quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

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Revista Economia da Cultura # 1

Editorial audiovisual - Secretário Roberto Nascimento.


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Entrevista: Sérgio Nazaré, diretor de governo do Banco do Brasil

Revista Economia da Cultura – Sefic – Edição #1 – novembro.2009 

Quais ações o Banco do Brasil mantém em parceira com o Ministério da Cultura para o desenvolvimento cultural no País?

SN – Em 2007, o BB e o MinC assinaram um protocolo de intenções com o objetivo de viabilizar o desenvolvimento de ações conjuntas para o fortalecimento da cultura no País. No que se refere às ações a cargo do BB, previstas neste acordo, destaca-se o aprimoramento das linhas de crédito destinadas ao financiamento dos agentes do segmento cultural. Na época, foi estabelecida uma meta de R$ 200 milhões para aplicação de recursos em linhas de crédito destinadas às pessoas físicas e às micro, pequenas e médias empresas que atuam no segmento cultural, no período compreendido entre outubro de 2007 e setembro de 2010. Até junho de 2009, ou seja, 15 meses antes do fim do prazo estabelecido, o BB já totalizou R$ 1,1 bilhão em operações de crédito para esta finalidade, o que representa a superação da meta em 550%.

Com relação às operações de crédito para o segmento, você poderia falar sobre as que são mais necessárias e adequadas aos produtores culturais?

SN – Para o gerenciamento de um empreendimento, o produtor cultural necessita de recursos financeiros de diversas formas, prazos e condições para atender suas necessidades de caixa. Necessita, por exemplo, de capital de giro para a empresa fazer seus negócios acontecerem. Para esta finalidade, o BB oferece excelentes opções, como o BB Giro Empresa Flex, o BB Capital de Giro Mix Pasep, o Cheque Ouro Empresarial, e muitos outros. Além disso, o produtor pode optar pela antecipação de recebíveis, como o desconto de cheques, de títulos ou de cartões de crédito a realizar. Para financiamento dos bens e serviços necessários para o funcionamento da empresa, como construção, reforma, aquisição de móveis, máquinas, veículos, computadores etc, o produtor cultural pode contar com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador – FAT e do BNDES. Para a região Centro-Oeste, os interessados também podem contar com os recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste – FCO.

Como os produtores culturais podem ter acesso a essas linhas de crédito, caso queiram ampliar o incrementar a gestão dos seus negócios?

SN – Os produtores interessados poderão procurar suas agências de relacionamento para verificar maiores detalhes sobre as condições de acesso às diversas linhas de crédito existentes no BB, ou diretamente na internet, no nosso site.

Qual a sua avaliação sobre o resultado das ações de marketing cultural implementadas pelo Banco do Brasil com os CCBB?

SN – No último dia 12 de outubro, o primeiro Centro Cultural Banco do Brasil, localizado no Rio de Janeiro, completou 20 anos. A iniciativa foi tão bem sucedida que, ao longo deste período, criamos também os CCBB de São Paulo e de Brasília, e iniciamos, no mês de agosto deste ano, as obras para viabilizar a construção do CCBB de Belo Horizonte. Nessas duas décadas, foram apresentadas nos CCBB importantes exposições, peças de teatro, mostras de cinema e séries musicais. Pelos palcos dos Centros Culturais passaram atrizes como Fernanda Montenegro, Marieta Severo e Irene Ravache, músicos consagrados como Tom Jobim e Chico Buarque, escritores como Vargas Llosa e Jorge Amado e diretores de teatro como José Celso e Gerald Thomaz. Além disso, nossas salas de cinema projetaram filmes de importantes cineastas brasileiros e estrangeiros.
No início, em 1989, o primeiro CCBB recebeu 100 mil visitantes. No ano seguinte, este número saltou para 320 mil pessoas. Só em 2009, até o mês de julho, mais de um milhão de pessoas visitaram o CCBB Rio de Janeiro. Ao longo dos últimos 20 anos, cerca de 46 milhões de visitantes passaram pelas sedes do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília e pelas edições do CCBB Itinerante em diversas cidades brasileiras. Foram 2.717 projetos realizados, atendidos mais de 2,3 milhões de estudantes no Programa Educativo e gerados mais de 108 mil postos de trabalho. Tudo isso demonstra que os investimentos para associar a marca do Banco do Brasil ao segmento cultural foram acertados. Hoje é difícil falar de programação artística no País sem lembrar a importância dos CCBB para o movimento cultural brasileiro.

