sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

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“A pujança do Brasil”

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, concedeu entrevista ao jornal semanal A Nação, de Cabo Verde, onde esteve em visita no ínicio deste mês. Na conversa, dentre outros assuntos, o ministro falou sobre as políticas públicas para promoção do Livro e Leitura no Brasil, Acordo Ortográfico e das linhas da estratégia de cooperação com país africano.

Em termos concretos, na decorrêncoia desta sua visita a Cabo Verde, que áreas vão ficar reforçadas?

Cabo Verde solicitou abertamente o nosso apoio em domínios como o audiovisual e as bibliotecas. Vamos colaborar com Cabo Verde nestas áreas, e estou a falar de bibliotecas de uma nova geração, que não ficam à espera que o leitor chegue, são verdadeiros centros culturais motivadores da leitura. Na área do património também há muita demanda, Vamos criar com, a chancela da UNESCO, um centro de formação de gestão de património no Brasil e já convidamos Cabo Verde a apresentar candidatos a formação a partir do início do próximo ano. Outra área importante é a da economia da cultura em que nós já podemos dar uma boa ajuda a partir da nossa experiencia.

Língua Portuguesa e o Acordo Ortográfico

Já que falamos de livros e bibliotecas, é inevitável introduzir a questão o acordo ortográfico…

Acho que o acordo ortográfico é positivo. Houve uma reacção em Portugal e no Brasil no sentido de dizer que quem faz a língua é quem a fala: o povo. É verdade, mas o acordo ortográfico não vai interferir na dinâmica da língua. É um acordo circunscrito à ortografia. O nosso português, tal como o vosso, é muito próprio. Mas a nossa ortografia vai empoderar a língua portuguesa. Primeiro vai-se tornar uma língua oficial na ONU, o que não acontecia até agora apesar de ela ser a sexta mais falada no mundo. E segundo lugar, vai ter maior expressão na Internet, o que é importante uma vez que, no futuro, a língua que não tiver presença significativa na rede não vai não sobreviver.

É também uma questão de estratégia…

Claro que é. É evidente também que o processo teve alguns erros, porque foi desenvolvido numa óptica muito técnica e programática. Mas são erros que podem ser corrigidos, através de iniciativas que poderão ajudar a melhorá-lo. Por exemplo, somos simpáticos à ideia de se criar uma Academia da Língua Portuguesa no universo da CPLP.

Mas já existe o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP). Não tem cumprido sua missão?

Acho que não. Temos de criar algo mais eficiente, mais poderoso, com maior investimento e envolvimento da parte de todos os países da língua portuguesa. Temos de ser mais generosos e ver que o português convive com outros falares, no Brasil menos, mas aqui e em outros países como Angola e Moçambique, de forma muito concorrencial mas salutar.  Essa seria uma forma de as enriquecer a todas.

Leia aqui a entrevista na íntegra.


Livro e Leitura como elemento de construção do país

Na noite de abertura das Pré-conferências Setoriais de Cultura, no último domingo, 7 de março, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, ressaltou a importância da diversidade cultural para o desenvolvimento do país. Ele fez uma análise sobre os números da cultura no Brasil e destacou o Livro e a Leitura como instrumentos de construção da nação.

Ouça trecho do discurso do ministro:

Além disso, o ministro Juca Ferreira defendeu o acesso da população aos bens, produtos e serviços culturais. Para ele, a democratização da cultura, principalmente de livros, poderia tornar o produto mais barato no país, haja visto que no Brasil o índice de leitura atinge apenas 1,7 livros por pessoa ao ano.


Encontro discute políticas públicas para democratização do livro

Jornal Futura, 09/10/2009 (12h)

Em Brasília, o Fórum Nacional Mais Livro, Mais Leitura nos Estados e nos Municípios discutiu políticas públicas para a democratização do acesso a esses meios. Durante o encontro, foi lançado o projeto ‘A leitura e o livro nos planos municipais e estaduais’ para orientar a formulação e a implantação dessas políticas. Para o ministro da Cultura, Juca Ferreira, o Brasil tem grandes desafios a superar, como baixar os preços dos livros e tornar as bibliotecas mais prazeirosas ao leitor, além do envolvimento dos pais para estimular a leitura na família.  “Família onde não se lê, o trabalho tem que ser dobrado para gerar leitores”.

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Ministro da Cultura: Brasil tem dívida histórica com o livro e a leitura

Agência Brasil, 07/10/2009.

O Brasil tem uma dívida histórica com o livro e a leitura, na avaliação do ministro da Cultura, Juca Ferreira, que afirma que houve um razoável abandono dessa área no país. Ele comparou a realidade brasileira, na qual a tiragem média de um livro é de 5 mil exemplares, com a de Cuba onde cada título tem uma tiragem de 100 mil.

forum_livroPara o ministro, sem livro e sem leitura não há objetividade na construção de uma sociedade complexa. Ele acredita ainda que é preciso que os alunos sejam treinados a ler. “É preciso que no dia a dia da sala de aula, o livro seja apresentado de forma prazerosa”, defendeu durante solenidade de abertura do 21º Fórum Nacional Mais Livro, Mais Leitura nos Estados e Municípios. O evento tem o objetivo de discutir o acesso ao livro e à leitura.

