quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

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Fabiano Santos, diretor de Livro e Leitura do MinC, fala sobre as ações para ampliar público leitor do país

Entrevista veiculada no Programa Cidadania, TV Senado, em 08/11/2009

Acompanhe uma entrevista com Fabiano Santos, diretor do Livro e Leitura do Ministério da Cultura,  para saber quais são as ações do governo federal para  tornar o Brasil um país de leitores, e como fazer para que esse público, ao deixar a escola, continue lendo.

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(Edição: Sheila Rezende com informações do Programa Cidadania)


Setor editorial e governo divergem sobre preço do livro

Jornal O Globo, por Guilherme Freitas, 11/08/2009.

Depois de receber críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Cultura Juca Ferreira pelos altos preços do livro no Brasil, o setor editorial divulgou nesta terça-feira um relatório que aponta queda no preço médio do livro desde 2004, quando o governo federal concedeu isenção de PIS e Cofins a editoras, distribuidoras e livrarias. O relatório, realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da Universidade de São Paulo, indica queda no preço médio de todos os segmentos do mercado editorial entre 2004 e 2008: de 24,5% nos livros didáticos; 22,4% em obras gerais (que inclui ficção e não-ficção); 38% nos livros religiosos e 23,3% em livros científicos, técnicos e profissionais.

“Quem sente redução do preço quando vai à livraria?”

O Ministério da Cultura realizará um levantamento próprio, com apoio do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), para avaliar as informações do relatório encomendado pelo Sindicato Nacional dos Editores e Livreiros (Snel) e pela Câmara Brasileira do Livro (CBL). Os dois relatórios serão levados à reunião em que governo e representantes do setor editorial discutirão a criação do Fundo Pró-Leitura, prevista para 18 de agosto. Para o diretor nacional de Livro, Literatura e Leitura, Fabiano dos Santos, o estudo da Snel e da CBL precisa ser analisado:

— Quem sente essa redução do preço quando vai à livraria? O preço médio ainda é muito alto, principalmente para as classes C, D e E. Apenas 17% da população adquire livros, e precisamos pensar na população como um todo — diz Santos.

A presidente do Snel, Sonia Machado Jardim, aponta que a queda no preço médio indica que há uma oferta maior de livros baratos. Segundo Sonia, isso pode ser atribuído não a uma redução generalizada dos preços, mas ao investimento do mercado em opções mais econômicas, como os livros de bolso, as vendas porta-a-porta e os grandes saldos.

— Um determinado título pode não estar mais barato hoje do que estava em 2004, mas o leitor tem mais opções de títulos a preços menores do que antes — avalia Sonia.

Na reunião deste mês, governo e setor editorial discutirão o destino do Fundo Pró-Leitura. O projeto foi criado em 2004, como uma contrapartida à desoneração do PIS e do Cofins oferecida pelo governo: em troca, as empresas do setor editorial contribuiriam com 1% do faturamento a um fundo de promoção da leitura. O projeto até hoje não saiu do papel, o que faz com que o governo deixe de arrecadar R$ 40 milhões por ano, segundo Santos. Segundo Sonia, a Snel, a CBL e a Associação Brasileira de Editores de Livros (Abrelivros), que resistiram à criação do fundo na última reunião, em junho, trabalham em uma proposta conjunta para superar o impasse.

Crise econômica provoca queda de 10% no faturamento

O relatório divulgado nesta terça-feira mostra também que o faturamento do setor editorial cresceu no período entre 2004 e 2008 — só no último ano, o crescimento foi de 4,9%, descontada a inflação. O crescimento foi maior nos segmentos de livros religiosos e de livros científicos, técnicos e profissionais. No entanto, o levantamento não cobre o período da crise econômica, que afetou duramente o mercado editorial. Segundo estimativas do vice-presidente do Snel, Roberto Feith, o faturamento teria sofrido uma redução de cerca de 10% desde abril.

— As gráficas estão adiantando as entregas de setembro porque estão com pouco trabalho. É a primeira vez que isso acontece em muito tempo. A crise existe, mas sabemos que é passageira, e o mercado editorial está se adaptando para atravessá-la da melhor maneira possível — diz Feith.