Incentivar a leitura e ampliar o público leitor é uma das iniciativas do Fundo Pró-Leitura através do acesso ao livro. E em pequenos núcleos da sociedade civil, podem-se encontrar ações fundamentais na valorização da leitura.
Leitor compulsivo desde pequeno, Manoel Rodrigues de Souza Neto, hoje com 50 anos, criou com a irmã Dalvanira e mais cinco irmãos um clube da leitura. O projeto, que teve início em março de 2009, tem suas origens lá atrás, quando ainda crianças, a mãe, Maria de Jesus Boaventura de Souza, conhecida como dona Zuíta, lia as histórias para o pai deles, seu José Otávio de Sousa, que não aprendeu a ler. Tanta história contada inspirou a família na leitura. O pai, analfabeto, adorava ouvir as histórias lidas pela esposa e incentivava os filhos presenteando-os com revistas Contigo, de moda a livros estudantis.
Os irmãos, que tinham preferências distintas de leitura, quebraram o preconceito por gêneros e começaram a trocar livros. Juntaram desde livros de etiqueta, romances a obras filosóficas mais engajadas e formaram o Clube da Leitura Bruzugu, como é conhecida a família, em Rio Branco, no Acre, onde mora. Com sede na casa dos genitores, o Clube, que iniciou com quase 80 obras e já dispõe de mais de 150 títulos como “A Cabana”, “Quando Nietsche Chorou”, livros de Glorinha Kalil, Dan Brown, realiza trocas de livros e discussões de dois em dois meses. Nos acalorados encontros, não basta ser apenas bom leitor, mas um ótimo contador de história, o que motiva ainda mais a leitura.
“Parece que caí num favo de mel”, conta Manoel Neto, que lê cada vez mais. O projeto surgiu espontaneamente na família para sensibilizar a importância de ler. “E facilitamos este acesso pela troca, onde consumimos livros a custo zero”, diz Neto. Iniciativa essa que está dentro da proposta do Fundo Pró-Leitura. Fabiano dos Santos, diretor do Plano Nacional do Livro e Leitura, explica: “O Plano estabelece as diretrizes: democratização do acesso, a questão da formação de leitores, da valorização da leitura e do fomento da economia do livro.”
A família Bruzugu, impactada com a nova geração que não encontra tempo nem prazer nas leituras por conta de imposições de obras escolares e de vestibular, estimula o hábito criando identidade pelos autores e tornando o ato de ler estimulante, através de encontros, onde saem histórias fantásticas e verdadeiros talentos descobertos. Das reuniões decorrentes, o projeto da família ampliou. Atraiu sogros, primos e tem chamado a atenção da vizinhança. Um amigo da família doou R$ 1.000,00 ao acervo, que em janeiro passará por uma contagem e reorganização. O dinheiro já tem destino: metade será para o vencedor (ainda a ser escolhido: ou para quem leu mais ou para o melhor contador) e a outra para oferecer melhor infraestrutura ao clube.
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