Coluna do dia: Vale Cultura – Direito e necessidade do cidadão
Por Renato Alves*
O Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, enviou ao Congresso Nacional o projeto de lei que institui o Vale Cultura. Trata-se da primeira política pública governamental voltada para o consumo cultural, já que, anteriormente, todas as ações tiveram foco no financiamento da cultura. O objetivo do governo é garantir a todos os brasileiros o acesso a bens culturais como um direito e uma necessidade básica.
Pelo projeto de lei, o Vale Cultura será concebido nos moldes de um benefício trabalhista, espécie de um vale alimentação. Com o cartão, os beneficiados poderão adquirir ingressos de cinema, teatro, museu, shows, compra de livros, CDs e DVDs, entre outros produtos culturais.
O saldo do cartão é de até R$ 50 mensais e as empresas que concederem o benefício poderão deduzir até 1% do imposto devido. O valor do cartão vai levar em conta o orçamento familiar do trabalhador. Como exemplo, trabalhadores que ganham até cinco salários mínimos arcarão com, no máximo, 10% do valor, ou seja, R$ 5 mensais. Já para aqueles com remuneração superior, o desconto poderá variar de 20% a 90%. A ação só será estendida aos empregados com salário superior a R$ 2.325 se todos aqueles que ganham abaixo desse patamar já estiverem contemplados.
Segundo estimativas do Ministério da Cultura, o vale pode aumentar em até R$ 600 milhões por mês ou até R$ 7,2 bilhões ao ano o consumo cultural no país e poderá beneficiar 12 milhões de trabalhadores no Brasil. Uma coisa é certa: quanto mais acesso da população à cultura mais a renda do setor cultural aumenta, da mesma forma que o consumo. Ou seja, a cultura será tratada como economia.
Mesmo com essas projeções animadoras, o Vale Cultura não agrada a todos. Uma parte considera-o como um risco de desperdício de bilhões que só se explica pelo clima de eleições para agradar trabalhadores, artistas e empresários.
Atualmente, os números culturais no Brasil são catastróficos. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que apenas 14% da população brasileira vai ao cinema regularmente, 17% compra livros, 96% não frequenta museus, 93% nunca foi a uma exposição de arte, 78% nunca assistiu a um espetáculo de dança e mais de 75% dos municípios não têm centros culturais, museus, teatros, cinemas ou espaços culturais multiuso.
Meu posicionamento em relação a este projeto de lei do governo federal é altamente positivo. Para mim, o Vale Cultura é um passo significativo para garantir a incorporação da cultura na vida e na família dos trabalhadores do nosso País.
Enfim, considero que o projeto do Vale Cultura tem dois grandes méritos. Primeiro, facilitar o acesso do trabalhador à cultura e o segundo, chamar a empresa privada à responsabilidade cultural.
Até a próxima!
* Renato Alves é colunista do Perspectiva Política às quartas e editor do blog Política Mineira





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