quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

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Entrevista com Michèle Petit, autora de ‘A arte de ler’

Em entrevista ao Globo, a antropóloga francesa, Michèle Petit, conta - dentre outras histórias de incentivo ao livro e à leitura, reunidas na publicação “A arte de ler” - como uma biblioteca na periferia de Medellín, Colômbia, se transformou em refúgio  sociocultural para jovens que viviam no fogo cruzado entre guerrilheiros das FARC e paramilitares.

(…) A arte de ler” relata experiências desenvolvidas por mediadores de leitura em “espaços em crise” — locais afetados por confrontos armados, catástrofes naturais, pobreza e migrações forçadas — em diversas regiões, mas sobretudo na América Latina (inclusive no Brasil). Nestas situações, sugere a autora, mais importante que a interpretação do texto é o encontro ao redor do livro: a leitura funciona como um catalisador para discussões em grupo sobre questões (pessoais ou coletivas) despertadas pelas obras. (…)

(Fonte: Prosa Online, Guilherme Freitas, em 20/02/2010)

Leia aqui entrevista na íntegra.


Fundo Setorial Pró-Leitura

Diário do Nordeste, por Flávio Viana, 17/09/2009.

diario do nordeste

Acesse aqui o texto online.


Fundo Setorial Pró-Leitura (Flávio Paiva)

Diário do Nordeste, em 17/09/2009.

Leia abaixo trechos do artigo do jornalista Flávio Paiva, colunista do jornal Diário do Nordeste.

A concentração nesse mercado tem priorizado a literatura de araque, aquela do romance padrão e da bobalização juvenil.  Conquistas como a do FSPL precisam ser postas em prática como prova de que o Brasil está disposto a ter voz no mundo atual.

Há cinco anos o governo federal desonerou (Lei 11.033/2004) a cadeia produtiva do livro de pagar PIS/Pasep e Cofins, reduzindo em média 9% dos tributos sobre a produção. A desoneração, que num plano mais imediato visou melhorar a competitividade do setor, tinha como objetivo maior e de longo prazo, fomentar a democratização do acesso ao livro. Em contrapartida, o mercado editorial passaria a contribuir com um fundo a ser criado em favor das ações de incentivo ao livro e à leitura.

O Ministério da Cultura (MinC) regulamentou o acordo, criando o Fundo Setorial Pró-leitura (FSPL) que, assim como o vale cultura, integrará o sistema de políticas públicas compartilhadas entre governo, mercado e sociedade civil. Editores, distribuidores e livreiros deverão contribuir com cerca de um por cento do faturamento anual para a composição do arranjo de recursos que financiará as ações do Plano Nacional do livro e da leitura.

A iniciativa é boa para todo mundo: bem administrado, o FSPL contribuirá para a divulgação do hábito de leitura, para a formação de mediadores, para o fomento à realização de eventos e programas que disseminam o livro com efeitos econômicos positivos para o próprio mercado, em todos os elos da cadeia. O raciocínio econômico aplicado a esse fundo setorial tem o mesmo viés do keynesianismo de indução de demanda, que vem irrigando a Base da Pirâmide brasileira com recursos de destinação popular, revertidos em fortalecimento do mercado interno.

Esse tipo de ação é tão relevante que, em 2006, algumas entidades mantidas pela indústria do livro criaram o Instituto Pró-livro (IPL), tendo como finalidade a promoção do livro e da leitura, do ponto de vista e dos interesses do mercado, contando inclusive com a participação de representantes oficiais. Um dos bons trabalhos desenvolvidos pelo IPL foi a pesquisa Retrato da Leitura no Brasil que comentei neste espaço (DN, 12/06/2008) e que revelou o aumento da disposição dos entrevistados de ampliar o conhecimento e a informação pela leitura.

(…) O fundo, na forma como está posto pelo MinC, é a concretização do acerto resultante do processo de isenção de encargos tributários feito em 2004 a partir de proposições do próprio mercado editorial. Trata-se de um mecanismo de valorização da leitura com impacto no desenvolvimento da economia do livro mas que vai além dos interesses do mercado. Tanto que seu Comitê Gestor será formado por cinco representantes do mercado, cinco dos órgãos de cultura e educação do governo federal, dois escritores e dois mediadores de leitura.

A contribuição compulsória para a formação do FSPL é um compromisso de editores, distribuidores e livreiros beneficiados com a desoneração e que pensam no fortalecimento do setor e não apenas isoladamente no seu negócio. Um ponto que precisa ser bem mensurado neste caso é se haverá diferenças percentuais de participação por tamanho de empresa e se o percentual de contribuição será vinculado aos custos de cada segmento. Diferenciada ou não, a contribuição compulsória é fundamental para a saúde de um setor marcado pela desigualdade competitiva.

