Pesquisa promove incentivo à leitura no combate à evasão escolar
Jornal do Brasil, em 30/09/2010
Ler o mundo para ser capaz de transformar a realidade. Na opinião do educador e pedagogo Paulo Freire, estimular a sede pelo conhecimento seria a capacidade mais importante que o ensino poderia proporcionar aos alunos. Entretanto, dados da pesquisa Juventude e Políticas Sociais no Brasil, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostram que a educação no Brasil tem seguido um caminho inverso: há, no País, cerca de 1,5 milhão de analfabetos entre 15 e 29 anos; apenas 47,9% dos jovens brasileiros cursam o ensino médio e somente 13% da população do País chegam à educação superior.
Diante desse quadro, os professores Eliana Yunes e Luiz Antonio Coelho, coordenadores da Cátedra Unesco de Leitura, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), pensaram em uma forma de tornar o ensino mais interessante para os alunos, diminuindo a evasão escolar. Para isso, desenvolveram a pesquisa “Evasão escolar, desalento, marginalidade: rompendo o círculo vicioso e desagregador da juventude brasileira através da formação do professor leitor”. O estudo é apoiado pelo edital Pensa Rio – Apoio ao Estudo de Temas Relevantes e Estratégicos para o Estado do Rio de Janeiro, da FAPERJ.
Com o projeto, professores do ensino médio serão selecionados em diferentes regiões do estado e receberão incentivo e formação, presencial e a distância, para desenvolver e estimular o exercício da leitura, influenciando diretamente seus alunos.
- O objetivo desse trabalho é mudar o professor para salvar o estudante – afirma Eliana Yunes, que, junto com sua equipe, pretende proporcionar aos professores condições de se renovarem como mediadores de leitura nas salas de aula.
- Para que eles possam, com segurança, não apenas aceitar a simples repetição do conteúdo do currículo escolar, mas criar uma realidade transformadora na vida do aluno – complementa.
Nessa primeira fase, o grupo da Cátedra está realizando uma pesquisa de campo com professores para avaliar práticas de leitura e o perfil do grupo docente do ensino médio do Rio de Janeiro. Em paralelo, estão formando a equipe que será responsável pela estruturação do curso de ensino a distância que será oferecido aos professores selecionados.
Uma das coordenadoras do projeto, Nilza Rezende destaca que, no treinamento preparado pelo grupo da Cátedra, esse estímulo não visa apenas à leitura do que está escrito.
- Queremos habilitar o cidadão a compreender, articular e ser capaz de ler o mundo, as pessoas e a si mesmo. A formação de um leitor, na verdade, é um processo de abrir os olhos para o mundo e perceber e compreender que tudo a sua volta está comunicando alguma coisa. O uso inteligente e consciente da leitura neste sentido mais amplo é um modo de se ter poder porque a compreensão pode fazer com que o cidadão releia o seu passado e seja capaz de mudar o seu futuro – analisa Eliana.
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