O seminário do Sistema Nacional de Cultura (SNC) em Campo Grande (MS), que teve início nesta segunda-feira (28), no Teatro Aracy Balabanian (Centro Cultural José Octávio Guizzo), conta com a participação de mais de 40 municípios sul-mato-grossenses, entre as 78 cidades que compõem o Estado. Cerca de 100 pessoas entre autoridades, membros de conselhos do Estado e dos municípios, além de gestores públicos e privados de Cultura participam do evento que termina nesta terça-feira (29).
Segundo o presidente da Fundação Municipal de Cultura (Fundac), Athayde Nery, “estamos vivendo um momento magnífico, tornar as políticas públicas culturais em políticas de Estado e não em políticas de Governo”. O presidente da Fundac, também manifestou que é importante fazer o “dever de casa”, como a realização de conferências e criação de conselhos, planos e fundos. “Nós aqui, como bons alunos, já fizermos nosso plano municipal e vamos encaminhar nosso sistema”, destacou Nery.
“Estamos prontos para colaborar, porque entendemos que esse sistema é um avanço, eles nos dá uma perspectiva mais alvissareira”, afirma o presidente da Fundação de Cultura do Mato Grosso do Sul, Américo Ferreira Calheiros. Para Calheiros, a mera formalização do SNC, não resolverá todos os problemas da área cultural brasileira. “Assim como nos outros sistemas existentes no País será necessário que ele amadureça, mas hoje nosso grande desafio é que o SNC se concretize”, situou Calheiros.
O coordenador geral de Relações Federativas e Sociedade da Secretaria de Articulação Institucional do Ministério da Cultura e do SNC, João Roberto Peixe, lembrou que o Mato Grosso do Sul é o segundo estado da Federação que mais têm municípios com assinatura do protocolo de intenções do SNC, com 69,2% deassinaturas do Protocolo de Intenções, entre 2005 e 2006, logo após o Ceará (82,1%), e que agora chegou o momento de implementar as ações.

“O SNC nasce em cada município, com os sistemas municipais, se amplia com o sistema estadual e se consolida com a articulação nacional, integrando todos os níveis do Governo e da Sociedade” explica Peixe. “Sistema Único de Saúde (SUS), Sistema Único de Assistência Social (SUAS), sistemas de Meio Ambiente e Sistema Integrado de Educação, comprovam que há um processo nacional de amadurecimento da gestão pública e a Cultura, evidentemente, não poderia ficar fora desse processo” completa Peixe.
Também estão presentes o presidente do fórum municipal de cultura e membro do conselho municipal de cultura, Vilibaldo Gonçalves Vicente Júnior; o coordenador da Secretaria de Políticas Culturais, Felipe Ribeiro; a dirigente da Superintendência Regional do Iphan no Mato Grosso do Sul, Maria Margareth E. Ribas Lima; e a coordenadora territorial do Mais Cultura, Selma Santiago.
Até o momento, já foram realizados 16 seminários, incluindo todas as capitais do Nordeste (Salvador, Maceió, Recife, Natal, Fortaleza, Teresina, Aracaju, São Luís e João Pessoa), além de Rio de Janeiro, São Paulo, Ribeirão Preto, Curitiba, Caeté (MG), Araxá (MG) e Lages (SC). Até o fim do mês de novembro, em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal, serão promovidos seminários para apresentar a Proposta de Estruturação, Institucionalização e Implementação do SNC aos setores públicos e à sociedade civil.
Proposta
A Proposta de Estruturação, Institucionalização e Implementação do SNC, que está disponível em blogs.cultura.gov.br/snc, recentemente foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC). No dia 26 de agosto, em reunião ordinária em Brasília, o CNPC aprovou, por unanimidade, a proposta que vinha sendo construída, desde 2003, por meio de debates em todos os fóruns e instâncias culturais do País e das experiências já vivenciadas nas três esferas de Governo (federal, estadual e municipal) e da sociedade civil.
SNC
A base institucional do Sistema Nacional de Cultura (SNC) há muito vem sendo debatida em todas as instâncias federativas. Órgãos específicos para gestão da política cultural, Conselhos de Política Cultural, Fundos de Financiamento da Cultura e Sistemas Setoriais (museus, bibliotecas, informação, entre outros) foram criados; Conferências de Cultura foram realizadas; e Planos de Cultura elaborados e em tramitação nos Legislativos. Todavia, estas iniciativas não foram articuladas dentro de uma estratégia comum, especialmente, no que trata da inter-relação entre os componentes do SNC, seja no âmbito de cada ente federado, seja entre eles.
Atualmente, um dos grandes desafios do MinC é construir essas articulações onde elas inexistem, a exemplo dos subsistemas setoriais com o SNC, e reestruturar as instâncias pré-existentes, especialmente, os conselhos constituídos em outro contexto político e que não atendem aos critérios previstos no SNC. Segundo Peixe, “o SNC é fundamental para o avanço da gestão cultural no Brasil, pois consolidará um modelo de administração com compartilhamento de competências, decisões e recursos. Além de democratizar os processos decisórios, trará economicidade, eficiência, eficácia, eqüidade e efetividade na aplicação dos recursos públicos”.
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