Banco do Brasil
Diretoria de Governo
governo@bb.com.br


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Caixa Econômica Federal oferece linhas de crédito para atividades culturais

Revista Economia da Cultura – Sefic – Edição #1 – novembro.2009

Dando continuidade às ações de incentivo e fortalecimento da cultura nacional, a Caixa Econômica Federal está realizando mais um feito ao segmento: desta vez, a empresa destinará recursos financeiros para atender demandas de infraestrutura e suporte às atividades culturais. São mais de cinco linhas de crédito à disposição dos interessados, e que atingem diversos aspectos da cadeia econômica cultural.

As modalidades de financiamento disponíveis abrangem projetos nos campos das artes visuais, teatro, música, dança, dentre outros. E podem, ainda, ser destinadas à compra e reforma de poltronas de teatro, arquibancadas, figurino, cenário, equipamentos de iluminação, áudio, vídeo etc.

A fim de viabilizar o lançamento das linhas de crédito para o segmento, a Caixa realizou projeto piloto na cidade de Porto Alegre, RS, de 21 de julho a 30 de dezembro de 2008, coletando resultados animadores: a pesquisa, que teve como público-alvo 583 clientes, constatou grande interesse do público local pelos produtos e suas características.

O projeto piloto contou ainda com apresentação do 1º Seminário de Sensibilização em Economia da Cultura e participação de mais de 60 representantes da Caixa das cidades de Porto Alegre, Fortaleza, Curitiba, Belém, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador.

Para o encontro, o banco preparou um pequeno glossário de termos utilizados pela produção cultural, voltado exclusivamente para os executivos do evento. Também distribuiu folheteria específica aos participantes, com o intuito de esclarecer de forma simples e direta as características de cada linha de crédito oferecida. A empresa pretende realizar, ainda neste ano, mais dois seminários de sensibilização nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo.

Em parceria com o MinC, a Caixa formalizou, em 2007 um Protocolo de Intenções, demonstrando o compromisso de desenvolver ações que contribuam para o fortalecimento da cultura na construção de um Brasil para todos os brasileiros.  A destinação de linhas de crédito para o segmento cultural cumpre esse papel, visando estimular a produção da arte e oferecendo aos artistas e produtores a oportunidade de criar e exibir trabalhos com apoio de um banco com perfil social, braço das políticas sociais do governo.

Assessoria de Imprensa
Caixa Econômica Federal
imprensa.cultura@caixa.gov.br


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A cultura também como negócio

Revista Economia da Cultura – Sefic – Edição #1 – novembro.2009

Muitas vezes chamada também de “Economia Criativa”, a Economia da Cultura trouxe à tona a discussão do valor da cultura não só no que tange aos seus aspectos simbólicos, mas também à sua lógica econômica, suas dinâmicas de oferta e demanda e as formas de interação entre agentes culturais e econômicos.

Os produtos que circulam dentro dos sistemas da economia da cultura são altamente diferenciados e produzidos por meio do desenvolvimento de valor agregado.

A diversa e sofisticada produção cultural brasileira, além da sua indiscutível relevância simbólica e social, deve ser entendida também como um dos grandes ativos econômicos do país, especialmente por conta do seu potencial de gerar desenvolvimento qualificado. É preciso reconhecer esse potencial e fomentá-lo, pois isso significa a geração de riqueza e ampliação de oportunidades, além de inserção qualificada do Brasil no cenário internacional.

Estima-se que no Brasil existam atualmente 270 mil empresas ligadas à produção cultural. Segundo recente pesquisa do IBGE, 7% do orçamento das famílias são destinados ao consumo de produtos culturais. A mesma pesquisa aponta que existem atualmente 3,1 milhões de profissionais das indústrias de inovações e cultura, representando 3,5% da economia.
Esses dados só reforçam as oportunidades oferecidas pela indústria dos bens culturais.

É preciso, urgentemente, conciliar os interesses dos diversos agentes que atuam na economia da cultura com o interesse público de acesso à cultura, ao conhecimento e à informação, assim exigindo a construção de um arcabouço institucional e de políticas públicas para o segmento cultural que corresponda à realidade social, econômica e cultural do país.
Assim, debater a questão do financiamento e do acesso ao crédito é essencial para que a Cultura possa se desenvolver.

