quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

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“Cinema brasileiro precisa atacar”, afirma secretário do MinC

Último Segundo, Marco Tomazzoni, em 17/7/2010

Novo modelo de produção e aumento das salas são apontados como soluções para o setor

(…) Diretor da Agência Nacional do Cinema (Ancine), Gláuber Piva elegeu o baixo número de salas como vilão desse processo. Na década de 1970, o país tinha 3,3 mil cinemas, boa parte grandiosos, com centenas de lugares. Hoje, esse número caiu para 2,3 mil, a maioria concentrados no centro das grandes cidades, longe da periferia e do interior. “Isso, combinado com a concentração do nível de renda, diminuiu a possibilidade de se frequentar as salas”, afirma Piva. “O Brasil não vai ao cinema.”

Nesse sentido, foi elaborado um convênio com o BNDES para fornecer empréstimos com juros baixos a empresários interessados em expandir o parque exibidor, ou seja, abrir salas. Com uma programação diversificada e o benefício do Vale Cultura, que aguarda votação no Congresso, Piva acredita que o cinema pode se tornar o “espaço de convívio na modernidade do país”. Intenções, portanto, não faltam.

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Pesquisa aponta que o brasileiro tem pouco acesso à Cultura

Matéria veiculada no Repórter Brasil, TV NBR, em 27/02/2010

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Reunião com Cineastas

Ministro Juca Ferreira recebeu comissão nesta terça-feira (22) em Brasília

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, recebeu na manhã desta terça-feira, 22 de setembro, em seu gabinete, em Brasília, uma comissão de cineastas que conversaram sobre o setor cinematográfico do país.

reuniao-5-247x163Na ocasião, foram discutidos a valorização do produtor, a desoneração de impostos, a construção de salas de cinema, o incentivo e a fabricação e exibição de filmes brasileiros, dentre outros assuntos.

O ministro Juca Ferreira afirmou que todas as preocupações levantadas pelos cineastas encontrarão apoio após a aprovação do Projeto de Lei do Vale-Cultura. “O Vale-Cultura irá estimular todas as atividades econômicas que geram impostos e empregos e o maior beneficiado vai ser o cinema”, disse.

O cineasta Luiz Carlos Barreto disse que o Vale-Cultura vai ser uma verdadeira evolução cultural no país e que é a favor da obrigatoriedade da exibição de trailers de filmes nacionais no início de qualquer sessão cinematográfica. “Isso precisa voltar a ser debatido, pela valorização do cinema e dos produtores brasileiros”, argumentou.

Leia matéria na íntegra.

(Texto: Andressa Mundim)
(Fotos: Rodrigo Coimbra)


Cultura na cesta básica

Diário de Pernambuco, por André Dib, 16/09/2009.

Audiências públicas debatem o projeto de lei que cria o Vale-Cultura, política pública que visa o consumo

Enquanto o projeto de lei que cria o Vale-Cultura tramita na Câmara dos Deputados, audiências públicas são realizadas para apresentar, debater e tirar dúvidas sobre seu funcionamento. A primeira aconteceu no Recife, na tarde de segunda-feira, na sede do Sindicato dos Bancários (Boa Vista), com a presença dos secretários do Ministério da Cultura Roberto Nascimento, de Fomento e Incentivo à Cultura e Silvana Meireles, de Articulação Institucional. O encontro foi promovido pelo deputado federal Paulo Rubem Santiago (PDT), um dos relatores do projeto, que deve estar efetivado ainda neste ano.

Cerca de 80 pessoas participaram do encontro. As dúvidas giraram em torno de quem terá direito ao Vale-Cultura, quais produtos e serviços estarão disponíveis aos usuários e de que forma o sistema funcionará.

diarioPE_cestabasicaO Vale-Cultura é a primeira política pública federal voltada para o consumo de bens culturais. Ele funcionará nos mesmos moldes do vale-transporte e vale-alimentação, em que créditos mensais de até R$ 50 serão depositados pelas empresas em cartões eletrônicos dos trabalhadores formais. O beneficiado poderá gastar seu crédito da forma que quiser, em empresas credenciadas. Paulo Rubem defende o Vale-Cultura como um benefício que “visa sanar a disparidade histórica do acesso à cultura no Brasil”, que hoje conta com cerca de 40 milhões de trabalhadores formais. Inicialmente, 12 milhões serão beneficiados com o acesso a eventos como teatro, shows e cinema e produtos como CDs e DVDs.

De acordo com Nascimento, o Vale-Cultura funcionará através da renúncia fiscal. “A empresa pode descontar até 1% do imposto de renda. Mais do que isso, será por conta dela. Isso gera um benefício para a própria empresa, pois capacita a mão de obra com senso crítico. O resultado é uma empresa mais competitiva”. Para obter o crédito, o trabalhador também precisa pagar. Quem recebe menos de cinco salários, terá 10% do total descontado na folha de pagamento. Os que recebem mais, o valor pode oscilar entre20% e 90%. O Vale-Cultura custará R$ 2,5 bilhões aos cofres públicos. “Não se trata de doação. Se houver adesão total, teremos R$ 7,2 bilhões injetados na economia da cultura. Isso aumenta a arrecadação, gera empregos. É um investimento que dinamiza o mercado cultural”, diz Nascimento.

