sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

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Ministro fala sobre Vale-Cultura na sabatina da Folha

Folha de S.Paulo, Ilustrada, 21/08/2009.

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, participou da sabatina da Folha na quarta-feira (19/08). Dentre os trechos editados pelo jornal, reproduzimos abaixo o que foi publicado sobre o Vale-Cultura. O ministro foi sabatinado pelos jornalistas Sylvia Colombo (editora da Ilustrada), Gilberto Dimenstein (do Conselho Editorial da Folha), Marcio Aith e Ana Paula Sousa. Veja a íntegra da matéria.

Vale-Cultura – [Questionado sobre se o governo não deveria orientar o gasto do Vale-Cultura pela população, permitindo formação de plateia no lugar de uso em shows de funk, por exemplo] Somos tratados com uma suspeição recorrente de dirigismo cultural. Na hora que a gente lança um instrumento democrático, vêm demandar que a gente diga o que a população vai consumir? Os editoriais da Folha e do “Estadão” foram uma surpresa. Não pode o Estado dizer: “Isso é meritório, isso não é”. Me surpreendeu dois órgão de imprensa de marca liberal demandarem do Estado esse tipo de censura. Não tenho nada contra o funk. Todas as manifestações populares foram incompreendidas. É uma manifestação cultural enraizada nas populações pobres do Rio. Se tem proximidade com a criminalidade é porque [isso vale para] qualquer coisa que se mexa naquele ambiente, onde o Estado é frágil. O funk tem mérito do ponto de vista cultural, é um gênero cultural como outro qualquer.

Na Folha Online (19/08/2009):

Na sabatina promovida pela Folha, o ministro Juca Ferreira também falou sobre o Vale-Cultura, um cartão que dará a trabalhadores de empresas privadas o direito de comprar ingressos para cinema, teatro, museu em shows, entre outros produtos culturais, com o saldo oferecido no vale, de até R$ 50 mensais.

Segundo estimativas do Ministério da Cultura, o vale pode aumentar em até R$ 600 milhões por mês ou até R$ 7,2 bilhões ao ano o consumo cultural no país.

Para o ministro, o vale irá estimula cinemas, teatros e livrarias a dosarem os preços de suas entradas e ou produtos. “Vai haver um mecanismo nos preços para atrair o dinheiro disponibilizado por meio do Vale-Cultura e também para estimular a abertura de livrarias e espaços culturais próximos aos locais onde as pessoas que usam o benefício moram.” Leia mais…


Vale-Cultura para professor?

Folha Online, Gilberto Dimenstein, 20/08/2009.

Durante sabatina promovida pela Folha, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, acenou com a possibilidade de que o Vale-Cultura seja estendido aos professores.Tradução: receberiam dinheiro para comprar livros ou ir a cinema, teatro, exposições, concertos etc. Essa é uma ideia que me agrada.

Volto a repetir que considero o Vale-Cultura um monumental desperdício. O dinheiro (estima-se R$ 7 bilhões) seria muito melhor aplicado se parte de um programa educativo que disseminasse cultura nas escolas –aí sim teríamos mais condições de formar plateias. O próprio ministro reconheceu, durante a sabatina, as maravilhas que podem acontecer quando se juntam educação e cultura, ao citar o caso das bibliotecas da Colômbia, que são enormes centros comunitários.

Estender o benefício aos professores não salva o Vale-Cultura, que ainda precisa ser aprovado no Congresso. Mas é melhor do que nada. Se existe uma categoria que merece esse recurso é o professor; afinal, um professor com bagagem cultural influencia milhares de alunos.

Nota do MinC: A extensão do Vale-Cultura aos professores está sendo discutida com o Ministério da Educação.