A Tarde – BA, em 23/5/2010
Longe das salas de aula, mas sempre perto dos livros. A promessa feita pela professora aposentada Maria José Ferraz,59anos,aodeixarseus alunos, tem sido cumprida fielmente todos os dias. Para isso, teve que abrir mão do galinheiro,nosítioondevive, na localidade de Lagoa das Flores, zona rural de Vitória da Conquista, para construir uma biblioteca comunitária.
Depois de se desfazer de 100 galinhas, dona Zezé, como é conhecida pelos moradores, começou a montar seu sonho, ao fim de 25 anos lecionando e outros 15 percorrendoasprateleirasdabiblioteca pública municipal.
O primeiro lote foi de 40 livros, mas graças a doações o acervo hoje conta com quatro mil e a cada dia cresce mais.
É tanto livro que boa parte do material ocupa um espaço no mesmo curral onde cavalos e bois recebem alimento e água. “Tem lugar pra todo mundo”, ri a ex-professora.
“A gente recebe cerca de 20 visitas por semana, crianças e adultos. Podia ser mais,maso computador afastou muita gente daqui”, lamenta. Assim que começou a funcionar a biblioteca comunitária recebia 100 visitas semanais.
Coberto com lona amarela, só se sabe que ali naquele pequeno galpão funciona um espaçodeleituraporqueuma discreta placa informa. Qualquer pessoa pode ir ao local, percorrendo um corredor estreito e passando por um pomar.” Apartir das 6 da manhã até a noite e domingos e feriados.
Qualquer dia da semana eu estou aqui pra receber quem estiver interessado”, garante.
Expansão
Já nos pontos literários a pouca devolução vem prejudicando o acervo. “Pensamos em expandir, mas sem o retorno dos livros fica inviável”, explica Everaldo Bastos, integrante do projeto.
“Estamos formando pessoas que tenham responsabilidade social e compromisso com o próximo, porém salientamos que é preciso devolvê-los para que outras pessoas possam ler,” solicita a educadora Heleusa Câmara, coordenadora do Proler.
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