quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

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Proteção para mais de 2 mil obras raras

Estado de Minas – MG, Gustavo Werneck, em 7/6/2010

 Iphan conserva acervo de livros da Biblioteca Antônio Torres, em Diamantina, que reúne 15 mil volumes dos séculos 18 e 19

Diamantina – A Casa do Muxarabiê, bela construção colonial da Rua da Quitanda, no Centro Histórico de Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, guarda um tesouro que começa a ganhar as luzes da recuperação. No sobrado de propriedade do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), onde funciona a Biblioteca Antônio Torres, a equipe do Centro de Documentação da Superintendência de Minas Gerais do órgão federal dá início à conservação de mais de 2 mil obras raras. Nesse acervo, há enciclopédias, coleções de autoria do francês Voltaire (1694-1778), coletâneas de leis, livros do século 18 e outros que tratam da história das Gerais.

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O exemplo de Mindlin

Revista Isto é-SP , Natália Rangel, em 06/03/10
 
Ao deixar para uma instituição pública a mais importante biblioteca privada do País, o empresário mostrou que, até para ser generoso, o brasileiro tem de enfrentar o EstadoNatália Rangel

 O empresário, advogado e bibliófilo paulista José Mindlin costumava dizer que não tinha o “fetiche da propriedade” e atribuía a si mesmo e a sua esposa, Guita, falecida em 2006, o papel de “guardiões” temporários dos 40 mil livros de sua biblioteca particular. Para ele, o vasto acervo literário que reuniu ao longo de sua vida já tinha um destino certo: uma instituição pública. Mindlin morreu no domingo 28, de pneumonia, aos 95 anos, sem ver o seu maior sonho realizado: a conclusão das obras da biblioteca que leva o seu nome na Universidade de São Paulo. A demora na finalização do projeto almejado há tanto tempo se explica: o empresário, que também atuou como secretário da cultura do Estado de São Paulo, inacreditavelmente teve de brigar oito anos para conquistar o direito legal de doar os seus livros, o que ocorreu finalmente em 2006. E o que faz do simples e generoso gesto da doação uma árdua tarefa na qual se tem de superar uma infinidade de entraves burocráticos? No caso brasileiro, a culpa é de uma legislação que trata, a priori, o doador ao Estado como mal-intencionado ou fraudador em potencial. Sempre se parte do princípio de que ele vai receber even­tuais favorecimentos pessoais. Assim, dificulta-se indiscriminadamente o processo com muita burocracia e nenhum incentivo fiscal.

 Essa dificuldade inibe a criação no Brasil do hábito de transferir acervos às instituições públicas, prática tão comum, por exemplo, nos EUA, onde existe a tradição cultural de os cidadãos devolverem à sociedade parte da riqueza que foi acumulada. Lá o doador pode abater até 100% em seu Imposto de Renda. Aqui, a pessoa física não pode descontar impostos e as empresas se beneficiam somente de valores inferiores a 2% do seu lucro. O gesto de Mindlin, um empresário que administrou a Metal Leve ao longo de 46 anos, expõe um senso de ética e responsabilidade social que sempre norteou suas atividades. “Ele achava que isso iria sensibilizar as pessoas. Queria que fosse um exemplo, uma semente que motivasse outros a trilhar o mesmo caminho”, diz Kátia Mindlin Leite Barbosa, representante brasileira da casa de leilões Sotheby’s e sobrinha do empresário, sobre a determinação do tio em tornar público o seu acervo pessoal.

 Para Pedro Puntoni, professor e diretor da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, a legislação brasileira não está preparada para esse tipo de atitude. “Não existe esse costume no País. É preciso mudar tal paradigma”, diz ele, que atualmente coordena a organização do legado literário deixado por Mindlin. O acervo doado inclui uma rara coleção de manuscritos históricos e livros que revelam os primórdios da formação do Brasil. São 17 mil títulos. A biblioteca, quando concluídas as obras, ocupará um espaço de 20 mil metros quadrados na USP e reunirá ainda um laboratório voltado para o restauro do papel e do livro. Atualmente 1,1 mil volumes que pertenciam a Mindlin, também membro da Academia Brasileira de Letras, estão disponíveis na internet no endereço www.brasiliana.usp.br.

 As aventuras em que o bibliófilo se envolveu para obter exemplares raros, primeiras edições disputadas e preciosidades da literatura nacional são muitas. Certa vez, viajou a Londres, voltou ao Brasil e, na sequência, voou a Paris para conseguir arrematar a primeira edição de “O Guarani”, de José de Alencar. Adquiriu-a por US$ 4 mil. Outra raridade é uma coleção de poemas de Petrarca que contêm diversos trechos de poesia vetados pela Inquisição. A paixão de Mindlin pelos livros, que ele próprio classificava com uma “loucura mansa”, lhe deu a persistência necessária para tornar pública a sua obra mais importante: uma mudança na lei que facilitará futuras doa­ções – não existe mais imposto sobre esse tipo de transação. O curador e diretor do Museu Afro Brasil, Emanoel Araújo, que transferiu duas mil obras de arte e dois mil livros para a instituição que dirige, acredita que, se o cenário não mudar, muitos acervos constituídos com amor e paciência poderão se desmantelar. Esse foi o caso da coleção de arte concreta Adolpho Leirner, vendida ao Exterior, e do acervo Hélio Oiticica, vítima recente de um incêndio. “Algumas famílias não podem doar suas coleções e precisam vendê-las a instituições porque carecem de dinheiro. Nesse caso, deveria se criar um mecanismo de dedução do Imposto de Renda. Já quem pode doar raramente encontra uma entidade bem aparelhada para receber o acervo”, diz ele.


Governo pode zerar municípios sem biblioteca até junho de 2010

Bahia em Foco, 21/11/2009

Três em cada quatro brasileiros não frequentam bibliotecas. Para reverter este quadro, ampliar o acesso ao livro e formar novos leitores, o Ministério da Cultura aposta na construção e modernização de bibliotecas municipais. A meta, segundo o diretor do Livro, Leitura e Literatura do Ministério da Cultura, Fabiano dos Santos, é zerar, até junho de 2010, o número de municípios sem biblioteca. Desde 2004, 1,2 mil foram implantadas. Mais mil foram modernizadas nos últimos dois anos, disse.

“Um acervo desatualizado e pouco atraente não ajuda. É preciso transformar as bibliotecas em espaços culturais, fazer do cartão da biblioteca um passaporte para o universo literário, e não mantê-las como meros depósitos de livros”, afirmou Fabiano dos Santos. Leia mais…


Atitudes que dão certo

O Globo, 06/10/2009.

Instituto Oldemburg – Projeto: Em parceria com o Ministério da Cultura, implantou 121 novas salas, atingindo a marca de 673 salas de leitura implantadas de norte a sul do Brasil. O projeto permite que escolas públicas, associações de bairro, hospitais, presídios e outras entidades tenham acervos próprios abertos à comunidade local com obras nacionais e estrangeiras de diferentes áreas de interesse. Ao todo, 21 localidades serão beneficiadas com o empreendimento pioneiro que tem potencial para alcançar em torno de 6 milhões de leitores.