A concentração nesse mercado tem priorizado a literatura de araque, aquela do romance padrão, do esoterismo deslavado, da auto-ajuda tacanha, da bobalização infantil e juvenil, enfim, das narrativas inspiradas em pesquisas e estatísticas de consumo, modeladas pela razão instrumental e mercantil da arte de contar histórias. Essa tendência vem causando um mal-estar cultural pelo que representa de empobrecimento da experiência estética do leitor, causado pelo enxugamento da diversidade de títulos, recintos e situações propícias à elaboração do pensamento e à diversão com sensibilidade e honestidade autoral.

As grandes editoras, sobretudo as de capital estrangeiro, estão engolindo as pequenas, adquirindo seus catálogos e congelando títulos que deixam de circular por mera deliberação de estratégias montadas à revelia dos interesses nacionais. Deveria haver uma lei que obrigasse a disponibilizar no portal da Biblioteca Nacional todos os títulos que ficassem fora de catálogo por um determinado período. O livro como produto cultural necessário, não deve ser tratado simplesmente como mercadoria e nem o leitor, na sua condição de cidadão, merece ser vitimado pelos efeitos da concentração.

(…) O Fundo Setorial Pró-Leitura em sua configuração de mesa com quatro pernas, embora as duas pernas formadas por autores e mediadores (educadores, bibliotecários e contadores de histórias) ainda sejam menores do que as pernas do governo e da iniciativa privada, expressa uma intenção de equilíbrio democrático que dificulta o desvio de recursos para o atendimento de interesses isolados de monopólios e hegemonias da indústria e do comércio tradicionais e virtuais.

Um dos valores comparativos dos povos no diálogo global é a originalidade social e cultural de cada um. E o lugar das pessoas e dos grupos sociais no mundo contemporâneo passa pelo livro e pela leitura, ora como um ato pessoal e ora como um ato coletivo. Por isso, conquistas como a do FSPL precisam ser asseguradas e postas em prática, como prova de que o Brasil e nós brasileiros estamos mesmos dispostos a ter voz na construção de um novo padrão civilizatório.

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Assinado acordo que cria Fundo Setorial Pró-leitura

Cultura e Mercado, por Carina Teixeira, 16/09/2009.

Na última sexta-feira, dia 11, entidades do livro e Governo Federal assinaram acordo que cria o Fundo Setorial Pró-Leitura. A assinatura aconteceu no Rio de Janeiro, onde ocorre a 16ª Bienal do Livro.

São entidades signatárias: Câmara Brasileira do Livro (CBL), Associação Brasileira das Editoras Universitárias (ABEU), Associação Brasileira Difusão de Livros (ABDL), Associação Brasileira dos Editores de Livros (ABRELIVROS), Associação Estadual de Livrarias do Rio de Janeiro (AEL-RJ), Associação Nacional de Livrarias (ANL), Câmara Amazonense do Livro e Leitura (CALL), Câmara Baiana do Livro, Câmara Mineira do Livro, Câmara Riograndense do Livro (CRL), Liga Brasileira de Editores (LIBRE), Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e Sindilivros Ceará.

Reunidas no Rio de Janeiro, onde ocorre a 16ª Bienal do Livro, as entidades honraram o compromisso firmado pela cadeia produtiva do livro em 2004, quando ocorreu a desoneração do PIS/Cofins para o setor. O Governo foi representado pelo diretor do Livro, Leitura e Literatura do MinC, Fabiano dos Santos.

Veja abaixo trechos do acordo:

- A contribuição dos editores, dos distribuidores e dos livreiros cujas empresas foram desoneradas do PIS/Cofins, na ordem de 0,33% cada um sobre o preço final ao consumidor em sua instância de produção ou comercialização. A contribuição será arrecadada sem nenhum nível de escalonamento, sendo iniciada com a aprovação do projeto de lei e os trâmites necessários para sua implementação. Esse percentual foi validado em Assembleia realizada na sede da Câmara Brasileira do Livro, em São Paulo.

- A composição do Comitê Gestor do Fundo Setorial Pró-Leitura terá a seguinte composição: 6 membros do Governo Federal; 6 membros do setor produtivo do livro, sendo a Câmara Brasileira do Livro, a Associação Brasileira das Editoras de Livros Escolares, o Sindicato Nacional dos Editores de Livros, a Associação Nacional de Livrarias, a Associação Brasileira de Difusão do Livro, e um sexto membro rotativo, cujo critério será definido entre as entidades estaduais do livro; 4 membros da sociedade, sendo 2 da cadeia criativa do livro e 2 da cadeia mediadora da leitura, indicados pelo Colegiado Setorial do Livro e da Leitura, submetidos aos membros do governo e do setor produtivo;

- Ao final do terceiro ano de exercício do Fundo Setorial Pró-Leitura, será realizada uma avaliação dos resultados, por meio de uma consultoria independente, contratada pelo Comitê Gestor.

As entidades do livro afirmaram ter a “convicção de que este é um passo importante para que mais brasileiro exerçam o direito à leitura e tenham acesso ao conhecimento transformador que os livros podem proporcionar”. Ressaltaram, também, que o diálogo viabilizou o consenso que tornará possível “construir um país de leitores”.

* Com informações da Câmara Brasileira do Livro