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quarta-feira, 23 de maio de 2012

Categoria » Artigos

“A leitura muda a vida das pessoas”

O Diretor do Livro, Leitura e Literatura do Ministério da Cultura, Fabiano dos Santos, concedeu entrevista ao Jornal A Tribuna (SP) sobre “Retratos da Leitura no Brasil”, a maior pesquisa sobre o assunto, uma iniciativa do Instituto Pró Livro e realizado pelo Ibope Inteligência dentro de uma ação do Plano Nacional de Livro e Leitura (PNLL). O resultado, divulgado recentemente, demonstra que a mudança de status social é possível através da leitura e que os exemplos familiares e do círculo social ainda são os maiores influenciadores na formação da imagem que o leitor médio brasileiro tem do livro e da leitura como ferramenta eficiente para a mudança de vida das pessoas. Fabiano dos Santos analisa os resultados desta pesquisa e da importância da leitura na formação política e ascensão social dos cidadãos brasileiros.

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Revista ANL 38 – Veja a Entrevista do Diretor do Livro e Leitura

O Diretor do Livro, Leitura e Literatura do Ministério da Cultura, Fabiano dos Santos, concedeu entrevista para a edição número 38, deste mês de dezembro, da Revista ANL (Associação Nacional das Livrarias). Fundada em 5 de maio de 1978 a ANL busca incentivar o crescimento do mercado livreiro ao apoiar e incentivar a cultura e a leitura no país. Leia a íntegra clicando aqui: Entrevista Fabiano dos SantosCapa - Revista 38


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Núcleo familiar premia leitores e colabora no fomento ao livro

Incentivar a leitura e ampliar o público leitor é uma das iniciativas do Fundo Pró-Leitura através do acesso ao livro. E em pequenos núcleos da sociedade civil, podem-se encontrar ações fundamentais na valorização da leitura.

Leitor compulsivo desde pequeno, Manoel Rodrigues de Souza Neto, hoje com 50 anos, criou com a irmã Dalvanira e mais cinco irmãos um clube da leitura. O projeto, que teve início em março de 2009, tem suas origens lá atrás, quando ainda crianças, a mãe, Maria de Jesus Boaventura de Souza, conhecida como dona Zuíta, lia as histórias para o pai deles, seu José Otávio de Sousa, que não aprendeu a ler. Tanta história contada inspirou a família na leitura. O pai, analfabeto, adorava ouvir as histórias lidas pela esposa e incentivava os filhos presenteando-os com revistas Contigo, de moda a livros estudantis.

Os irmãos, que tinham preferências distintas de leitura, quebraram o preconceito por gêneros e começaram a trocar livros. Juntaram desde livros de etiqueta, romances a obras filosóficas mais engajadas e formaram o Clube da Leitura Bruzugu, como é conhecida a família, em Rio Branco, no Acre, onde mora. Com sede na casa dos genitores, o Clube, que iniciou com quase 80 obras e já dispõe de mais de 150 títulos como “A Cabana”, “Quando Nietsche Chorou”, livros de Glorinha Kalil, Dan Brown, realiza trocas de livros e discussões de dois em dois meses. Nos acalorados encontros, não basta ser apenas bom leitor, mas um ótimo contador de história, o que motiva ainda mais a leitura.

“Parece que caí num favo de mel”, conta Manoel Neto, que lê cada vez mais. O projeto surgiu espontaneamente na família para sensibilizar a importância de ler. “E facilitamos este acesso pela troca, onde consumimos livros a custo zero”, diz Neto. Iniciativa essa que está dentro da proposta do Fundo Pró-Leitura. Fabiano dos Santos, diretor do Plano Nacional do Livro e Leitura, explica: “O Plano estabelece as diretrizes: democratização do acesso, a questão da formação de leitores, da valorização da leitura e do fomento da economia do livro.”

A família Bruzugu, impactada com a nova geração que não encontra tempo nem prazer nas leituras por conta de imposições de obras escolares e de vestibular, estimula o hábito criando identidade pelos autores e tornando o ato de ler estimulante, através de encontros, onde saem histórias fantásticas e verdadeiros talentos descobertos. Das reuniões decorrentes, o projeto da família ampliou. Atraiu sogros, primos e tem chamado a atenção da vizinhança. Um amigo da família doou R$ 1.000,00 ao acervo, que em janeiro passará por uma contagem e reorganização. O dinheiro já tem destino: metade será para o vencedor (ainda a ser escolhido: ou para quem leu mais ou para o melhor contador) e a outra para oferecer melhor infraestrutura ao clube.


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Kindle chega num Brasil de 77 milhões de não leitores

Com a chegada do Kindle, sucesso nos Estados Unidos, através da Amazon, o Brasil e mais de 100 países podem baixar obras literárias por meio de um simples download. Foi o suficiente para preocupar alguns setores da cadeia produtiva do livro.

Mas basta olhar para a realidade brasileira em que cerca de 73% das obras estão nas mãos de apenas 16% da população e considerar que 77 milhões de brasileiros ainda são não leitores para mudar o foco das preocupações.

Diante desta realidade, é urgente que governo, editoras, distribuidoras e livreiros se mobilizem, antes de mais nada, pela inclusão de mais leitores dos livros convencionais em vez de se preocupar com a suposta ameaça embutida no Kindle. Uma engenhoca da Amazon que chega ao mercado brasileiro custando cerca de mil reais e com pouquíssimos títulos disponíveis em português.

Para ampliar a inclusão dos não leitores basta dar andamento às iniciativas da cadeia produtiva do livro e do governo em torno do Fundo Pró-Leitura, cujo projeto de lei será encaminhado pelo governo federal ao Congresso Nacional em breve. O fundo tem, por exemplo, entre seus objetivos abrir uma biblioteca em cada uma das mil cidades brasileiras sem bibliotecas.

“Com a inclusão de milhões de novos leitores, vamos reforçar nosso mercado livreiro, ampliar a experiência dos não leitores com o universo do conhecimento e da cultura”, afirma Fabiano dos Santos, diretor de Livro, Leitura e Literatura do Ministério da Cultura.

E nos preparar para transformar conhecimento em renda e, a médio prazo, encontrar pelas ruas, junto com os aparelhos celulares, os novos leitores usufruindo de seus livros através de novas engenhocas eletrônicas.


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