Adequar a oferta de produtos financeiros às necessidades colocadas pelos agentes culturais é o primeiro passo para que haja sincronia entre os atores envolvidos no processo. Além disso, é preciso que os diferentes setores culturais possam ter acesso ao portfólio de produtos ofertados, de forma a ampliar o número de beneficiados pelos produtos financeiros, saindo da lógica que privilegia apenas algumas poucas linguagens. É imprescindível, ainda, que as características regionais sejam respeitadas e estimuladas com ofertas diferenciadas de crédito para as diversas realidades. Por fim, deve-se encarar que o financiamento voltado para a cultura contribui para a valorização e desenvolvimento das vocações locais e para o agregado da economia nacional.

Juliana Nolasco, Coordenadora-geral de Economia da Cultura e Estudos Culturais – juliana.nolasco@cultura.gov.br

Tauana Monteiro, Coordenadora de Economia da Cultura, tauana.monteiro@cultura.gov.br

° Secretaria de Políticas Culturais / MinC


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FNO fomenta cultura em toda a região norte

Revista Economia da Cultura – Sefic – Edição #1 – novembro.2009

No período de abril de 2008 a setembro de 2009, R$ 93,7 milhões foram aplicados em toda a região Norte, pelo Banco da Amazônia, fomentando o mercado cultural.

A instituição realizou esses investimentos por meio do Programa FNO – Amazônia Mais Cultura, que fomentou uma série de atividades, dentre as quais o comércio varejista de livros, jornais, revistas e papelarias.
Somente no Estado de Tocantins, maior beneficiado com o Programa, foram investidos mais de R$ 67 milhões na construção de salas de cinema em shoppings. Outros Estados que também merecem destaque são o Estado do Pará, com R$ 1,7 milhão, Amazonas e Roraima que, juntos, foram beneficiados com mais de R$ 23 milhões.

O Programa faz parte de um protocolo de intenções firmado em 2007 pelo Banco da Amazônia e o Ministério da Cultura. A partir da criação do Amazônia Mais Cultura é possível integrar recursos, experiências acumuladas e competências institucionais que possibilitam o fortalecimento da cultura no desenvolvimento social e econômico brasileiro.

De acordo com o Diretor Comercial e de Distribuição, Gilvandro Negrão, com essas ações, o banco pretende ampliar o acesso aos bens e serviços culturais, promovendo a autoestima dos que produzem cultura no país. “Queremos, ainda, gerar oportunidades de trabalho, emprego e renda para clientes pessoas físicas e jurídicas, oferecendo encargos financeiros que variam de 6% a 10% ao ano”, explicou.

Os itens financiáveis vão desde a aquisição de máquinas e equipamentos à capacitação de mão-de-obra necessária ao empreendimento por meio de empresas especializadas. Em 2008, foram realizadas, em cada estado da região Norte, Oficinas de Capacitação em Projetos Culturais. Voltadas para pessoas físicas e jurídicas ligadas à produção de espetáculos de artes cênicas, músicas e exposições de artes visuais, as oficinas patrocinadas pelo banco serviram de estímulo à criação de projetos.  

Patrocínios

Além dos financiamentos, o Banco da Amazônia ainda realiza patrocínios no segmento cultural do país. Com os patrocínios, são beneficiados segmentos como educação musical, teatro, literatura, cultura popular e artes integradas.

Dentre os principais projetos culturais patrocinados pelo banco está o 5ª Cultural, inclusive já premiado pela ADVB – Nacional com o Top de Marketing. O projeto promove e valoriza a diversidade artística e cultural, estimulando a solidariedade humana com a doação de alimentos em todos os estados da Amazônia.

No segmento musical, destacam-se os projetos Batukada, no Amazonas, e Um Som Angelical na Amazônia Maranhense, no Maranhão, ambos voltados para a educação musical de crianças e adolescentes carentes. Há, também, o projeto Cururu, que, em 2006, recebeu o prêmio Top Social da ADVB Nacional, no qual é trabalhada uma educação musical voltada à formação integral do indivíduo.

Na atividade teatral, destacam-se os projetos IN BUST – Teatro com Bonecos, para todas as idades, que pretende democratizar o acesso aos bens culturais por meio da linguagem cênica, e o projeto Cia de Teatro Mosaico, que promove a circulação de espetáculos e a organização de workshops para artistas iniciantes.

