A cultura também como negócio
Revista Economia da Cultura – Sefic – Edição #1 – novembro.2009
Muitas vezes chamada também de “Economia Criativa”, a Economia da Cultura trouxe à tona a discussão do valor da cultura não só no que tange aos seus aspectos simbólicos, mas também à sua lógica econômica, suas dinâmicas de oferta e demanda e as formas de interação entre agentes culturais e econômicos.
Os produtos que circulam dentro dos sistemas da economia da cultura são altamente diferenciados e produzidos por meio do desenvolvimento de valor agregado.
A diversa e sofisticada produção cultural brasileira, além da sua indiscutível relevância simbólica e social, deve ser entendida também como um dos grandes ativos econômicos do país, especialmente por conta do seu potencial de gerar desenvolvimento qualificado. É preciso reconhecer esse potencial e fomentá-lo, pois isso significa a geração de riqueza e ampliação de oportunidades, além de inserção qualificada do Brasil no cenário internacional.
Estima-se que no Brasil existam atualmente 270 mil empresas ligadas à produção cultural. Segundo recente pesquisa do IBGE, 7% do orçamento das famílias são destinados ao consumo de produtos culturais. A mesma pesquisa aponta que existem atualmente 3,1 milhões de profissionais das indústrias de inovações e cultura, representando 3,5% da economia.
Esses dados só reforçam as oportunidades oferecidas pela indústria dos bens culturais.
É preciso, urgentemente, conciliar os interesses dos diversos agentes que atuam na economia da cultura com o interesse público de acesso à cultura, ao conhecimento e à informação, assim exigindo a construção de um arcabouço institucional e de políticas públicas para o segmento cultural que corresponda à realidade social, econômica e cultural do país.
Assim, debater a questão do financiamento e do acesso ao crédito é essencial para que a Cultura possa se desenvolver.
Adequar a oferta de produtos financeiros às necessidades colocadas pelos agentes culturais é o primeiro passo para que haja sincronia entre os atores envolvidos no processo. Além disso, é preciso que os diferentes setores culturais possam ter acesso ao portfólio de produtos ofertados, de forma a ampliar o número de beneficiados pelos produtos financeiros, saindo da lógica que privilegia apenas algumas poucas linguagens. É imprescindível, ainda, que as características regionais sejam respeitadas e estimuladas com ofertas diferenciadas de crédito para as diversas realidades. Por fim, deve-se encarar que o financiamento voltado para a cultura contribui para a valorização e desenvolvimento das vocações locais e para o agregado da economia nacional.
Juliana Nolasco, Coordenadora-geral de Economia da Cultura e Estudos Culturais – juliana.nolasco@cultura.gov.br
Tauana Monteiro, Coordenadora de Economia da Cultura, tauana.monteiro@cultura.gov.br
° Secretaria de Políticas Culturais / MinC
Data: 24 de novembro de 2009
Categorias: Notícias
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