O que pode ser comprado com o Vale-Cultura foi outra questão do encontro. Enquanto o projeto estava aberto para emendas, foi proposto a inclusão de eventos esportivos na cesta de produtos disponíveis. Afinal, esporte, moda e gastronomia podem ser considerados cultura. Para Paulo Rubem, essa possibilidade pode ser perigosa. “Vivemos sob a influência de uma indústria onde produtos são ditados por programas dominicais na TV. Precisamos incentivar a circulação de produtos que não tem tanta entrada nesse esquema”. Silvana Meirelles, por sua vez, defende o livre arbítrio. “Não dá para dirigir o consumo. Mas é possível criar ambientes para ampliar esse cardápio, multiplicando o número de bibliotecas, renovando acervos, transformando equipamentos culturais em local de encontro e fruição cultural. Esse é um processo lento, que dá oportunidade a cada um construir seu repertório”.

Andre Dib: andredib.pe@diariosassociados.com.br


Cinema brasileiro cresce 163%, mas público só aumenta 6,6%

Abril Online, Rafael Kato, 28/08/2009.

Dados da Agência Nacional do Cinema indicam crescimento acelerado da indústria cinematográfica, mas bilheteria não segue a mesma tendência

Foto: Divulgação

Carandiru e Os Normais alavancaram bilheterias em 2003
Carandiru e Os Normais alavancaram bilheterias em 2003

A produção de filmes nacionais entre 2001 e 2008 aumentou 163%, mas o público desses mesmos filmes cresceu apenas 6,6%. Os cálculos feitos a partir de dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine) mostram que o crescimento da indústria cinematográfica não é acompanhado pelo número de pagantes de ingressos.

Em 2001, foram produzidos 30 filmes nacionais, enquanto em 2008 o número foi de 79. Os dados de 2009 ainda não foram contabilizados. Desde o início do século 21, o principal salto ocorreu entre 2005 e 2006, quando, respectivamente, foram filmados 45 e 72 filmes.

O público, por outro lado, cresceu menos. 7.948.065 milhões de pessoas assistiram aos filmes brasileiros em 2001, enquanto 8.476.129 foram com o mesmo motivo aos cinemas em 2008. O crescimento foi de apenas 6,6 %, representando um número abaixo do melhor ano do cinema nacional no novo milênio.

 

O melhor ano do século para o cinema nacional, até agora, foi 2003. Mais de 22 milhões de pessoas viram as produções realizadas por estúdios brasileiros, ou seja, 2008 representa uma queda de 61% em relação ao melhor ano. Depois do pico de 2003, a curva de público caiu e estabilizou. No entanto, em 2008 configurou-se um crescimento de 159% em relação a 1995, considerado o ano da retomada e marcado pelo filme “Carlota Joaquina”, de Carla Camurati.

O sucesso de 2003 pode ser explicado pelo alto número de lançamentos de sucesso. Sete produções superaram um milhão de espectadores. São elas “Carandiru”, “Lisbela e o Prisioneiro”, “Os Normais” e “Maria, mãe do filho de Deus”, “Xuxa abracadabra”, “Didi, o cupido Trapalhão” e “Deus é brasileiro”. Os sete longas-metragens foram produzidos pela Globo Filmes, que lidera o mercado nacional.

Desconsiderando a variação, mas apenas o ano de 2001 e 2008, é como se, hipoteticamente, cada novo filme lançado no período aumentasse o público nacional em apenas 10.785 mil pessoas.

A cadeia produtiva também possui uma variação de crescimento maior no período. As distribuidoras de filmes nacionais aumentaram em 220% e o número de salas cresceu 82,25%, quando comparamos 2001 com 2008.

Causas e efeitos
O diretor José Alvarenga Jr., que estreia “Os Normais 2″ nesta sexta-feira, acredita que um dos fatores da variação menor do público em relação à produção são as opções de restrição da linguagem cinematográfica que alguns cineastas fazem. Segundo ele, nem todos os realizadores têm o prazer de falar com o grande público.

“Eu acho, por exemplo, que apesar das boas intenções, um filme por ano se comunicou com a massa de 2003 para cá. Um! Mas é muito pouco. Para você ter um público que descobre que o cinema brasileiro é um grande prazer, você tem que ter quatro, cinco filmes encadeados. É isso que faz o cinema americano ser bom, porque daí você faz a sua escolha”, opina Alvarenga. Ele completa: “Falta para a gente ainda essa quantidade de filmes que tenham esse perfil de querer dialogar com o público grande”.