Já na cultura popular, o projeto Boi na Estrada, do Estado do Maranhão, promove, com o patrocínio do Banco da Amazônia, apresentações do Bumba-meu-Boi, visando à difusão e valorização da diversidade cultural maranhense e evidenciando o conteúdo matricial das culturas tradicionais populares da Amazônia.

Assessoria de Comunicação
Banco da Amazônia
alcilene.souza@bancoamazonia.com.br


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O sertão cultural da Paraíba

Revista Economia da Cultura – Sefic – Edição #1 – novembro.2009

Onde existe gente, existe cultura. O que precisamos é oferecer condições similares a todos. Somente assim viabilizaremos o afloramento e a percepção das manifestações latentes em todas as populações, em suas dimensões material e espiritual.

Nossa Constituição Cidadã, de 1988, em seu artigo 215, imputa ao Estado a responsabilidade de garantir a todos o exercício do fazer cultural e o acesso às fontes da cultura brasileira.
Precisamos, então, assegurar esse direito constitucional a todos os brasileiros, principalmente porque vivemos em um país continental, que sofre com as perversidades provocadas pela nefasta globalização e pelos regimes neoliberais da moda.

Não acredito em milagres. É imprescindível mudar a forma centralizada de oferecer as oportunidades de formação, produção, fruição e circulação dos bens culturais. De outro modo, estaremos deformando a cultura de uma maneira irreparável, conseqüentemente, deixando de ser nós mesmos para assumirmos identidades imitadas e pasteurizadas dos outros.

Uma oportunidade singular está sendo vivida, atualmente, na cidade de Sousa, município do Alto Sertão Paraibano, oeste daquele Estado nordestino, uma área inóspita do Brasil, com índices de exclusão social abaixo da média do Nordeste, onde habitam 65.000 habitantes.

Lá foi instalado, pelo Banco do Nordeste, um equipamento cultural similar a qualquer outro presente nas grandes cidades brasileiras. Desde junho de 2007, os cidadãos sousenses passaram a viver a possibilidade de participar ativamente da vida cultural brasileira.

Essa experiência não foi imposta por organismo chapa branca, como esperava a imprensa paraibana, quando declarou em suas primeiras matérias sobre o assunto que “o centro cultural do BNB não veio para ser um elefante branco”.
O equipamento não foi entregue à comunidade já com as metas prontas e recheadas de teorias acadêmicas ilustradas com belos gráficos, nem o plano de trabalho foi definido entre quatro paredes por tecnocratas iluminados da capital.

A sociedade local, cerca de 200 mil pessoas moradoras do município de Sousa e de outras 32 cidades que compõem o cinturão do sertão nordestino, foi chamada para desenhar as ações que seriam desenvolvidas no equipamento. A população atendeu ao chamado e o resultado foi óbvio e imediato: a apropriação do equipamento pelas pessoas comuns.

No primeiro ano de funcionamento, foi registrada uma presença média de mais de 750 visitantes/dia. Hoje, essa média já atinge 1.200 pessoas/dia.

Teatro cheio, para assistir a shows e peças, grande procura pelos livros de literatura da biblioteca, grupos reunindo-se para participar de cursos de formação artística, as exposições e instalações de artes visuais contemporâneas sendo intensamente visitadas pelos grupos das escolas da região, exibição de curtas-metragens brasileiros nos calçadões da cidade. Nas ações de inclusão digital, jovens, adultos e idosos acessando os terminais de Internet e participando dos treinamentos básicos de computação. Enfim, uma demanda surgida já quase no limite da capacidade máxima do equipamento, atendida com cerca de 70% pelos atores culturais locais.

Ainda não foi medido qual o impacto que essa ação, realizada de forma planejada e integrada com a comunidade, está provocando no processo de desenvolvimento do Alto Sertão Paraibano e no crescimento da auto-estima das populações locais. Uma pesquisa está em andamento para avaliação dos resultados. É perceptível, porém, pelo comportamento da imprensa de João Pessoa, que as ações daquele pedaço de interior quase esquecido estão pautando, com muita freqüência, os cadernos culturais dos jornais da capital.

É o município de Sousa entrando nos roteiros culturais dos circuitos nacionais da arte brasileira, quebrando os paradigmas do consumo cultural das classes mais pobres e abandonando o status de ser apenas um alfinete no imenso mapa da cultura do Brasil.

Henilton Menezes
Gerente de Cultura – BNB
henilton@bnb.gov.br


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