala de aula, com função essencialmente educacional. A ideia é que o professor use o dispositivo para agendar tarefas, aplicar testes, fazer apresentações. Para isso, todos os alunos teriam de ter o aparelho. “O Brasil é o maior consumidor de livro didático do mundo”, diz Marinho. “Hoje tem escola fazendo rodízio de livros, para o aluno não levar tanto peso nas costas. Queremos oferecer uma alternativa.”

O aparelho foi batizado de Mix Leitor D. Além de leitor, ele oferece funções como dicionário, tradutor, agenda e calendário. Pesa 400 gramas e tem de 1 GB a 4 GB de capacidade dependendo do modelo. Deve ter conexão à internet com portal que direciona o usuário para bibliotecas de domínio público. O visual lembra muito o Kindle, embora o criador não admita comparações. O preço de cada aparelho deve variar de R$ 650 a R$ 1.100.

 

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Mindlin, os livros, a educação e o futuro do Brasil

Revista Época – SP, Carta do diretor de redação Helio Gurovitz,  em 06/03/10

O BRASIL não costuma se sair bem nas avaliações internacionais de leitura e compreensão de textos. Nas comparações divulgadas periodicamente pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), sempre aparecemos entre os últimos da lista. Também não somos bem avaliados nas medidas de educação em geral. Nosso presidente confessa ler muito pouco e, em que pese o talento evidente de alguns expoentes nacionais das letras e das ciências, não é um exagero afirmar que, na média, o brasileiro é um povo de poucas luzes. É verdade que temos melhorado nos últimos anos – e essa melhora deve ser incentivada e aplaudida. Mas, quando tentamos imaginar um papel maior para o país no cenário mundial, fica difícil acreditar que chegaremos a algum lugar com um povo deseducado como o nosso.

Há muitas formas de educar alguém. Nada, porém, substitui a leitura. Ler é, antes de mais nada, um prazer. É também um modo de viajar, de conhecer gente e de ter acesso à maior quantidade de universos humanamente imagináveis. “Num mundo sem livros, seria impossível viver”, costumava dizer José Mindlin, o maior dos bibliófilos brasileiros, morto na semana passada aos 95 anos. Mindlin deixou como legado uma gigantesca biblioteca e, num ato de amor ao Brasil, doou ao público a parte de seu acervo relacionada ao país.

Ninguém imagina que um dia seremos uma nação formada por intelectuais como Mindlin. Enquanto, porém, o brasileiro médio não demonstrar amor semelhante pela leitura, pelo estudo e pelo conhecimento, seremos secundários na cena internacional. De nada adianta tentar dar lições de moral a americanos, europeus e asiáticos – como o presidente Lula e o chanceler Celso Amorim pareciam fazer na semana passada diante da secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton -, se nossas crianças nem conseguem fazer lição de casa direito. É possível – provável até – que o  Brasil atinja um dia o papel de protagonismo global com que todos sonhamos. Mas isso não acontecerá sem que nosso povo leia mais, sem que nossas escolas melhorem, sem que nelas haja alunos cada vez melhores.

Cada brasileiro pode contribuir para isso, como revela a reportagem da página 74, de autoria da repórter especial Camila Guimarães. Ela investigou nas últimas semanas os segredos que tornam alguns alunos melhores que outros. Seu texto revela, por meio de histórias reais, como é possível tirar nota alta sem ser alguém especial ou superdotado. De acordo com Camila, um misto de ambiente familiar favorável, escolas com condições, garra e dedicação pode levar uma criança a se destacar nos estudos. As crianças retratadas na reportagem de Camila são um exemplo de como o Brasil pode melhorar em poucos anos e se aproximar do país sonhado por gente como Mindlin.

 


O livro que Mindlin não comprou

Jornal do Brasil – RJ, Fernando Monteiro, em 6/03/2010

No momento em que tantos estão a escrever tantas generalidades sobre o realmente admirável José Mindlin, eu gostaria de relatar uma historinha a respeito de um livro.

Um dos mais raros livros que já passaram pela mesa do meu amigo Stefan Geyerhahn, sebista que. Não, esse nome precisa, antes de mais nada, ser trocado pelo de antiquário de livros, que melhor se adapta ao perfil de grande livreiro especialista em obras raras e antigas (título dignamente conquistado por Geyerhahn, um dos donos da Livraria Kosmos – “sebo” que ajudou a civilizar o Brasil).

Muito bem. Vamos à historinha: estava eu, numa tarde paulista, em conversa com o Stefan na sua sala da Avenida São Luís, quando lhe anunciam que um estrangeiro, um europeu, de posse de uma obra que parece realmente rara (na avaliação inicial que era feita lá no salão da livraria, antes de alguma oferta vir para o exame especializado de Geyerhahn), tinha vindo oferecer uma obra que parecia “interessante”.

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Como (não) formar leitor (Artigo)

O Globo – RJ, Zuenir Ventura, em 10/02/2010

Por que o brasileiro só lê um livro por ano, enquanto o americano e o europeu leem sete, oito vezes mais? Por que existem no país mais de 70 milhões de pessoas que não leem? Há várias respostas para explicar o fenômeno: baixo nível cultural de um povo com 21 milhões de analfabetos, poder aquisitivo insuficiente, falta de hábito, concorrência da televisão e da internet. Esta semana tomei conhecimento de outro fator, que é mais grave do que os outros, pois deveria ser instrumento de atração de leitores e é, ao contrário, de afastamento. Refiro-me ao aprendizado da leitura nas escolas de nível médio.

Um amigo, pai de um aluno do segundo ano, adolescente, mandou-me uma lista dos livros que o filho deverá ler neste semestre. Quem sabe eu não teria um ou outro para emprestar? Não vou citar a relação completa para não entediá-los. Eis alguns: “Senhora” e “Iracema”, de José de Alencar; “O cortiço”, de Aluisio de Azevedo; “Memórias de um sargento de milícias”, de Manoel Antonio de Almeida; “Recordações do escrivão Isaías Caminha”, de Lima Barreto; “Memórias póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis; “Memórias sentimentais de João Miramar”, de Oswald de Andrade (esqueci de perguntar se o curso era de memorialística).

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