Seduções da leitura
A Tarde, em 28/7/2010
Não é tão grave quanto parecia, nem irreversível, a crise de leitura no universo brasileiro. Esta verificação produz uma alegria de fundo emotivo: o País passou a ler mais, está fadado a pensar e agir melhor, após um período em que a contínua expansão populacional encolhia estranhamente o acesso ao clube do livro. O descompasso era atribuído mormente a deficiências do ensino e baixo poder aquisitivo.
Levantamento da Associação Nacional de Livrarias (ANL), ontem divulgado, informa que o número de lojas cresce. Não mais do tipo papelaria, senão livrarias autênticas,em que o livro bem acabado, a criatividade do espaço e o seu conforto fazem consumidores.A Bahia está bem na pesquisa: é a primeira em número de livrarias no Nordeste, e responde pelo sexto posto nacional.
Em média, o nível de leitura por habitante faz 1,9 livro por ano. É pouco,em comparação com Argentina (5), Chile (3) e Colômbia (2,5). Mas para o pequeno e significativo avanço há de ter contribuído a oferta de livrarias modernas, misto de sala de leitura, café e ponto de encontro – um privilégio até aqui dos grandes centros. De qualquer maneira, há no Brasil 2.980 lojas de livros – 11% a mais do que em 2006.
A distribuição de livrarias não é aleatória.
A iniciativa privada busca o retorno mais curto dos capitais, e nesse caso prioriza cidades e regiões de maior densidade demográfica ,melhor padrão de renda e de educação formal. Não será à toa que o Sudeste tenha mais lojas, e que São Paulo possua o dobro do segundo colocado,o Rio de Janeiro. Muitas lojas complementamos livros com CDs, DVDs e demais atrações eletrônicas.
Mudou o perfil do consumidor,mudou a estratégia mercadológica. A essas mudanças corresponde, na primeira infância e juventude, uma fome aberta de conhecimentos, curiosidade atiçada e aventuras espirituais – forças com que se transforma o indivíduo para melhor,e se adquire consciência crítica, e se firma a aliança do progresso.
Data: 28 de julho de 2010
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