Ismail Xavier, professor do curso de Audiovisual da USP, aponta outras causas para o público não crescer. “Há vários fatores: domínio do mercado por Hollywood desde os anos 1920; hábitos do público; verbas necessárias à publicidade, cada vez maiores; aspectos da vida urbana (insegurança) que mantêm as pessoas em casa; preço do ingresso do cinema – hoje, uma diversão de classe média”, afirma.

No entanto, o professor acredita que “a distribuição é mesmo o maior gargalo, mas a exibição também é um problema – muitas cidades sem cinema e a concentração dos cinemas numa certa área nas grandes cidades”.

Álvaro de Carvalho Neto, produtor do filme “Manhã Transfigurada”, fala, por outro lado, que a questão está nas artimanhas da lei de Incentivo: “tem muito autor que prefere pegar o dinheiro do governo, filmar e não distribuir o filme. Ele não vai ter prejuízo”.

Ismail não acredita que esta seja uma prática comum. Para ele, “o fato de um filme já estar pago, não significa que o cineasta não se interessa pela exibição, pois isto seria suicídio cultural”. Alvarenga concorda, pois, para ele, um diretor interessado apenas em ganhar dinheiro, não fará um filme com qualidade.

Incentivo
O vale-cultura, projeto de lei do governo Lula, que pretende levar a população de baixa renda aos espetáculos culturais, pode ser uma saída para aumento do público do cinema. Os trabalhadores até cinco salários-mínimos terão um cartão mensal de R$ 50 que poderá ser gasto com cinema, teatro, CDs ou DVDs.

“O vale-cultura é fundamental, porque um dos problemas do cinema brasileiro é o ingresso que é caro para a classe desprivilegiada. Como essa classe consegue ter acesso ao cinema? “Divã”, que eu fiz recente, está pirateado e você encontra por R$ 4 o DVD. Esse público tem acesso à cultura de uma maneira distorcida, o que é ruim para a cadeia toda, é ruim para mim como autor que não ganha copyright para alguém estar ganhando em cima de mim. O vale-cultura reequilibra um pouco esse jogo, as pessoas passam a ter acesso ao conteúdo com a qualidade que ele foi pensado”, defende Alvarenga.


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Projeto do vale-cultura chega ao Congresso nesta semana, diz ministro

Agência Brasil,  13 de agosto de 2009.

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, fala sobre o vale-cultura e o PAC das Cidades Históricas, entre outros temas, durante o programa Bom Dia, Ministro (13/8)

Brasília – O projeto que prevê a criação do vale-cultura chega ao Congresso Nacional ainda nesta semana, de acordo com o ministro da Cultura, Juca Ferreira. Segundo ele, a demora para que a matéria fosse enviada para votação se deve à ausência da assinatura do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que estava viajando.

O vale-cultura vai funcionar por meio de um cartão magnético que permite aos trabalhadores comprar ingressos de cinema, teatro e shows, além de livros, CDs e DVDs.

Em entrevista a emissoras de rádio durante o programa Bom Dia, Ministro, Juca afirmou que o vale-cultura apresenta “efeitos colaterais positivos” uma vez que vai gerar um banco de dados sobre a demanda cultural da população. “E estimula a legalidade”, disse, ao se referir à compra de DVDs e CDs originais por meio do cartão magnético.

De acordo com o ministério, apenas 13% da população brasileira têm acesso a manifestações culturais. O cenário, segundo Juca, não abre possibilidade para o desenvolvimento do cinema e do teatro de produção nacional, por exemplo. Com o vale-cultura, a previsão é de que R$ 17 bilhões sejam injetados na economia cultural. “O circuito vai ficar bastante aquecido”, disse Juca.

Ao comentar a não obrigatoriedade de adesão ao vale-cultura por parte das empresas, Juca afirmou que “na cultura, nada deve ser obrigatório”. Ele avaliou, entretanto, que o projeto de lei é “atraente” e que, uma vez aprovado, poderá haver pressão dos próprios funcionários para ter direito ao benefício.Sobre o valor a ser disponibilizado no cartão magnético – R$ 50 – Juca admitiu que a quantia é baixa quando considerados os valores cobrados, por exemplo, pelas entradas de cinema e teatro. Segundo ele, a ideia é de que o valor seja “aprimorado” e possa chegar a R$ 150. “Para começar, o valor de R$ 50 está bom, mas o ideal seria um pouco mais”, disse.

(Texto: Paula Laboissière, Agência Brasil)

Escute a entrevista na íntegra. O Programa Bom dia, Ministro com Juca Ferreira foi veiculado no dia 13 de agosto de 2009 e transmitido de Brasília, ao vivo,  em rede nacional, pelas emissoras da Empresa Brasileira de Comunicação. O Programa tem formato de entrevista coletiva, organizada com a participação de comunicadores de emissoras de rádio de todo o País.  Co-produção:  Secretaria de Comunicação Social do Governo Federal (Secom) e a EBC Serviços.