Presente à abertura do evento, o secretário executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), José Castilho Neto, disse que o povo brasileiro não pode ficar à margem do direito à leitura. “Era chegada a hora de o brasileiro exercer seu direito à leitura, esse direito somado a outros direitos fundamentais e civis, poderiam levar o país à plena cidadania.”

O presidente do Instituto Pró-Livro (IPL), Jorge Yunes, falou sobre a intenção de reunir governo e sociedade civil para a realização de um projeto para implementação de medidas de incentivo à leitura, com o objetivo de melhorar os indicativos de leitura do país.  Yunes afirmou que é preciso cativar os leitores, para tornar a leitura um hábito prazeroso. “Não é possível cativar os leitores se eles não entendem o que leem.”

O secretário de alfabetização, educação continuada e diversidade do Ministério da Educação, André Lázaro, lembrou que 65 milhões de brasileiros não tem o ensino fundamental completo, e que para esses brasileiros só o fato de os filhos estarem na escola já é uma vitória. Porém, segundo ele, é preciso saber se as crianças estão realmente aprendendo nas escolas. “O direito de aprender é o nosso principal lema”, defendeu.


Setor editorial e governo divergem sobre preço do livro

Jornal O Globo, por Guilherme Freitas, 11/08/2009.

Depois de receber críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Cultura Juca Ferreira pelos altos preços do livro no Brasil, o setor editorial divulgou nesta terça-feira um relatório que aponta queda no preço médio do livro desde 2004, quando o governo federal concedeu isenção de PIS e Cofins a editoras, distribuidoras e livrarias. O relatório, realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da Universidade de São Paulo, indica queda no preço médio de todos os segmentos do mercado editorial entre 2004 e 2008: de 24,5% nos livros didáticos; 22,4% em obras gerais (que inclui ficção e não-ficção); 38% nos livros religiosos e 23,3% em livros científicos, técnicos e profissionais.

“Quem sente redução do preço quando vai à livraria?”

O Ministério da Cultura realizará um levantamento próprio, com apoio do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), para avaliar as informações do relatório encomendado pelo Sindicato Nacional dos Editores e Livreiros (Snel) e pela Câmara Brasileira do Livro (CBL). Os dois relatórios serão levados à reunião em que governo e representantes do setor editorial discutirão a criação do Fundo Pró-Leitura, prevista para 18 de agosto. Para o diretor nacional de Livro, Literatura e Leitura, Fabiano dos Santos, o estudo da Snel e da CBL precisa ser analisado:

— Quem sente essa redução do preço quando vai à livraria? O preço médio ainda é muito alto, principalmente para as classes C, D e E. Apenas 17% da população adquire livros, e precisamos pensar na população como um todo — diz Santos.

A presidente do Snel, Sonia Machado Jardim, aponta que a queda no preço médio indica que há uma oferta maior de livros baratos. Segundo Sonia, isso pode ser atribuído não a uma redução generalizada dos preços, mas ao investimento do mercado em opções mais econômicas, como os livros de bolso, as vendas porta-a-porta e os grandes saldos.

— Um determinado título pode não estar mais barato hoje do que estava em 2004, mas o leitor tem mais opções de títulos a preços menores do que antes — avalia Sonia.

Na reunião deste mês, governo e setor editorial discutirão o destino do Fundo Pró-Leitura. O projeto foi criado em 2004, como uma contrapartida à desoneração do PIS e do Cofins oferecida pelo governo: em troca, as empresas do setor editorial contribuiriam com 1% do faturamento a um fundo de promoção da leitura. O projeto até hoje não saiu do papel, o que faz com que o governo deixe de arrecadar R$ 40 milhões por ano, segundo Santos. Segundo Sonia, a Snel, a CBL e a Associação Brasileira de Editores de Livros (Abrelivros), que resistiram à criação do fundo na última reunião, em junho, trabalham em uma proposta conjunta para superar o impasse.

Crise econômica provoca queda de 10% no faturamento

O relatório divulgado nesta terça-feira mostra também que o faturamento do setor editorial cresceu no período entre 2004 e 2008 — só no último ano, o crescimento foi de 4,9%, descontada a inflação. O crescimento foi maior nos segmentos de livros religiosos e de livros científicos, técnicos e profissionais. No entanto, o levantamento não cobre o período da crise econômica, que afetou duramente o mercado editorial. Segundo estimativas do vice-presidente do Snel, Roberto Feith, o faturamento teria sofrido uma redução de cerca de 10% desde abril.

— As gráficas estão adiantando as entregas de setembro porque estão com pouco trabalho. É a primeira vez que isso acontece em muito tempo. A crise existe, mas sabemos que é passageira, e o mercado editorial está se adaptando para atravessá-la da melhor maneira possível — diz Feith.